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Crise

Venda de carros em Portugal vai valer menos mil milhões este ano

19 | 12 | 2011   17.35H

A compra de carros em Portugal vai cair mais de mil milhões de euros este ano, apesar do forte incremento das campanhas promocionais por parte das marcas para atenuar a crise que afeta o sector.

Patrícia Susano Ferreira com Lusa | pferreira@destak.pt

O mercado de ligeiros de passageiros, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal, caiu 27,2% entre Janeiro e Novembro deste ano, quando comparado com o mesmo período do ano passado, representando uma quebra de 53151 carros novos. Tendo em atenção que o valor médio pago por um carro novo é de 18 mil euros, segundo dados da Fleetdata, os cerca de 53 mil carros novos que deixaram de ser vendidos entre 2010 e 2011 correspondem a uma quebra de receita de quase mil milhões de euros.

O problema, segundo as marcas contactadas pela Lusa, é que, para 2012, a situação ainda vai piorar mais, não só por causa de um aumento de impostos sobre os veículos, mas também pela forte retração do consumo das famílias, evidenciado pelo índice de confiança das famílias e das empresas que bateu mínimos históricos em novembro, segundo o Eurostat.

Uma situação que terá também implicação directa na receita fiscal do Estado, uma vez que, segundo dados da execução orçamental de Novembro, a quebra do Imposto Sobre Veículos (ISV) se situa nos 134,4 milhões de euros para os 549 milhões de euros, uma queda de 19,7% relativamente ao mesmo período de 2010.

Miguel Tomé, da Opel Portugal, diz que 2012 «será pior do que 2011 quando, há uns meses, isso parecia praticamente impossível», acrescentando que o sector «está profundamente sobrecarregado de impostos», com as vendas a ressentirem-se «e as receitas fiscais também», enquanto que Nuno Heleno, da Chevrolet, alinhando pela mesma opinião, indica que as vendas no próximo ano vão depender muito «das políticas de crédito a consumo da banca», acreditando que os clientes vão optar por «modelos do segmento abaixo do que escolheram nos anos transatos».

Concessionários podem ser obrigados a fechar e despedir em 2012

Perante este cenário, as redes de concessionários automóveis poderão ter que fechar ou despedir em 2012 de forma a adaptarem-se ao mercado, segundo as marcas contactadas pela Lusa, que admitem, para alguns concessionários, um cenário de insustentabilidade.

António Costa, da Toyota, teme que, «no futuro próximo, mais operadores venham a ser confrontados com a insustentabilidade do seu negócio», adiantando, no entanto, que nos últimos anos, os concessionários têm sido forçados a uma «reestruturação permanente» e que muitas empresas se depararam com a cessação de actividade. Jorge Magalhães, da Peugeot, acrescenta que, perante quebras das vendas para metade, os concessionários «têm necessariamente que se reestruturar e muitos já estão a fazê-lo».

Marcas lançam campanhas agressivas para captar últimos clientes do ano

As marcas automóveis estão a lançar campanhas agressivas em Dezembro para conseguir captar os últimos clientes do ano e atenuar a queda vertiginosa das vendas como a de 48,8%, em Novembro. Assim, a maioria das marcas está a aplicar descontos sobre a retoma de carros mais velhos, 'substituindo-se' ao Estado no incentivo ao abate. A Opel está a valorizar a retoma de carros usados e faz descontos entre os 2.800 e os 5.000 euros, fazendo uma aposta no modelo Zafira, cuja geração atual será substituída no início de 2012 pelo novo Zafira Tourer.

Já a Volkswagen lançou uma campanha centrada no Polo, atribuindo um desconto direto de 2.000 euros, enquanto que a Toyota está com descontos entre os 1.200 e os 3.000 euros para os modelos Aygo, Auris e Avensis.

A Chevrolet, que comemora o centenário, apostou forte na campanha com descontos "apenas possíveis de 100 em 100 anos" em que facilita o financiamento de 100 euros por 100 meses, focando a sua atenção no modelo citadino Spark.

A Ford não elegeu qualquer modelo, colocando toda a gama na campanha de abate em que faz um desconto de 4.000 euros em troca da entrega de um carro com mais de oito anos. A Peugeot optou por fazer descontos em toda a gama, entre 2.700 e 3.200 euros, com enfoque nos modelos 207, 308, 3008 e 5008.

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3 comentários

  • Há muito que ter um carro deixou de ser um luxo para ser uma necessidade. O problema é q quem nos governa continua a usar-nos como se fosse um luxo. Por mim só usados e bem baratos. Se a policia o rebocar podem ficar com ele! Novos, nem pensar!
    Carlos | 02.04.2012 | 00.04Hdenunciar comentário
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  • Vão comprar nos usados que há lá muitos carros bons. Façam como eu e deixem-se de gabarolices e manias que os tempos não estão para luxos.
    Pedro | 06.01.2012 | 03.30Hdenunciar comentário
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  • Tenho muita pena deles, eu tenho uma velha máquina que comprei á 28 anos e espero não dar dinheiro a esses charlatães que só aldrabam as pessoas, sobretudo nos usados, viva a democracia das bananas.
    intransigente | 19.12.2011 | 18.54Hdenunciar comentário
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