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Rating: Principais agências têm forte influência norte-americana

11 | 07 | 2011   20.23H

As três principais agências internacionais de notação financeira – Standard and Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch – partilham uma forte influência norte-americana na sua gestão e corpo accionista, o que alimenta suspeitas entre os europeus.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

O Presidente da República já considerou as decisões das agências de ‘rating’ norte-americanas como “uma ameaça à estabilidade da economia europeia” e considerou “escandalosa” a descida do ‘rating’ português pela Moody's.

Em declarações aos jornalistas no Alentejo, na sexta-feira, Cavaco Silva afirmou que o problema não é só português e alertou: “O projeto de construção europeia fica mais frágil se 27 chefes de Estado e de governo se deixarem condicionar pelas decisões de três agências norte-americanas”.

A Moody’s, que colocou terça-feira a notação financeira de Portugal ao nível de lixo (‘junk’), tem entre os seus accionistas o designado mago do Omaha, Warren Buffet, que possui 12,47 por cento do capital, através da Berkshire Hathaway, seguido pela Capital World Investors, com 12,38 por cento.

A soma das participações dos dez principais fundos de investimento que investiram na agência totaliza 20,31 por cento.

É presidida desde 2005 pelo advogado nova-iorquino, Raymond McDaniel, que entrou na empresa em 1987 e integra ainda a administração da editora John Wiley & Sons.

Os outros administradores da Moody’s vieram do universo do Chase Manhattan Bank, do Banco da Reserva Federal em Nova Iorque, do Citigroup, do Bank of America, da editora do Wall Street Journal, da auditoria e de grandes empresas de crédito ao consumo e informação empresarial. A S&P é ‘apenas’ uma divisão do universo empresarial da McGraw-Hill.

Este grupo, presidido e dirigido por Harold McGraw III, está no mercado internacional da edição, designadamente económica e empresarial, médica e científica, lato senso; da educação – é até exemplo de entidade independente produtora de exames, desde a pré-primária até à educação de adultos, passando pela universidade –; da informação e comunicação [rádio e televisão], tendo alienado recentemente a revista Business Week; financeiro, onde produz o conhecido índice bolsista Standard & Poor’s 500, faz análise bolsista e define estratégias de investimento; e da notação financeira.

Na McGraw-Hill, encontra-se novamente a Capital World Investors como accionista de referência, no caso o maior, com 12,2 por cento, seguido pela Black Rock, com 5,44 por cento.

O presidente possui 4,7 por cento. Por sua vez, a Fitch é detida em 60 por cento pela francesa Fimalac, com os restantes 40 por cento pertença do grupo norte-americano Hearst.

Estas eram as três únicas entidades reconhecidas pela autoridade da bolsa norte-americana (SEC, na sigla em Inglês), total que subiu para 10 depois de 2008 e passou a incluir A.M. Best Company, DBRS, Egan-Jones, Japan Credit, Kroll Bond, Rating and Investment Information e Realpoint. Em 2010, uma empresa de ‘rating’ baseada em Pequim, a Dagong Global Credit Rating, viu recusado o seu pedido de reconhecimento pela SEC.

O relatório anual da SEC sobre estas agências, datado de Janeiro último, dá conta da existência de 2,9 milhões de notações atribuídas até final de 2009, distribuídas por cinco categorias de emitentes, a saber, instituições financeiras, seguradoras, empresas, emissões garantidas por activos e entidades públicas, designadamente Estados e municípios.

A S&P aparecia como a principal notadora, com 1,23 milhões de opiniões emitidas, seguida pela Moody’s (1,08 milhões) e Fitch, com 512 mil. No total, estas três agências representavam 97 por cento do total de notações atribuídas. Em quarto lugar, a DBRS surge com 43 mil notações.

Com 2,2 milhões, o sector público era o principal cliente das agências de notação. O documento da SEC revela ainda a existência de 3520 analistas de crédito controlados por 820 supervisores. A Moody’s tem a maior parte dos analistas (1096), seguida pela Fitch (1035) e S&P, com 1019.

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