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Reino Unido/Escutas

JK Rowling queixa-se da “sensação de invasão” dos media na vida privada

24 | 11 | 2011   20.23H

A escritora JK Rowling reconheceu hoje, num inquérito sobre práticas da comunicação social e ética dos jornalistas, ter sentido uma "sensação de invasão" quando encontrou, na pasta da escola da filha de cinco anos, uma carta de um repórter.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

"É muito difícil dizer quão zangada fiquei quando [senti] que a escola da minha filha de cinco anos já não era um local livre de jornalistas", afirmou a escritora britânica.

A autora da saga Harry Potter testemunhava a propósito da intromissão dos media na vida privada, no inquérito ordenado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, que decorre num tribunal de Londres, na sequência do escândalo das escutas telefónicas realizadas por jornalistas do semanário News of the World.

Nos últimos dias, pela sala de audiências onde decorre o inquérito, passaram várias celebridades como os atores Hugh Grant e Sienna Miller, e o antigo dirigente da Fórmula 1 Max Mosley.

Na quarta-feira, foi a vez de Kate e Gerry McCann, pais da criança que desapareceu em Portugal em 2007, se queixarem das notícias difamatórias sobre o caso.

A mãe de Madeleine recordou ter-se sentido "totalmente violada" quando foram publicados excertos do seu diário pessoal no News of the World.

Devido às diferenças nas expressões usadas, Kate McCann disse acreditar que o texto teria sido traduzido de uma versão portuguesa provavelmente feita quando o diário foi apreendido temporariamente pela polícia.

O inquérito vai durar várias semanas e ouvir um conjunto de testemunhas que inclui jornalistas, administradores e proprietários de grupos de media, agentes da polícia e membros de todos os partidos políticos britânicos.

No final pretende-se que sejam feitas recomendações para o futuro da regulação e gestão da imprensa.

O News of the World foi encerrado em Julho passado depois de divulgada a notícia sobre as escutas feitas à caixa de mensagens telefónicas de uma adolescente vítima de rapto e homicídio.

A polícia aumentou recentemente o número de potenciais vítimas destas escutas do tablóide para 5795 pessoas, e foi noticiado que o semanário do grupo de Rupert Murdoch terá usado um detective privado para espiar dezenas de pessoas.

O caso tem duas investigações policiais em curso: uma sobre as escutas telefónicas, que já resultou na detenção de 16 pessoas, das quais 15 permanecem na lista de suspeitos; outra sobre a alegada corrupção de agentes da polícia, que deu origem a seis detenções.

Hoje a polícia britânica comunicou a realização de uma primeira detenção na investigação ao uso de pirataria informática pela imprensa, com o propósito de obter informação privada.

Foto: DR
JK Rowling queixa-se da “sensação de invasão” dos media na vida privada | © DR
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