Investigação

Estudo revela carência de ácido fólico e ferro durante a gravidez

24 | 10 | 2011   15.19H

Nós somos o que comemos, avança a sabedoria popular. Uma máxima ainda mais importante durante a gravidez, diz também o povo, quando se come por dois. Mas apesar da umudança nos hábitos alimentares das furturas mamãs, o projecto geração XXI mostra que são precisas outras mudanças.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Que a alimentação é importante durante a gravidez, ninguém duvida. E que os cuidados com o que se come devem ser outros, também é um dado adquirido. No entanto, embora a atenção dada
pelas grávidas portuguesas ao menu seja reforçada, a grande maioria das futuras mamãs tem uma ingestão inadequada de ácido fólico e ferro.

A prová-lo está o projecto Geração XXI, desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e pelo Instituto de Saúde Pública (ISPUP) da mesma instituição, que avaliou a ingestão alimentar em mulheres grávidas. E comprovou que, se antes da gravidez já era elevado o número de mulheres que ingeriam menos ácido fólico do  que o recomendado (58%), durante a gestação os números dispararam para os 91%. «E no caso do ferro, 88% das mulheres
não conseguiram mesmo suprir as suas necessidades durante a gravidez», confirma ao Destak Elisabete Pinto, professora auxiliar na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e investigadora no ISPUP.

Para a maior parte da população, o que se come é suficiente para garantir uma correcta ingestão destes micronutrientes. Mas tudo muda com a gravidez. Aqui, são mais as exigências, aumentando também a necessidade de ácido fólico e ferro, o que torna necessário recorrer à suplementação, «particularmente no caso do ácido fólico». Oque leva a especialista a deixar o alerta: embora o uso de suplementos esteja a ser feito, está «a iniciar-se tardiamente na maioria dos casos».

É que, acrescenta ainda, «é fulcral que a sua ingestão seja aumentada logo nas primeiras quatro semanas de gestação, período onde ocorre o encerramento do tubo neural, estrutura que dará origem ao sistema nervoso do feto. Percebe-se, pois, que a suplementação se deve iniciar ainda antes da concepção.» Algo que aconteceu em apenas 19% dos casos, embora mais de 60% das mulheres tenham planeado a gravidez. «Ou seja, é preciso maior sensibilização dos profissionais de saúde, mas essencialmente das mulheres para este assunto».

Mais produtos lácteos
Ao todo, a equipa de investigadores acompanhou 460 mulheres até ao parto. Um trabalho que conquistou um Nutrition Award e que produziu ainda outros resultados. Como a constatação do aumento na ingestão de produtos lácteos, que passou de 390 gramas antes da gravidez, para cerca de 700 durante o período de gestação. No entanto, explica a investigadora, tendo em conta as recomendações da Roda dos Alimentos, «percebemos que provavelmente o que havia era défice de ingestão destes alimentos antes da gravidez».

No geral, as grávidas portuguesas até se sabem comportar à mesa, já que «a ingestão de pão, fruta e sopa também aumentou, enquanto a ingestão de ovos, carnes vermelhas, arroz, massas e batatas, alimentos fast food, bebidas alcoólicas, café e chá diminuíram».

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