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Alive!11 - Dia 2

Rock de Foo Fighters leva 40 mil pessoas a Algés

07 | 07 | 2011   21.20H

Take 2 de 4 do festival Optimus Alive!11 no Passeio Marítimo de Algés. My Chemical Romance, Primal Scream, Iggy Pop e Foo Fighters foram algumas das principais atracções.

Vera Esteves | vesteves@destak.pt

Depois da enchente de ontem, graças a Coldplay, as imediações e o recinto do festival urbano de Lisboa encontram-se mais folgadas, mas não tanto, já que a organização avançou com o número de 40 mil pessoas para este segundo dia.

Depois do indie rock/noise pop dos californianos de San Diego Crododiles terem aberto as honras do segundo dia no Palco Super Bock, os Everything Everything apresentaram o seu único álbum de estúdio até à data, «Man Alive», vestidos com fato macaco e envergando uma atitude pouco convincente no seu rock alternativo com sotaque britânico.

Embora longe dos tempos aúreos, Jimmy Eat World (que já anda nestas andanças há 20 anos) ainda puxou alguns fãs do seu rock juvenil para o Palco Optimus, cujo expoente foi "The Middle", mas foi Seasick Steve que captou muitas atenções, mesmo quando assistia a Everything Everything no canto esquerdo da plateia, sendo interpelado para várias fotografias.

Com uma sonoridade que nos transporta para o Texas profundo, Steven Gene Wold tinha como companhia humana apenas o companheiro baterista e vários instrumentos improvisados a partir de latas de milho, tabuas, puxadores de Chevrolet, numa plataforma mínima elevada um metro em cima do palco, onde cabia tudo o que eles precisavam para dar o espectáculo surpresa do Palco Super Bock desta tarde.

Steve talvez não estivesse à espera de uma reacção tão positiva, mas a verdade é que até descobriu ter sangue português a correr nas veias, dado que o avô era dos Açores e já há muitos anos que acha a língua portuguesa «a coisa mais bonita que já ouviu, pois é uma espécie de russo exótico». O velho lobo do mar ainda chamou uma rapariga do público chamada Ocean para lhe dedicar um tema acústico.

My Chemical Romance fizeram questão de se afastar definitivamente da imagem emo que os perseguia e apostaram numa atitude mais punk rock. Os hits fizeram-se esperar mais pelo fim, tais como "Teenagers". De cabelo vermelho e casaco da tropa, o vocalista Gerard Way abandonou o estilo gótico e as teatrices adjacentes e voltou-se para o pop, de cara lavada. A bandeira portuguesa com a palavra "Contaminated" e uma aranha foi atada ao suporte do micro antes de "Welcome To The Black Parade", um dos hinos da banda. Um bom concerto para fim de tarde, embora os My Chemical Romance sejam cabeças de cartaz em alguns festivais europeus, o que não faria muito sentido por cá.

Para surpresa geral, Zé Pedro foi o primeiro a aparecer em palco, depois de ter sido afastado recentemente dos palcos devido a um transplante de fígado, do qual está felizmente a recuperar bem. Ou não tivesse o guitarrista dos Xutos&Pontapés tocado durante todo o concerto que andou perto de uma hora. Zé Pedro agradeceu a todos a preocupação, o apoio e o carinho nos últimos meses e admitiu saudades. 

Depois dos restantes companheiros surgirem perante a multidão, a noite prometia ser de homenagem. Angélico e Zé Leonel, primeiro vocalista dos Xutos, foram mencionados com este último a ser relembrado com o tema "Sémen", o primeiro single da banda da sua autoria.

Com várias famílias na plateia a prometer uma longevidade maior na carreira do grupo português, não faltaram aquelas canções que todos sabem de cor e salteado: "À minha maneira", "Contentores", "Ai se ele cai", "Mundo ao Contrário", "Dia de S.Receber", entre outras. Tim, particularmente emocionado e nervoso (como deixou escapar), pediu uma grande salva de palmas ao amigo em recuperação e deixou que "Perfeito Vazio" explicasse como se sentiu ao actuar sem Zé Pedro. "Minha Casinha" fechou em êxtase o espectáculo que prova que os Xutos serão sempre os Xutos e que, apesar de toda a gente já os ter visto em feiras e festas de terriolas, continuam a ser um nome chamativo para um festival de Verão.

À mesma hora (21h15), os Primal Scream deram o melhor concerto do segundo dia no Palco Super Bock, para um público que claramente os segue desde os primórdios de «Screamadelica», o trabalho que rompeu fronteiras e mudou a música britânica nos anos 90. Para além dos temas deste disco, houve tempo para clássicos como "Country Girls" e "Rocks", com a dose de rock e carisma que sempre lhes foram característicos. Ontem provaram que ainda têm muitas cartas a dar e ao que parece já estão a trabalhar num novo álbum, a sair no Verão do próximo ano.

