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Na fila da Frente

I'm Your Man

21 | 07 | 2008   10.31H

Aos 73 anos, Leonard Cohen honrou Portugal com uma prestação já considerada por muitos como o concerto do ano.

Patrícia Naves | pnaves@destak.pt

For he's touched your perfect body, with his mind. As palavras, sussurradas por 10 mil pessoas, em Suzanne, transmitiam na perfeição o sentimento que tomou conta, sábado, de uma plateia rendida e avassalada, ao ar livre em Algés, numa noite de Verão que superou qualquer expectativa.

A cada início de música, a cada entrada da voz grave de Leonard Cohen, difundida por uma sonorização perfeita e rara em Portugal, a audiência abria a boca, limpava uma lágrima, comentava a sensação de arrepio ou dançava a valsa, como em Take This Waltz.

Foi assim durante 3 horas, com três encores, que Portugal se prostrou ante o regresso aos palcos, após 15 anos, do inimitável Cohen.

Às 21h certas, ainda com luz do dia, Dance me to the end of love iniciou um dos melhores concertos a que o País já assistiu. The Future, Everybody Knows, Hallelujah, I'm Your Man, So Long Marianne, First We Take Manhattan e tantas outras levaram gente de todas as idades a prestar, com o seu silêncio, homenagem a uma música intemporal, que faz o mundo soar melhor.

A dois meses dos 74 anos, o poeta, cantor, escritor, galã, mostrou-se em perfeita forma, com bom ar, a voz se possível melhor do que nos lembrávamos, alegre, charmoso, e tão humilde e grato que era irreal (ele não saberá que é Leonard Cohen?).

Antes de cada encore, saltitava do palco como as crianças correm, mas junto da sua sublime banda era um homem sexy, perfeccionista, musical, em controlo.

Até a apresentar o grupo, com aquela voz grave, Cohen parece recitar poemas de amor, e é assim que agradece sempre ao público, a quem tira o chapéu e chama de 'amigos', é assim que fala da música ante o «caos e desordem», é assim que dá as rosas a ele atiradas às três excelentes cantoras do coro.

Até a sua situação financeira endereçou quando, em Hallelujah, canta I didn't came here to Lisbon to fool you.

Assim nos mostrou que, se são os 5 milhões de desfalque da sua manager que levaram à tour, tal não impede que o respeito pela música e o público estejam lá, até renovados. Cohen já esteve desencantado com as canções, a vida, o sexo.

Agora, após um retiro budista e longa pausa, aquele descrito como «um dos maiores compositores» por Lou Reed (a tocar a km, na mesma noite), está novo. Actuou em Glastonbury, tem 30 datas e privilegiou Lisboa com a sua vinda.

Lisboa agradece, e não se esquecerá.

Foto: Filipe Pedro/Destak
Filipe Pedro/Destak | © Filipe Pedro/Destak
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1 comentário

  • é como o vinho do Porto (antes da corrupção), quanto mais velho melhor.
    tt | 22.07.2008 | 01.27H
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