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Rui Pedro

Testemunhas já não se lembram de terem visto arguido em casa na hora do desaparecimento

06 | 12 | 2011   21.19H

Dois trabalhadores da construção disseram hoje não se lembrarem de ver em Lousada, na tarde do desaparecimento de Rui Pedro, o homem acusado do rapto do menor, contrariando os depoimentos que ambos fizeram no inquérito.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Ambas as testemunhas admitiram ao Coletivo e ao Ministério Público terem visto Afonso Dias no dia do desaparecimento de Rui Pedro quando pintavam as grades de uma varanda do edifício onde morava o arguido, num bairro de Lousada.

No entanto, invocando que os factos em julgamento ocorreram há mais de 13 anos, os dois homens disseram não conseguir esclarecer o tribunal se viram Afonso Dias na manhã ou na tarde daquele dia 04 de março de 1998.

As testemunhas tinham prestado declarações à Polícia Judiciária poucos dias depois do desaparecimento e nesse momento garantiram terem visto Afonso Dias na sua casa entre as 15:30 e as 16:00, versão que viriam a confirmar nos depoimentos que fizeram em 2008 na fase de inquérito deste processo.

Ao não confirmarem em audiência o que tinham dito anteriormente, estas testemunhas acabaram por não sustentar um dos argumentos da defesa, nomeadamente que Afonso Dias estaria em Lousada na tarde em que desapareceu Rui Pedro.

À saída do tribunal, no final desta sexta sessão de julgamento, o advogado de Afonso Dias não deixou de manifestar o seu desagrado com o depoimento dos dois trabalhadores.

"Já ando aqui há muito tempo para acreditar só em coincidências", afirmou Paulo Gomes aos jornalistas.

Questionado sobre o significado do que dissera, o advogado lamentou que "nas poucas coisas que podiam ser favoráveis ao arguido, as pessoas não se recordam".

E acrescentou: "Eu parto do princípio que as pessoas no inquérito falaram a verdade. Quando abrimos a instrução fizemo-lo com base nos elementos que estavam no inquérito e o senhor procurador da República acusou com base no que estava no inquérito".

Na sessão desta terça-feira, a defesa requereu a junção aos autos de uma entrevista dada em 2001, à TVI, pela prostituta Alcina Dias, a qual garantiu já em julgamento ter estado com Rui Pedro no dia do seu desaparecimento.

De manhã, o tribunal tinha determinado a visualização, no dia 12, em audiência de julgamento, da gravação vídeo de uma reconstituição dos factos que envolveram o desaparecimento da criança de Lousada realizada no dia 03 de julho de 2004.

Nessa reconstituição, com cerca de uma hora de imagens registadas em vídeo, o homem acusado do rapto da criança e único arguido do processo, apresenta a sua versão dos factos no dia do desaparecimento.

A visualização do vídeo, requerida pela acusação particular, constituirá a primeira oportunidade de, em audiência, conhecer a versão de Afonso Dias, o qual, até agora, se tem remetido ao silêncio.

O julgamento prossegue na quarta-feira, estando arroladas como testemunhas vários familiares do arguido.

Nas anteriores sessões nenhum dos familiares de Afonso Dias, nomeadamente a mulher e um irmão acederam a falar em audiência.

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Foto: DR
Testemunhas já não se lembram de terem visto arguido em casa na hora do desaparecimento | © DR

3 comentários

  • Sinceramente... acho que vai dar em nada este julgamento. Não há provas suficientemente consistentes para sustentar a condenação do arguido. Foi ele que levou o menor à prostituta, ok, poderá ser julgado por isso. De resto... não se consegue provar nada. Só suposições. Infelizmente foi um caso que demorou muito tempo a resolver. Não se pode aproveitar agora, 13 anos depois, o testemunho daquelas pessoas. Desapareceu no dia que esteve com a prostituta, mas não significa que o arguido esteja envolvido no desaparecimento definitivo do menor. Seria como mandar a criança fazer um recado à loja e ela desaparecer pelo caminho. Quem íamos culpar? Nós, só porque a mandámos fazer o recado? Algo aconteceu depois ou durante a visita da prostituta. Muito lemos sobre o assunto, mas ainda nada ouvi sobre o depois dessa visita. Só posso ter pena daquela família, por tudo o que sofre. Perder um filho daquela forma, sem saber como e se, não deve haver dor pior.
    Infelizmente, não vai dar em nada | 07.12.2011 | 10.16Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Se a afirmação de que o miúdo estava com determinada pessoa e foi levado por esta a uma prostituta e desapareceu nesse dia e nesse momento, então é assim tão dificil concluir que é o culpado...??? Estamos onde; numa dimensão qualquer onde as pessoas são anormaos...? No tempo da outra senhora já estava esclarecido faz muito e muito tempo... As pessoas não se desintegram...nem vem por cá nenhum alienigena busca-la... Acho esta (hjstóris muito mal contada...?)
    Amen | 06.12.2011 | 23.31Hver comentário denunciado
  • Será Feita a Justiça Divina!
    Será Feita a Justiça Divina! | 06.12.2011 | 21.32Hdenunciar comentário
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