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Congresso

País continua sem registo do número de transexuais

26 | 01 | 2012   11.25H

Identificar doentes permitiria avaliar necessidades, garante especialista de endocrinologia.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Sabe-se que existem, até porque é com eles – e por eles – que trabalha a equipa multidisciplinar do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Mas por cá não se conhece quantas pessoas sofrem de perturbação de identidade do género, problema também conhecido como transexualidade. Por isso, alerta Margarida Bastos, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, «no nosso País necessitamos com alguma brevidade ter registos fidedignos do número de doen-tes para se avaliar a necessidade e a localização de mais equipas especializadas».

O tema vai mesmo ser alvo de debate no XIII Congresso de Endocrinologia, que arranca esta quinta-feira, em Coimbra, até porque, reforça a especialista, é necessário «chamar a atenção para o transexualismo como entidade clínica um pouco esquecida» e, ao mesmo tempo, «incentivar o registo nacional e a eventual necessidade da criação de mais equipas multidisciplinares especializadas».

Hormonas para toda a vida

Desde 2011 que o Centro Hospitalar de Coimbra dispõe de uma equipa multidisciplinar, que junta especialistas de diferentes áreas para o tratamento dos transexuais. Equipa que, de momento, se encontra a avaliar e tratar cerca de 90 doentes e onde cabe ao endocrinologista, depois de feito o diagnóstico, «estudar clínica e laboratorialmente o doente para excluir outras doenças que interfiram na sexualidade e detectar e tratar outras doenças associadas que o doente tenha».

A fase seguinte é o início da terapia hormonal, que visa «reduzir os níveis hormonais e as características sexuais do sexo biológico e induzir as características sexuais do sexo desejado». Um tratamento que, explica ao Destak a médica, tem que ser feito durante um longo período de tempo e cuja suspensão, se já tiver sido feita a cirurgia para mudança de sexo, «tem várias consequências, entre as quais perder as características sexuais do sexo atribuído, um envelhecimento precoce e osteoporose».

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