Música

Ana Moura: «O fado está a resistir às dificuldades»

23 | 06 | 2008   09.56H

Os Coliseus são palcos muito esperados ou uma grande responsabilidade?

As duas coisas! São palcos onde qualquer artista português, com a história que os Coliseus têm, deseja tocar. O facto de fazer estes dois concertos é um agradecimento meu a todo o público, pelo carinho que me tem dado por este último trabalho.

O que podemos esperar deste espectáculo?

Estou num trabalho intensivo para poder realizar tudo o que desejo. Vão acontecer muitas surpresas ao longo do concerto, e gostava que se mantivessem surpresas... Estou a ter preocupação em todo o tipo de coisas, como o cenário, por exemplo.

Como foi estar em palco com os Rolling Stones, em Lisboa?

Foi um dos momentos mais marcantes da minha vida profissional. Foi mesmo indescritível. Vieram a Portugal no ano passado e foram à Casa de Fados ouvir-me cantar, e convidaram-me para assistir ao espectáculo deles. Quando estou a chegar ao estádio, recebo um telefonema do Tim Ries, saxofonista, a convidar-me para cantar o No Expectations, no palco. Fiquei felicíssima, mas ao mesmo tempo nervosíssima, porque o Mick Jagger canta 4 tons acima do meu. Tive de improvisar uma melodia nova dentro daquela melodia. Ensaiamos a música duas vezes, mas tentei fluir no momento. Só o convite já foi um grande privilégio para mim.

Sentiu necessidade de dizer «Viva o Fado» nesse espectáculo de rock. Porquê?

Fiquei tão feliz e o público estava a apoiar-me e a chamar o meu nome, que eu senti essa necessidade de dizer «Viva o Fado!». Durante alguns anos o Fado andou um bocado despercebido e sempre foi a música puríssima que temos o privilégio de ter. Agora começam a dar mais exposição e as pessoas têm oportunidade de conhecer, e de se identificar ou não. Fiquei mesmo muito feliz, por mim, mas também pelo fado.

Sente-se mais acarinhada em Portugal ou no estrangeiro?

A minha carreira começou no estrangeiro, porque as pessoas com quem trabalhava eram holandesas. Neste último trabalho já comecei a trabalhar com portugueses e o meu trabalho teve mais exposição cá.

O prémio Amália foi importante para ver esse reconhecimento do público português?

Sem dúvida. Para mim foi uma grande honra ter recebido este prémio, ainda por cima na categoria que foi - a de melhor intérprete.

Estar há mais de 50 semanas no top também é uma honra?

Acho que sim… a música portuguesa está a atravessar uma fase tão difícil, e é bom ver que o Fado está a resistir às dificuldades. É sinónimo de sucesso para o fado essencialmente.

Há algum tema do seu álbum que queria realçar?

É de destacar Os Búzios, o fado com o qual as pessoas se identificaram e O Fado da Procura, da Amélia Muge. Estes temas ligaram-me mais ao público sem dúvida.

Este tem sido o melhor ano da sua vida?

Profissionalmente tem sido sim, sem dúvida. Pessoalmente não, porque não tenho tempo!

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

1 comentário

  • Sem vaidade e sem estragar o que canta como outras da nossa praça, adoro ouvi-la cantar.
    Jorge Alvaro | 23.06.2008 | 10.01H
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