Noruega/Atentado

Noruegueses estão a "digerir" ataques em clima pesado mas calmo

25 | 07 | 2011   11.49H

Uma socióloga portuguesa residente em Oslo disse hoje à agência Lusa que os noruegueses ainda estão a "digerir" o ataque terrorista que sexta-feira matou 93 pessoas, descrevendo o clima "pesado" mas "calmo" que se vive no país.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

"Ainda se vive um clima pesado. As pessoas ainda estão a digerir a tragédia, mas sinto que se vive um clima de calma, as pessoas estão muito calmas. A resposta norueguesa ao ataque tem sido inacreditavelmente calma", disse Bárbara Neves.

A portuguesa, que falava à agência Lusa por telefone, sublinhou o "espírito positivo" que os noruegueses mantêm, depois de na sexta-feira um homem ter feito explodir uma bomba junto dos edifícios governamentais, seguindo depois para um acampamento de jovens do Partido Trabalhista sobre os quais disparou indiscriminadamente.

No total morreram 93 pessoas, na maioria jovens.

"A Noruega retaliou com reforço de valores democráticos e humanistas. Depois de um ataque deste género há tendência de a sociedade se tornar um pouco mais paranoica, reforçando a segurança e a suspeição, o que não tem acontecido pelo menos no curto prazo", disse Barbara Neves.

Acrescentou que os seus amigos e todas as pessoas com quem tem falado "têm uma filosofia positiva de lutar com muito mais amor, mas tolerância e mais respeito", um sentimento, que segundo esta cidadã portuguesa, está também muito presente no discurso das autoridades.

A polícia deteve o autor confesso dos atentados, o norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, que será presente hoje a um tribunal de Oslo cerca das 13:00 locais (12:00 em Lisboa).

Barbara Neves disse à Lusa ter dificuldades em prever como será a reação dos noruegueses a esse momento.

"Acho que as pessoas podem estar lá [no tribunal] para demonstrar que querem ouvir o que ele tem para dizer porque um sociopata que comete estes crimes todos e depois diz que tem uma explicação cria alguma curiosidade. Mas, por outro lado, há um grupo no Facebook de pessoas que queriam fechar as portas do tribunal porque não lhe querem dar um palco para falar. Ainda não se sabe se audiência vai ser aberta ou fechada, depende do juiz", adiantou.

Para Bárbara Neves toda a gente conhece alguém que morreu nos ataques o que está a "gerar um sentimento de dualidade", ainda que, segundo disse, as pessoas estão a "reforçar muito" as ideias de tolerância e de democracia.

Adiantou que cerca das 18:00 locais haverá uma marcha pela tolerância e pela paz que irá percorrer a baixa da Oslo e para a qual estão já inscritas mais de 50 mil pessoas no Facebook.

A portuguesa sublinhou ainda que na missa pelas vítimas realizada no domingo foi possível ver "a diversidade multicultural" contra a qual o autor confesso dos atentados lutava.

Bárbara Neves disse ainda que a zona de Oslo onde ocorreram os atentados continua fechada, mas que o Governo está já "a funcionar normalmente" em outros edifícios.

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