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Exames nacionais

130 mil estudantes utilizam estimulantes para os exames

16 | 06 | 2008   09.09H

Vitaminas, estimulantes ou anfetaminas são alguns dos produtos de toma assídua entre os estudantes portugueses nesta fase pré-exames nacionais que tem início amanhã.

Apesar das vitaminas não terem um efeito directo na memória e na concentração e de funcionarem apenas como placebo, muitas vezes os alunos sentem que estas funcionam porque acreditam nos seus efeitos, revela ao Destak o psicólogo Carlos Lopes Pires.

«São as anfetaminas e estimulantes que realmente dão resultados», acrescenta. No entanto, «a sua toma deve ser apenas transitória, porque o seu uso prolongado pode criar dependência e alguns problemas para a saúde».

Actualmente não existem dados quanto ao número de estudantes que recorrem as estes suplementos, mas o especialista acredita que seja uma percentagem semelhante à do ensino superior, podendo-se falar em mais de metade dos estudantes.

Tendo em conta que estão matriculados quase 258 mil alunos, é fácil deduzir que sejam aproximadamente 130 mil os que recorrem a medicamentos e produtos apelidados pelos mesmos de 'miraculosos'.

Falta acompanhamento médico

Os perigos de alguns estimulantes e a falta de acompanhamento médico na sua toma são duas preocupações partilhadas pelo psicólogo Eduardo Sá e pela presidente da comissão instaladora da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, Maria José Viseu.

Eduardo Sá acrescenta que «alguns tipos de estimulantes que podem dar resultado no imediato, a curto prazo se revertem contra quem os toma» e os jovens têm de estar informados sobre isso, algo que continua a falhar.

Menos 19 mil alunos inscritos

Cerca de 258 mil alunos apresentam-se amanhã para o início dos exames nacionais finais do ensino básico e secundário, um número que demonstra uma diminuição de 19 050 inscritos, segundo dados oficiais.

No ensino básico haverá duas chamadas para os 99 930 alunos inscritos - menos 7201 do que em 2007 - mostrarem o que sabem de Língua Portuguesa e Matemática ao nível do 9º ano, a primeira na quarta e na sexta-feira, e a segunda na próxima semana, a 26 e 27.

Quanto ao ensino secundário, estão inscritos para exame 157 718 alunos - menos 11 849 do que no ano passado - dos quais 96 953 são candidatos ao Ensino Superior. Entre os exames nacionais a realizar, os que registam mais incrições são os de Português, Biologia e Geologia, Física e Química, e Matemática.

7 MIL MILITARES GUARDAM EXAMES

São quase sete mil os militares da GNR que vão estar mobilizados a partir de amanhã em todo o País para proteger, guardar e entregar às escolas os exames do ensino básico e secundário.

Segundo o tenente-coronel Costa Lima, esta é «a maior operação realizada pela GNR todos os anos, devido ao empenho que exige a estes militares» e termina apenas no último dia dos exames, ou seja, a 18 de Julho.

Comparativamente com os anos anteriores, não há uma grande diferença no número de efectivos porque as escolas da área da GNR se mantém as mesmas. Também as etapas que consistem no levantamento, transporte, guarda e entrega das provas nas escolas são similares de ano para ano, acrescenta ao Destak o porta-voz da GNR. Para a «missão exames nacionais 2008» também está mobilizada a PSP, que terá a seu cargo principalmente as escolas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

Os exames têm início às 09h de amanhã de Portugal Continental, tanto no ensino básico como no secundário. O horário servirá de referência para os Açores e também para os diferentes países nos quais as provas se realizam, já que decorrem em simultâneo.

Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

5 comentários

  • As vitaminas não são estimulantes. São encontrados naturalmente no alimento. As vitaminas são vitais ao funcionamento do corpo humano. Tomar vitaminas não tem nenhuma efeito negativa. Tomar vitaminas melhoram nossa saúde. A vitamina B realmente ajuda a tratar o estress e ajudar à concentração. Aquele é um fato! Este é um outro exemplo do jornalismo da má qualidade. Desculpe por favor meus erros. Português é minha segunda língua.
    anónimo | 17.06.2008 | 16.59H
  • Em completo acordo com o CD. O nosso problema fundamental é de percepção. Não conseguimos, infelizmente, depois de trinta anos em regime de liberdade, distinguir o que é fundamental do que é acessório. Por isso, temos ficado pelo acessório enquanto nos iludimos que isso é o fundamental. Só que há muita gente por aí a fazer grandes negócios de consultoria e etc., baseados precisamente no mantimento das ilusões das pessoas. 25 ministros da educação em trinta anos por vezes leva a pensar que, aqui em portugal, esses senhores operam como peixe dentro de água. De onde provieram as soluções adoptadas? Foram inventadas por nós, ou antes propostas por outros que pensávamos estarem mais adiantados do que nós?
    JM | 17.06.2008 | 03.46H
  • Milhares de professores também os usam.
    anónimo | 16.06.2008 | 15.30H
  • Isto é sintomático da forma como o ensino se ministra em Portugal. É sintomático também da forma como os curricula são formados. Um ensino que potência mais o empinanço de coisas que não têm grande utilidade pragmática, e em que a curiosidade e a experimentação é residual, conduz os nossos filhos a esta realidade. Não quero dizer que outros países não padeçam do mesmo mal, mas se padecem, padecem com números que não são concerteza desta grandeza. Infelizmente, isto não se processa apenas e só ao nível do secundário, é transversal e afecta todos os níveis de ensino. Quem já passou por todas as fases de ensino conhece perfeitamente a realidade de que falo. Quem já cursou alguma coisa lá fora, percebem ainda melhor. O nosso sistema de ensino, que necessariamente deve reflectir a nossa cultura mas também outras metodologias, princípios e valores, enveredou por este trilho há muitos anos, tornando-se anacrónico e o pior é que parece não haver cura para isto. Numa sociedade do conhecimento e da informação, o que importa é que os cidadãos tenham boas bases e que lhes sejam fornecidos os correctos instrumentos, o que não significa necessariamente aprender uma série de factos desprovidos de nexo com a realidade em que as crianças vivem e viverão. É a tal história do provérbio chinês que diz se dermos um peixe a um Homem faminto isto alimentá-lo-á por um dia, mas se o ensinarmos a pescar, estaremos alimentando-o para o resto da sua vida. Na Finlândia, por exemplo, as crianças só aprendem aritmética depois de dominarem o básico do finlandês e do inglês. Quando aprendem artimética fazem-no com recurso a computadores, não porque os computadores são bonitos na sala de aula e dão um toque “High-Tec”, mas porque através de exemplos animados, as crianças finlandesas percebem e assimilam melhor o que estão a aprender. A razão disto, explicada por quem sabe destas coisas, decorre do facto de as crianças perceberem melhor o raciocínio matemático após dominarem a sua própria língua materna. Muito haveria a escrever sobre isto, mas é por esta e outras que continuamos na cauda da Europa.
    CD | 16.06.2008 | 15.03H
  • Estimulantes para os exames, estimulantes para o aborrecimento, estimulantes para o convívio, estimulantes para a ressaca, pudera... à sua volta é um mundo todo ele cheio de produtos estimulantes e de incentivo à estimulação.
    anónimo | 16.06.2008 | 14.40H
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