Quadros da Metro "colocaram em cheque" trabalhadores das empresas públicas
A Comissão de Trabalhadores (CT) da STCP acusou hoje os quadros da Metro do Porto, que apresentaram razões para não aderir à greve, de estarem a “colocar todos os trabalhadores das empresas públicas de transportes em cheque”.
Para a CT, os 31 quadros da Metro que, na terça-feira, deram a conhecer “oito razões” para não fazerem greve, “auto-intitulam-se como se fossem uma casta superior a todos os demais trabalhadores das empresas públicas de transportes”.
Em comunicado enviado à Lusa, a CT entende que, com essa atitude, os quadros da Metro chegaram mesmo a “colocar em causa o profissionalismo, competências e até o patriotismo” dos trabalhadores das empresas públicas de transportes, considerando ser “inaceitável” que o tenham feito no dia da greve nacional dos transportes.
A CT acrescenta que, “conhecendo minimamente estes quadros, aponta “outras tantas razões que levam a que estes senhores não façam greves e não necessitem de sindicatos ou comissões de trabalhadores”.
Critica ainda “as mordomias” que os quadros da Metro têm, adiantando que recebem “chorudos vencimentos” que, “em média, por trabalhador/ano, ultrapassam os 58 mil euros” e que têm “automóveis topo de gama, com combustíveis e manutenções incluídas, tudo à borla”.
A CT adianta ainda que a Metro do Porto tem “apenas 100 trabalhadores, dos quais 71 são quadros técnicos, cujos custos, em 2010, atingiram os 5,8 milhões de euros”.
Destes 100 trabalhadores, salienta, “14 possuem a categoria de diretor e em algumas das áreas da empresa até existem dois diretores por gabinete”.
A CT questiona “como pode a Metro, em poucos anos de vida, ter um passivo” tão grande, “se alguns destes senhores, de casta superior, superdotados quadros, são tão competentes, tão trabalhadores e tão eficazes”.
Os trabalhadores da STCP lembram ainda que a operação da Metro do Porto é efetuada por uma empresa privada, neste momento não tem frente de obra, não efetua manutenção de viaturas mas, contudo, “tem dois diretores de operações e dois de infraestruturas”.
“No meio de tanta ‘eficiência’, tem a Metro uma centena de quadros pagos a peso de ouro, e alguns são obesos, para acompanhar meia dúzia de contratos. O Sr. Belmiro de Azevedo certamente tem andado distraído para ainda não ter recrutado estes profissionais”, acrescenta.
Para a CT, “quem conhece o seu real valor não precisa de dizer que é bom” e o facto destas 31 pessoas da Metro “invocarem que não têm nem necessitam de sindicatos ou comissões de trabalhadores como uma das razões (para não aderirem à greve) só revela o conhecimento pobre dos direitos constitucionais”.
“Claro que todos temos direitos mas, tanto quanto direitos, temos obrigações, deveres, lucidez e bom senso”, consideraram na terça-feira os 31 quadros da Metro, justificando a não adesão à greve.
Entre “oito bons motivos” para não fazer greve, as 31 pessoas da Metro referiram “ter a obrigação de manter uma empresa racional e equilibrada e o dever de, todos os dias, garantir a mobilidade de milhares e milhares de pessoas”.





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