Santana Lopes sugere aeródromos regionais e quer regionalização em cima da mesa
O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes sugeriu na segunda-feira que uma rede de aeródromos regionais poderá contribuir para a coesão territorial e defendeu, a este propósito, que a regionalização tem de estar em cima da mesa.
Numa intervenção nas jornadas parlamentares do PSD, no Fundão, em que falou de improviso e depois respondeu a perguntas dos deputados, Santana Lopes confessou que tem "muita pena" de não fazer parte da bancada social-democrata, disse que agora já não vai "andar por aí" e está "por aqui" e motivou uma salva de palmas para a Madeira.
O antigo presidente do PSD falou sobretudo sobre o abandono do interior, mas não deixou de comentar a situação financeira e económica do país e as suas causas, dando como mau exemplo uma proposta do antigo ministro do seu Governo António Mexia sobre as autoestradas sem portagens (SCUT).
"Eu conto sempre esta história, não para dizer bem de mim, mas porque entendo que é pedagógica, de quando um gestor qualificadíssimo como é a pessoa que foi meu ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, na segunda reunião de despacho que teve comigo em São Bento, me levou um estudo de prorrogação dos contratos das SCUT até 2036", disse.
Santana Lopes acrescentou: "Era um estudo que vinha já de antes, mas que ele me levou em proposta, até 2036. Eu respondi-lhe que era inaceitável, que estava plenamente convencido de que havia uma grande hipótese de em 2036 já não haver carros a rodar nas estradas, podia ser que as pessoas já se deslocassem em motas aéreas, ou coisas do género, para tentar ironizar um pouco com a irresponsabilidade daquela proposta".
Sobre a falta de coesão territorial, considerou que "não é fácil combater isto", mas sugeriu: "Talvez seja diferente se se pensar numa rede nacional de aeródromos e aeroportos regionais que permita servir as populações de uma maneira diferente. Talvez seja diferente, de facto, se em vez da megalomania houver esse sentido de solidariedade. Talvez seja possível se não tivermos medo, se não transformarmos nenhum tema em tema tabu, nem sequer o da regionalização".
"Tudo tem de estar em questão e em cima da mesa de trabalho", defendeu.
A este propósito, Santana Lopes disse ainda que "gostava muito de ver em Portugal um movimento no sentido do cultivo dos nossos campos" e propôs que se desafie o PS para um consenso sobre medidas de longo prazo relativas à "interioridade".
Santana Lopes, que aceitou um convite do Governo para ser provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, elogiou o executivo pela extinção dos governos civis e recusou eventuais fusões de câmaras municipais no "interior despovoado", contrapondo que estas devem ser feitas "nos concelhos com maior desenvolvimento económico".
O ex-presidente de câmara defendeu o poder local e quis também "deixar uma nota de solidariedade" ao "combate" dos "companheiros das regiões autónomas, e nomeadamente da Madeira, que tem estado debaixo de fogo neste momento que não é fácil" - mensagem que foi recebida com um forte aplauso.





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