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Higiene Oral

Pasta "Medicinal" Couto comemora amanhã 75 anos e quer aumentar quotas de mercado

12 | 06 | 2007   16.36H

A marca que foi registada a 13 de Junho de 1932 está na memória de muitos portugueses, por ser a pasta que andava "na boca de toda a gente", como referia o anúncio televisivo do início dos anos 70, onde um artista moçambicano rodopiava num palco com uma cadeira de madeira presa nos dentes.

Setenta e cinco anos depois, este produto dispõe ainda de notoriedade, mas a sua produção é limitada, "porque a qualidade sai cara", afirmou, em entrevista à agência Lusa, o administrador Alberto Gomes da Silva, sobrinho de Alberto Ferreira Couto, que fundou a empresa-mãe desta pasta de dentes.

A produção actual é de 500 mil unidades/por ano, cerca de metade daquilo que era produzido em 1998.

Alberto Gomes da Silva justificou a queda na produção com o facto da marca ter perdido a palavra "medicinal", em 2001, por imposição de directrizes comunitárias, o que obrigou a parar a produção durante meio ano. Estas imposições comunitárias fizeram ainda com que a pasta deixasse de ser vendida, em exclusividade, nas farmácias.

«Depois disto, correu o boato que a pasta tinha acabado. Passámos um mau bocado», referiu o administrador, acrescentando que a Couto, SA viu-se ainda obrigada a recorrer a um laboratório externo para fabricar o dentífrico, o que fez com que a pasta «tenha desaparecido do mercado» e a empresa tenha «diminuído muito a margem de lucro».

O administrador revelou ter sido difícil recuperar quota de mercado, «porque a concorrência é feroz», e mostrou-se convencido que a pasta Couto «sobreviveu porque é boa».

Ainda hoje, a Pasta Dentífrica Couto, como é denominada, é produzida de forma semi-automática, mantendo exactamente "a fórmula, qualidade e imagem" de há 75 anos, mas em novas instalações, situadas em Gaia desde Janeiro de 2004: «Em termos de qualidade/benefício, não há nenhuma outra pasta que nos bata", salientou Alberto Gomes da Silva, enaltecendo as suas "características medicinais que resolvem os problemas da boca».

Com nove trabalhadores, a empresa, que também produz o clássico Restaurador Olex, pretende recuperar quota de mercado apostando, dentro das suas possibilidades económicas, em publicidade.

A sua imagem esteve, recentemente, presente nas caixas ATM (Multibanco) do Porto e Lisboa e regressa brevemente a este meio digital, mas no interior do país.

As hipóteses de vender o produto em grandes superfícies e de criar um produto com a mesma marca virado para as crianças já foram estudadas, mas - admitiu - «não seria muito benéfico nem vantajoso. O produto ia ficar mais caro e sairia um pouco da linha».

«A pasta deixou de ser medicinal no nome, mas cumpre a sua função de tratar das doenças da boca, e a criação de uma pasta para crianças retiraria essas qualidades, porque obrigaria a alterar o seu sabor "ácido", que não seria apreciado junto dos clientes infantis».

O segredo da fórmula da Couto, que foi elaborada por um dentista amigo do gerente fundador da empresa, passa pela utilização de 13 matérias-primas, todas elas importadas, entre as quais o destaque vai para o cálcio, o eugenol (desinfectante com qualidades bactericidas), a hortelã-pimenta, o mentol e o cloreto de potássio, que "evita a queda dos dentes", disse Alberto Gomes da Silva.

Depois de misturados os ingredientes durante cerca de hora e meia numa máquina, a pasta é encaminhada para uns depósitos, onde "fica 24 horas de quarentena". O produto segue então para a máquina de encher as bisnagas, ainda de alumínio e não de plástico, por ser "o material que conserva as qualidades" do dentífrico.

Quando a Couto saiu temporariamente do mercado devido às directrizes comunitárias, contou o administrador, houve um cliente de Lisboa, um juiz, que, sabendo que o entrave à sua produção se devia a leis, escreveu uma carta à empresa em que se prontificava a «resolver o problema, nem que fosse à dentada».

À venda por cerca de 1,70 euros em bisnaga de 60 gramas no comércio tradicional e algumas farmácias, a pasta de dentes Couto é uma marca nacional de memória que pretende vingar entre as multinacionais. Cerca de cinco por cento da produção da pasta de dentes é exportada, tendo a empresa um agente em Itália e dois clientes na América do Norte.

Com Lusa

Foto: Estela Silva/Lusa
Estela Silva/Lusa | © Estela Silva/Lusa

2 comentários

  • Os produtos de qualidade são intemporais, num mundo de plastico e falsidade por parte do marketing é um bom saber que o sabor amargo puro e duro da pasta Couto presiste, eu uso-o em comum com as outras pasta light um pouco mais suaves, e confirmo que quando tenho problemas de gengivas nenhuma outra é tao eficaz por isso tem qualidade e por isso perdurará
    Carlos | 13.06.2007 | 17.05H
  • É claramente uma empresa familiar e pelas declarações do seu administrador há pouco investimento em inovação e pouca procura de novos nichos de mercado. Hoje em dia isso extremamente importante e sem isso estas marcas acabam por desaparecer.
    André | 13.06.2007 | 09.50H
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