Mallu Magalhães em entrevista ao Destak
O novo trabalho de Mallu tem nome de fruta. ‘Pitanga’ sai dia 6 e é o 3º disco da jovem de 19 anos que se assume compositora compulsiva. A voz fresca da nova música brasileira, em entrevista ao Destak.
Depois do sucesso dos dois discos anteriores, sabia que direcção tomar neste?
Não! Este disco foi um movimento de descoberta. Desde o início que pensei num movimento no sentido de encontrar a minha personalidade, o que eu sentia e queria mesmo, até quem eu sou. E o Marcelo [Camelo] nesse sentido foi muito importante, soube o que eu queria. Eu estava decidida de uma coisa, que ia procurar bem dentro de mim e o que saísse era o que deveria sair.
E acha que descobriu, a sua identidade musical?
Eu acho que sim! Sabe, tenho aquela sensação que este é o primeiro de muitos, aquela sensação de que finalmente descobri alguma coisa que gosto de fazer nos moldes que gosto, e procurar que sejam discos detalhados, completos. Eu sou muito apaixonada por esse movimento, de tirar de mim as emoções e as tornar numa coisa musical.
Faz um mix de várias sonoridades, o folk, pop, reggae e já chamaram à sua música, a moderna música brasileira; fica lisonjeada?
Muito, muito mesmo, acho que é um nome muito bonito. Agora estou a cantar mais em português e sinto-me muito brasileira, muito ligada ao meu país, e ao mesmo tempo criei um grande amor por mim mesma, que é uma coisa muito rara, muito linda do ser humano. E quem eu sou é brasileira e artista, e esse nome incorpora ambos, pelo que para mim é lindo.
Começou a compor em inglês, é uma língua com a qual se sentia confortável;, no Pitanga ainda tem temas em inglês mas já se sente mais confortável a cantar brasileiro?
Sim, acho que essa minha auto-aceitação me permite cantar em brasileiro ou português, porque eu firmei a minha personalidade, eu a esculpi, então não tenho mais medo nem vergonha de cantar, em que língua ou de que forma for. O cantar em inglês era uma máscara e agora é só um exercício musical, uma questão de fonemas, não tem mais carácter protector.
Neste disco experimentou instrumentos, bateria, piano, guitarra, é algo que lhe agrada nesta sua procura, ser multinstrumentista?
Sem dúvida, sempre gostei de tocar vários instrumentos e de explorar. O facto de eu ter assumido a minha profissão, acreditado nisto, ‘bancado’ isto, faz-me direccionar todas as minhas forças para a minha carreira, música, arte e procuro todas as formas de desenvolver a minha estética; e acho que no disco isso é visível essa procura e essa vontade.
O que ouve a Mallu, fã de música?
Tenho escutado muito Manu Chau; Luis Bonfá que é óptimo, é mesmo meu som; e sempre escuto Billie Holliday, a Ella Fitzgearld. E o Jack Johnson que ´bom astral’, música clássica, escuto de tudo.
Começou no Myspace, é adepta da Internet e redes socais para promoção?
Eu acho que sim, acho que a Internet pode ser uma grande parceira. Há a questão toda dos direitos de autor e acabou ficando uma faca de dois gumes, tem um lado negativo mas também positivo. Enquanto essa discussão não se atenta e resolve, os artistas devem aproveitar as coisas boas, e a internet possibilita a artistas como eu, que sou tão mutante, toco agora de um jeito e produzo muito rápido, a minha criatividade é vulcânica, funciona muito para mim, coloco na velocidade que produzo, nada se perde – agora um post com músicas novas, um tweet, divulgar um show, um vídeo...
Ate que ponto as suas letras são pessoais, terapêuticas até?
Ai são muito, são hiper confessionais são quase íntimas demais. São tudo eu, tudo verdade.
Se são verdadeiras e se sente feliz, é um álbum bom astral?
Acho que sim, espero que sim. Estou numa fase de auto descoberta, muito boa, bonita...
E já se acha velha e louca?
(risos) Às vezes!! No bom sentido, aqueles malucos alegres, ‘maluco beleza’!






