Miranda do Douro

Burros não vão ao dentista por desconhecimento dos criadores

11 | 07 | 2011   09.27H

Cerca de 90 por cento dos proprietários de burros desconhece os cuidados a ter com a saúde dos dentes e da boca dos seus animais, ou seja preocupações patológicas que afetam a cavidade bocal dos animais.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Perante a situação, o veterinário João Rodrigues tem em curso na região raiana de Trás-os-Montes e Castela (Espanha) uma investigação científica que pretende divulgar o estudo “epidemiológico comparativo da patologia estomatológico-dentária presente nos efetivos da Raça Asinina de Miranda e Burro Zamorano-Leonês”.

João Rodrigues disse à agência Lusa que o objetivo do trabalho prende-se com a aplicabilidade dos conhecimentos da Medicina Dentária Equina no estudo de raças asininas autóctones ibéricas ameaçadas e a obtenção de resultados pode contribuir com novos e importantes elementos que permitam um aumento do seu bem-estar.

“Ao mesmo tempo levamos a cabo uma gestão mais eficaz dos efetivos, contrariando a tendência para a sua diminuição e consequente preservação da biodiversidade e deste importante património genético mas também histórico-cultural único no mundo”, acrescentou o investigador.

O consultório do veterinário é o largo principal de cada aldeia que visita, local onde os proprietários se juntam levando os seus animais pela “rédea” para que sejam observados e os dentes dos seus burros e burras sejam tratados, limados, extraídos ou corrigidos.

“Tenho burros há muitos anos, mas nunca tinha visto fazer este tipo de trabalho. Por vezes passam aqui outros veterinários, mas dedicam-se a outra coisas. Aos dentes dos burros é a primeira vez”, disse à agência Lusa Natividade Arribas, após levar os seus burros aos cuidados do veterinário dentista.

À medida que a manhã passa, o número de clientes aumenta e só na pequena aldeia de Freixiosa (Miranda do Douro) contribuíram para a tese de doutoramento do veterinário mais de uma dezena de animais.

“A minha burrica já não comia e agora reparei que tinha os dentes da frente estragados e o veterinário teve de lhos tirar”, observou Margarida Martins, de 70 anos.

O trabalho tem como base um estudo de doutoramento promovido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e é financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia, cujo principal objetivo é investigar a incidência da patologia estomatológico-dentária que afeta a população do burro de Miranda e do burro Zamorano-Leonés, através da realização de um estudo epidemiológico comparativo.

“Pretende-se examinar 400 animais de cada uma das raças, o que representa aproximadamente 50 por cento do total do efetivo. Até ao final do trabalho de investigação serão vistos cerca de 800 animais (400 de cada raça) e percorridas mais de 90 aldeias de ambos os lados da fronteira”, avançou João Rodrigues.

É nesta região dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso e Bragança que desde 2003 surge a primeira e única raça autóctone de burros reconhecida em Portugal: A Raça Asinina de Miranda.

A raça está classificada atualmente como “muito ameaçada”, o seu efetivo reduzido e envelhecido não ultrapassa as 300 fêmeas com capacidade reprodutiva e 20 a 30 garanhões (num total de aproximadamente 800 animais registados).

Por este motivo, João Rodrigues tem em mente percorrer mais de 40 mil quilómetros a ajudar “ tão importante” animal, fiel amigo das gentes do campo e da lavoura.

João Rodrigues afirmou, por fim, que a preservação da biodiversidade doméstica e dos seus recursos genéticos são atualmente uma prioridade a nível mundial.

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Foto: LUSA
Burros não vão ao dentista por desconhecimento dos criadores | © LUSA

1 comentário

  • Ém si é desde já um a nimal bonito que ajudou muitos e muitos anos o homem na lavoura , o qual lhe prestou grandes serviços e que hoje devido às máquinas agrícolas é pouco utilizado.É nosso dever proteger este tipo de animal para que não se extinga e depois apenas possa vê-lo em fotografia. A pequenada adora-os e estão sempre prontos para dar uma volta nestes asininos tão característicos e tão engraçados. Acho que Dr. João Rodrigues está a fazer um trabalho excepcional não só cuidando-os em relação aos problemas dentários que estes animais possam ter como dando-lhes respeito que lhe é devido. Quando vemos um cão a guiar um invisual ou que está ao pé de uma pessoa que permanece numa cadeira de rodas, que morrem em combate , que salvam uma pessoa ou que nos divertem com as suas habilidades , aves etc. merecem a prestação de todo o nosso carinho e admiração. Parabéns Dr. pelo trabalho que empreendeu e muito sucesso no seu doutoramento.
    Pedro | 11.07.2011 | 10.43Hdenunciar comentário
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