Entrevista

AC Para os Amigos é o novo disco do Boss

06 | 02 | 2012   13.31H

No dia em que lança o quinto disco, AC arma-se em Boss e invade a nossa página! É um dos maiores nomes do hip hop nacional e prova que ainda consegue surpreender, num álbum que pisca o olho a várias sonoridades, com a ajuda de alguns convidados. Além de ficar a saber tudo sobre o novo trabalho AC Para os Amigos, conheça as suas sugestões culturais.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Este álbum é um bocadinho diferente dos anteriores. Concorda? Gosto de pensar que há uma evolução. A essência mantém-se, e acho que tenho sido coerente ao longo destes cinco álbuns. Mas a principal diferença entre este e o anterior é que este tem uma componente live mais presente. Cerca de metade do álbum tem a presença da banda.

Teve também uma preocupação em ter várias sonoridades em cada música, apesar de haver a tal coerência? Não diria preocupação porque são coisas que apareceram de forma espontâneas. As músicas foram feitas ao longo de um ano e meio e todas essas influências fazem parte de mim, da minha vivência, da forma como fui criado, as músicas que ouvia. Nunca tive pudor nenhum em usá-las na música, antes pelo contrário. Faço disso quase a minha bandeira.

As colaborações que escolheu provam toda essa diversidade de influências? Exacto! Tenho os shout num tema mais Gospel, mas introspectivo, com uma mensagem mais positiva no Tu És Mais Forte. Tenho um amigo chamado Raul Reyes, que é um cantor cubano muito talentoso que trouxe o lado latino à minha música. Tenho grande Rui Veloso, que além de ser um grande amigo de longa data é uma das figuras incontornáveis da música portuguesa. Fizemos uma música que foge um bocado ao que tenho feito até agora, faz lembrar ritmos tradicionais portugueses e ritmos tradicionais cabo-verdianos. Tenho também a Debora Gonçalves, no tema You are my Baby, que é um piscar de olho às minhas origens, porque comecei a fazer rap em inglês. O Gabriel Pensador, que também é um amigo de longa data. O Toni Garrido está num remix do álbum passado. Em Rimas de Saudade piquei o olho às minhas influências brasileiras num remix que foge bastante ao que costumo fazer, a puxar mais ao lado samba. O que há em comum nos temas sou eu, a minha essência, mas mostro sempre essas várias tonalidades da música.

Porque considera que o álbum tem 11 músicas, quatro extras e uma escondida, e não 16 temas?
O álbum é aquilo. Quando falo em extras, são músicas que entraram depois. Uma é um remix que já tinha saído em 2009, outra é a versão do Tu és Mais Forte que é uma versão só banda, sem programações. As outras duas foram ensaios em estúdio, que resultaram mas que não faziam parte. O álbum foi pensado até à música 11. Tudo o resto é extra.

Logo para começar, a primeira música é uma espécie de apresentação. É assim que se vê? Num álbum que se chama AC para os Amigos tenho de partir do principio que há muitos amigos por fazer e há pessoas que não me conhecem. Por isso a melhor forma de começar um álbum destes é com a apresentação, daí essa música. Tem a ver com nome do álbum e apesar de eu ser Boss AC, os meus amigos chamam-me AC, nunca me chamam Boss. Gosto de pensar que as pessoas que me ouvem e que acompanham o meu trabalho são meus amigos.

Num tema diz mesmo que não gosta que o tratem por Boss. Porquê? O nome Boss foi-me dado e até certo ponto não me fez muita confusão. Á medida que vou ficando mais velho faz-me mais! No meu dia a dia, ninguém me chama Boss. O Boss surgiu no meu grupo de amigos, quando ainda éramos adolescentes. Eu já me chamava AC que são as iniciais de Ângelo César. Como eu era uma espécie de líder do nosso grupo, chamavam-me Boss. E foi ficando. Não é bem não gostar, é como se fosse um alter ego que só existe no estúdio ou no palco. AC é uma alcunha que tenho desde sempre, até a minha mãe me chama AC!

A música serve muito para passar mensagens? Digo nas músicas coisas que na minha vida pessoal não digo. Acaba por ser quase um confessionário. A ideia é ser nu e cru. O que estou a pensar é o que estou a dizer.

E sai espontaneamente ou tem de pensar no que quer dizer? Depende das músicas. Há umas que saem de rajada e outras são feitas aos poucos, progressivamente. O que as músicas têm em comum é que são sempre coisas espontâneas. Não me obrigo a escrever.

Grande parte delas são criticas? Não diria que são criticas. São a minha visão das coisas. Há muito de crítica, mas são mais observações.

Há músicas que até têm palavrões fortes. Faz alguma censura?
Uma coisa é usar palavrões gratuitamente, outra coisa é dentro de um contexto. Até porque na música a P da C estou a personificar a crise que me quer entrar pela porta adentro e é como se eu tivesse o poder de recusar a crise. E é o nome que todos pensamos! Nos outros temas, como o Laia, já houve mais censura.

Num disco dedicado aos amigos há um tema (Problemas de Confiança) dedicado a quem não é. Nem sempre é fácil saber quem são os amigos? Não há dia sem noite. Para saber quem são os nossos amigos, temos de saber quem é. Nessa música, há uma questão mais pessoal e de pessoas que nos desiludem e nos magoam.

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AC Para os Amigos é o novo disco do Boss | © DR
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