Rui Rio garante demolição do "Aleixo"
O presidente da Câmara do Porto esclareceu hoje que a demolição do "Aleixo" começou pela torre 5 porque era a que tinha "mais pedidos de transferência" e reafirmou o compromisso de deitar o bairro abaixo, realojando os moradores.
"A torre 5 [do bairro do Aleixo] era a torre onde havia mais pedidos de transferência, onde mais pessoas queriam sair. Não foram para casas novas porque têm de ser construídas. Se os moradores estão na disposição de ir para casas atuais reabilitadas, porque não hei-de transferir as pessoas para onde querem ir?", questionou Rui Rio, durante a reunião pública do executivo de hoje.
O autarca respondia, assim, às perguntas e críticas da oposição sobre o processo de constituição de um Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) com vista à demolição do bairro do Aleixo.
Considerando que a oposição se "enrodilha nas suas próprias convicções", o edil garantiu que o bairro será demolido.
"Nem que eu me tivesse arrependido - e não estou - há um compromisso com a cidade de demolir o bairro e realojar as pessoas em casas melhores", frisou o edil, referindo-se às promessas feitas em campanha eleitoral.
Rui Rio garantiu ainda que as casas novas previstas no processo do FEII "têm de ser feitas e serão feitas".
Quanto às questões colocadas pela oposição sobre o facto de a demolição da primeira torre do bairro ter avançado sem a autarquia ter conhecimento do projeto, o autarca desvalorizou o problema.
"Vocês insurgem-se contra as habitações de luxo e depois criticam porque ainda não há projeto? Não percebo. Nunca ninguém disse que as casas [que ali vierem a ser construídas no âmbito do FEII] vão ser de luxo", alertou.
Rio garantiu que, quando as torres do Aleixo vierem abaixo, será feita uma nova construção "de acordo com o que está previsto no Plano Diretor Municipal [PDM]".
O edil questionou ainda a oposição sobre "quantos terrenos existem na cidade sem projeto?".
A vereadora do PS Fernanda Rodrigues ainda pediu a palavra para falar sobre o tema, mas o presidente da Câmara do Porto recusou, por ter a "obrigação de cumprir o regimento" das reuniões do executivo.
A questão do Aleixo começou por ser levantada pelo vereador do PS Manuel Correia Fernandes, que quis saber porque é que a demolição do bairro tinha começado pela torre 5, em vez de se ter iniciado pela primeira torre, "conhecida por ser foco de tráfico de droga".
O vereador socialista lamentou ainda que os moradores do prémio demolido não tenham sido transferidos para casas novas e criticou que a demolição tenha sido iniciada sem a Câmara apreciar o futuro projeto para o local.
Também Pedro Carvalho, da CDU, criticou a "aceleração da demolição do bairro", eventualmente "precipitada" pelo envolvimento de Vitor Raposo, alegadamente envolvido no negócio que levou à detenção de Duarte Lima, no FEII.
A 18 de novembro, Rui Rio garantiu que "tudo fará" para o projeto do bairro do Aleixo avançar, mesmo que a alegada investigação em torno do empresário Vítor Raposo influencie o processo.
Vítor Raposo detém atualmente 23 por cento do FEII do "Aleixo", prevendo-se que o processo evolua de forma a que o empresário subscreva o fundo em 60 por cento.
Vítor Raposo é um dos alvos de uma investigação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) que envolve também o advogado Duarte Lima e seu filho, Pedro Lima, por suspeitas de burla, branqueamento de capitais e outros ilícitos.






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