«O que mudou foi a própria indústria»
Editaram em Janeiro ‘Given to The Wild’, 3º e aclamado disco, um dos melhores do ano. Ao Destak, o guitarrista Felix White fala da banda, do mundo da música, das saudades dos cds- e de Portugal
Disse recentemente: «o nosso sucesso vai comprar-nos liberdade criativa». Acredita nisso? Que com o sucesso vem liberdade de experimentar, fazer o que querem – e não o contrário?
Sim, verdadeira e genuinamente acredito. Quando fizemos o 1º disco tornou-se óbvio que não podíamos pôr a nossa banda nos sítios certos, onde queríamos, que tínhamos de jogar um jogo e... lembro-me de olhar para grupos maiores e pensar «seria tão bom estar nesta posição, fazem o que querem, tocam tanto; têm pessoas a entender o seu som»; e sinto mesmo que quanto ‘maiores’ formos, mais fácil será explorar tudo isso.
Pouco antes de Given to the Wild saír, foram chamados de «salvadores da música de guitarra britânica». Nem isso vos fez sentir pressão?
Achámos graça … porque sempre houve muito boa música de guitarra, talvez mais antes do que agora mas…mas nós só tentamos ser nós próprios, ficar melhores, pelo que foi sobretodo engraçado.
O estranho é que não é propriamente um disco de guitarra, ou é?
Não, creio que não o chamaria um disco de guitarra de todo… nós usámos muitas coisas, programas e loops...
No estúdio, abordaram este disco de forma diferente dos outros?
Sim, uma das coisas libertadoras neste álbum é como o fizemos. Antes, cada elemento estava constrito ao seu instrumento e de repente misturámos tudo, pensámos mais fora da caixa, eu andei a brincar com baterias electrónicas e foi tudo visto mais na perspectiva da canção, do que do ‘onde é que entra a minha parte’; foi mais positivo e descomprometido.
O que mudou na vossa postura perante a música desde que começaram a gravar?
O que mudou foi a própria indústria; embora não seja há tanto tempo que começamos, mudou muito. Creio que se fôssemos hoje a banda que éramos então, ia ser muito difícil impormo-nos, porque o cenário hoje é vendem-se menos discos, há quem faça hits de um quarto... Então para 5 rapazes numa banda nem sempre é fácil...
É um defensor do vinil e do cd, do lado físico da música, certo?
Sim, sobretudo no sentido pessoal de adorar comprar música nas lojas e de ainda acreditar que um disco que gostamos é suposto ouvir do principio ao fim, tanto que tentámos fazer o Given to The Wild assim, como uma entidade; por isso há coisas que me custam, o shuffle de um iPod em que não se ouve o disco todo, serve para ocasiões mas não é o mesmo... Quando tinha 15 anos ia a uma loja e só tinha dinheiro para um disco e valia mesmo a pena, marcava aquela fase, aquela escolha de disco que se amava. Hoje há tanta coisa disponível que se perde um pouco isso...
Chegaram ao 4º lugar do top UK. Como consumidor, presta atenção às posições nos tops, ou aos hypes, porque no Reino Unido é dada a ambos muita importância?
Sim, na Inglaterra acontece tanto que aprendemos é a não ligar muito na realidade..
Qual foi o útlimo disco que comprou?
Spirit of Éden dos Talk Talk, porque não tinha. Dos novos... o novo de Roots Manuva e de We Were Pirates, acho...
Das vossas letras quanto é verdade e introspectivo?
É um misto... como músicos tentamos chegar as pessoas, fazer sentido... e nas letras é um pouco isso, baseiam-se todas no que sabemos e vivemos mas de forma com que as pessoas se relacionem.
Tiveram uma tour extensa com Wall of Arms e agora recomeça tudo, é uma parte que lhe agrada?
Com esta sobretudo estamos entusiasmados, porque o estamos com o disco e sentimos que o próximo ano ou dois são a celebrar isso e a ver a reacção a algo onde se calhar fomos mais ousados...
Acha que conseguiram manter os fãs antigos e ganhar novos?
Espero que sim, acho que sim...
Lembram-se de Portugal?
Sim, tocamos com os Editors e depois no Festival [Alive] que foi surreal, quando espreitámos estavam 10 pessoas sentadas e quando começamos encheu, foi um choque genuíno.
Planos para voltar, há?
Há sem duvida. Não sei datas ou isso mas adoramos Lisboa, onde da outra vez fomos sair e queremos voltar.






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