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Crimes/ EUA

George Wright tem Bilhete de Identidade português – Junta de Freguesia de Colares

28 | 09 | 2011   16.42H

O cidadão norte-americano detido pela PJ que estava em Portugal há mais de duas décadas era natural da Guiné-Bissau e tinha Bilhete de Identidade português, disse à Lusa fonte da Junta de Freguesia de Colares, Sintra.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Segundo o funcionário da Junta da freguesia onde residia George Wright, no documento identificativo consta que tinha nacionalidade portuguesa e era “filho de pais portugueses”, facto que a fonte considerava estranho devido ao sotaque.

“Ele dizia que era da Guiné, mas um tipo africano num país de expressão portuguesa não tem aquele sotaque que levava mais a pensar que era britânico. Agora vejo que era sotaque americano”, sustentou.

Vitalino Cara de Anjo disse ainda que Jorge Santos, nome por que era conhecido, explorou durante vários anos com a mulher o posto dos correios da Praia das Maçãs, também em Sintra, adiantando que era uma pessoa “conhecida” e “respeitada” na terra.

Contudo, o funcionário sublinhou o facto de a aparência atual de George Wright ser “completamente diferente” da fotografia que consta da lista dos criminosos mais procurados pelo FBI e que está a circular na comunicação social.

Comunicativo, simpático, afável, pacato e participativo na vida cívica, foram os adjetivos utilizados pelos responsáveis da Junta de Freguesia para descrever o norte-americano de 68 anos.

O presidente da Junta de Freguesia de Colares, Rui Franco dos Santos, disse à Lusa que George Wright se ofereceu para treinar as camadas jovens de basquetebol da localidade.

“Todos estamos de boca aberta. Toda a gente se dava muito bem com ele e não sabíamos que era americano”, afirmou o autarca, que disse ainda desconhecer se o norte-americano teria exercido o direito de voto durante o tempo que ali viveu.

George Wright, norte-americano condenado por homicídio e procurado há 41 anos pelas autoridades dos EUA, foi detido na segunda-feira em Sintra pela Polícia Judiciária em cumprimento de um mandado de detenção internacional. Está em prisão preventiva e o Tribunal da Relação irá agora decidir uma eventual extradição, a que o detido se opõe.

Vivia há cerca de 20 anos em Portugal sob identidade falsa, com o nome de José Luís Jorge dos Santos, tendo dois filhos de 24 e 26 anos de um casamento celebrado em território nacional.

George Wright foi condenado em 1962 por homicídio e fugiu da cadeia de Bayside, em Leesburg (Nova Jérsia), em 1970. Dois anos mais tarde desviou um avião de uma companhia aérea norte-americana e pediu asilo à Argélia. O governo argelino devolveu o avião e o resgate aos EUA, a pedido da Administração norte-americana, e deteve os sequestradores temporariamente.

Os cúmplices de Wright foram mais tarde presos, julgados e condenados em Paris em 1976. Wright foi o único que se manteve em fuga, até ser capturado pelas autoridades portuguesas.

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