Não se pense que, com 64 anos, Iggy Pop esteja mais calmo. Longe disso. Continua eléctrico, um autêntico bicho irrequieto de palco, que ainda actua de tronco nú e de modos pouco ortodoxos: morde o micro, cospe água e manda tudo e todos "para o outro lado" (se é que entendem). Acompanhado pelos seus Stooges, começou com "Raw Power" e terminou com "No Fun" num espectáculo infernal que até as caras bonitas das raparigas levou para junto do Belzebu. «Raparigas: a vossa cara bonita vai para o inferno», cantou Iggy já no encore.

Os Primal Scream deixaram um rasto de copos e garrafas de plástico esmagados na erva artificial da tenda secundária e quando Os Golpes sucederam aos ingleses, as dezenas que se encontravam a descansar do frenesim da dance music e do techo psicadélico elevaram automaticamente aos primeiros riffs de guitarra da banda que nos faz tão bem lembrar os Heróis do Mar.

Com uma portugalidade completamente assumida, Os Golpes assumiram uma actuação galopante de guitarras e bateria em descontrolo no início instrumental de cada canção. De cabelo rebelde ao ritmo da sonoridade apressada, Manuel Fúria mostrou ter a personalidade de um líder ao conduzir o seu quarteto às graças dos presentes. Ouviu-se "Território Justo" e a "Marcha dos Golpes", mas foi o single "Vá Lá Senhora" e "Paixão", já com Rui Pregal da Cunha e a sua cartola de grilo falante, que levou a considerável multidão a cantar a plenos pulmões.

Kele conseguiu a proeza de fazer pular os festivaleiros que julgavam não ter mais força para tal. O ex-vocalista dos Bloc Party trouxe o melhor de «The Boxer», o seu disco a solo, com "Everything You Wanted" a ser tocado bem perto das primeiras filas. Mas Kele não esqueceu a sua antiga banda e presenteou os fãs com um medley, incluindo "Blue Light", "The Prayer", "One More Chance" e "Tenderoni", mas a medalha de ouro foi para "All the Things I Could Never Say", que surgiu num sussurro e terminou numa festa de dança.

A multidão dos cabeças de cartaz Foo Fighters não era tão extensa como a de Coldplay no primeiro dia, mas o entusiasmo era sem dúvida maior e mais intenso. Os tiques por vezes rudes de Dave Grohl, o homem da frente, - como arrotar bem perto do micro depois de afirmar que não se lembra da última vez que actuou em Portugal, mastigar uma pastilha de boa aberta, ter constantemente a cara tapada pelos cabelos, meter a expressão "fucking" em todas as frases e beber uma cerveja de penálti - eram imediatamente desculpados com o seu também constante sorriso nos lábios. Dave é um tipo simples que gosta é de rock and roll e de dar grandes concertos, sem a ajuda dos computadores, como referiu, os modos são pormenores.

Durante duas horas, houve tempo para correrias desenfreadas duma ponta à outra do palco, sempre com a guitarra a tiracolo, head banging, descida às grades e lambidela a uma câmara. Grohl tem o seu quê de louco, mas os fãs agradecem. Pagaram para isso.

Depois de um cheirinho aos anos 90 a ressacar de Nirvana com "My Hero", houve tempo para "Rope", "The Pretender", "Learn To Fly", "Breakout" (aqui vimos o quanto Grohl gosta de gritar), "White Lemo", do novo disco «Wasting Light», com a ajuda do baterista enorme em talento e devoção Lemmy Kilmister, "Best of You" e "All My Life". Para o encore restaram "Times Like These" e "Everlong".

Os Foo Fighters também suam a camisola e dão toda a alma e coração às suas actuações. São eficazes na miscelânea entre os riffs pesados do rock e a suavidade de uma faceta mais sensível do pop, com letras que por vezes puxam ao sentimento das relações. Porque é disso que a música vive.

DJ Buraka Som Sistema abanava a tenda Optimus Clubbing ao fim da noite.

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Foto: Miguel Meneses
Rock de Foo Fighters leva 40 mil pessoas a Algés | © Miguel Meneses

6 comentários

  • Quem pode, pode. Quem não pode, arreia...
    fzappa | 08.07.2011 | 19.35Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • DJ Buraka Som Sistema abanava a tenda Optimus Clubbing ao fim da noite. E é assim que acaba a noticia? Nem referencia ao final de dia de festival para os Bloody Beetroots?.....
    McFreakens | 08.07.2011 | 18.53Hdenunciar comentário
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  • IMPOSTO SOBRE ELES!
    zé da burra o alentejano | 08.07.2011 | 16.21Hver comentário denunciado
  • Ainda há gente com vontade de FESTAS e também com DINHEIRO PRA PAGAR!
    Zé da Burra o Alentejano | 08.07.2011 | 16.20Hver comentário denunciado
  • Tenho pena de não ter conseguido ir ver os Xutos e os Foo Fighters; a conjectura económica falou mais alto. Mas é de assinalar muito positivamente o crescente cuidado dos vários Festivais em escolher os cartazes. Muito bom!
    Jessica Rabbit | 08.07.2011 | 13.34Hdenunciar comentário
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  • Cara Vera Esteves,
    Gostei do pormenor «Restante reportagem em breve». Muito bom!
    MJ Nunes | 08.07.2011 | 09.53Hdenunciar comentário
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