PUBLICIDADE
cimeira

Economistas EUA acolhem plano com frieza, defendem maior integração orçamental

27 | 10 | 2011   21.17H

O novo plano da União Europeia para combater a crise da dívida, saído da Cimeira de Bruxelas, saltou hoje para o centro da conferência anual da revista The Economist em Nova Iorque, onde foi acolhido com muitas reservas.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Para Joachim Fels, economista chefe da Morgan Stanley, o acordo é “moderadamente encorajador”, mas deixa “mais perguntas do que respostas”, sendo a maior daquelas a de “se os governos europeus estão preparados para dar passos para uma maior integração orçamental”, condição considerada necessária para a resolução da crise.

“Precisamos de uma união monetária que seja acompanhada por uma orçamental”, defendeu o economista em Nova Iorque, perante um auditório repleto de gestores de ativos de Wall Street.

Outras questões em aberto, adiantou, incluem a de saber quem serão os co-investidores do Fundo de Estabilização Financeira e se as garantias serão consideradas credíveis, para além do impacto da desalavancagem dos bancos, que poderá ser “um peso sobre a economia europeia e sobre os mercados globais nos próximos meses”.

Mesmo a prevista descida da dívida grega, depois do perdão dos bancos, para 120 por cento do PIB, poderá não ser “sustentável” para o país, salientou.

Para Jacob Kirkegaard, ‘fellow’ do Instituto Peterson de Economia, em Bruxelas foram “pela primeira vez dados passos positivos em todas as áreas necessárias”, mas o acordo “não aumenta a estabilidade sistémica da Zona Euro” de forma significativa, mantendo-a dependente do Banco Central Europeu.

Steven Tananbaum, gestor de ativos do fundo GoldenTree, afirma que da cimeira de Bruxelas saíram “passos na direção certa”, mas não os suficientes para os mercados deixarem de viver “de vagas de esperança e de medo” em relação à Zona Euro.

Os três economistas mostraram-se céticos de que economias emergentes como a China venham a participar de maneira substancial, ao nível considerado necessário pelos líderes europeus, nos veículos de investimento especiais a aplicar no resgate de economias europeias altamente endividadas.

Kirkegaard alertou para o risco de uma “desalavancagem massiva” pelos bancos, que poderá conduzir a restrições de concessão de crédito e posteriormente sobre o crescimento económico, em economias desenvolvidas, mas também nas emergentes, de onde as grandes instituições financeiras internacionais deverão retirar recursos.

Joachim Fels sublinhou que o cenário para os países endividados da Zona Euro é de “recessão por um período muito longo”, sendo encorajadoras as reformas que estes têm vindo a fazer, no sentido de haver condições para os manter financiados.

“A luz ao final do túnel será uma Europa mais competitiva dentro de três, cinco ou sete anos”, disse o economista da Morgan Stanley.

Fels foi o mais pessimista quanto ao período em que a Grécia terá de ficar fora dos mercados – “não antes da próxima década” - mantendo-se sob financiamento europeu e do Fundo Monetário Internacional, enquanto Kirkegaard aponta para mais de cinco anos.

Para os economistas, os líderes europeus serão confrontados com outras emergências no prazo de “semanas ou meses”, enquanto não forem resolvidas as fraquezas do euro, das quais Fels menciona um “nível de integração orçamental insuficiente” entre os países que integram a moeda única.

“Estamos a tentar construir pontes, mas ainda são pontes para lado nenhum”, diz o economista da Morgan Stanley.

Para Kirkegaard, o cumprimento pela Itália das promessas feitas irá demonstrar “se a União Europeia desenvolveu instituições capazes de coagir um país”, o que “pode funcionar mais depressa do que a alteração do Tratado” da União Europeia, no sentido de uma maior união a nível orçamental.

Saiba mais sobre:
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE