Entrevista

Lua-de-mel e bebé Sudoeste

14 | 08 | 2008   16.06H

É um veterano das andanças por festivais, nacionais e internacionais. Contudo, o Sudoeste ficou-lhe na história.

Sem dúvida. Em 1999, casei e passei a minha lua-de-mel no Sudoeste.

Como é que estava vestido?

À civil, claro. E o copo-de-água foi numa tasca.

Na Margem Sul, imagino...

No Seixal, claro. Na tasca e a comer caracóis.

E depois da tasca, festival. Isso é que é amor ao rock.

É, tinha que ser, calhou nas datas do festival e não podia falhar. Fotografo sempre tudo e não era nesse ano que havia de quebrar a tradição.

Como é que isso foi, António?

Se calhar foi igual a ter passado a lua-de-mel no Taiti. Eu curti. Sempre que venho a um festival gosto do ambiente, por isso a minha companheira teve que se habituar e aceitar.

E como era, viam os espectáculos de dia e encontravam-se à noite ou ela também andava por aqui, entre palcos?

Ela tinha um passe que eu trouxe para o Festival e também andava por aqui enquanto me concentrava nas bandas. Depois íamos dormir ao Cercal.

Lembra-se de onde se hospedaram na lua-de-mel?

Por acaso nesse ano (não sei se foi o meu 3º ou 4º Sudoeste) fiquei a dormir no Cercal, aqui ao pé, porque a casa que me tinham prometido em V. N. de Mil Fontes foi para outra pessoa. Não era tão bonito, mas foi mais sossegado.

Isso significa que faz sempre anos de casado durante o Sudoeste.

Sim, sim, e este ano esqueci-me! Nove anos de casado e esqueci-me! Não sou muito bom para datas. Mas ela lembrou-se e lembrou-me, isso é que é importante.

Este ano houve um tributo preparado para Led Zeppelin, que quase poderia considerar-se uma prenda destinada a homenagear mais um aniversário do seu casamento.

Acho que foi uma belíssima ideia. É sempre bom ouvir os clássicos e os músicos eram todos conceituados. Conhecia-os quase todos. Especialmente o Zé Nabo, meu amigo.

Se lhe tivesse cabido a escolha, com que tema gostaria que tivessem aberto?

Gostava que fosse com o Black Dog. Ou talvez a Immigrant Song.

Para o ano, na 13.ª edição, tem algumas sugestões a fazer à organização? Quem seria importante trazer para actuar?

Os ACDC. E também acho que deviam dedicar um dia a cada estilo musical, era uma boa política. Dedicavam um dia ao heavy metal. Não me importava de ajudar a escolher as bandas. Para mim, o festival funcionaria melhor com dois palcos, um mais pequeno e um maior ao lado. E as pessoas podiam ver os dois. Assim têm de andar a cor-rer de um lado para o outro. Para verem uma banda perdem a outra.

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Dânia Sudoeste nasceu no ano 2000 e esteve a um triz de vir ao mundo em pleno recinto do festival. A avó Esmeralda e a mãe Cátia refazem de memória esse dia inesquecível.

A Esmeralda é presença assídua no Sudoeste. Com o novo milénio, o festival foi, aliás, palco para um grande acontecimento familiar...

Foi: o nascimento da minha neta, a Dânia Sudoeste. Ela nasceu aqui, a mãe estava nas bilheteiras a trabalhar, quando começou a ter dores. O parto não estava previsto para esta altura, mas com a alegria do festival rebentaram-lhe as águas e tivemos que a levar ao hospital. Estávamos a ver que a bebé nascia mesmo aqui, no recinto, mas os bombeiros conseguiram atrasar um bocadinho o parto e chegámos ao hospital.

Onde é que acabou por nascer?

Em Beja.

A que horas?

Passava um bocado das cinco da tarde. Ela nesse dia teve o bebé, mas com a loucura do festival, quis logo sair do hospital. Assinou o termo de responsabilidade e arrancou. No outro dia chegou aqui às oito da manhã, com a bebé. Foi uma grande alegria.

Houve muita gente a querer dar-lhe os parabéns?

Sim, muita gente mesmo.

A notícia chegou aos artistas?

Claro! Aliás, a loucura foi mais por eles. Vieram quase todos ver a criança… foi maravilhoso!

Ela ficou conhecida como «bebé Sudoeste».

Sim, sim. Por isso é que tem Sudoeste no nome. Deram-lhe um passe vitalício e tudo. A Dânia tem um passe para todos os festivais pertencentes à Música no Coração.

Que idade tem ela agora?

Fez 8 anos no dia 5. Faz todos os aniversários dela aqui no festival, desde que nasceu.

Como são as festas de aniversário aqui no recinto? Muita música e convidados famosos?

Ah, sempre! Compramos um bolo grande, pomos ali no catering dos artistas e cantamos todos os parabéns. Há oito anos que é assim.

Este ano, que artista, banda ou concerto gostou mais de ver?

Não, se quer que lhe diga eu ainda não a vi, ela anda de um lado para o outro, anda aí metida nos palcos. Perguntem à minha Cátia, que é a mãe. Está ali numa roulotezinha. Agora virou fartureira.

[E o Destak lá foi falar com ela]

Cátia, como recorda o nascimento da sua filha?

Foi único. Nunca tinha imaginado tal coisa.

Como era a Dânia quando nasceu?

Era bonita. Tinha cabelo arrebitado, preto. Nasceu com 4,400kg e com 53 cm.

Quando teve que lhe dar o nome, como lhe ocorreu chamá-la Dânia Sudoeste?

Ela já se ia chamar Dânia, por vontade da avó. E depois pensámos em Sudoeste, ela nasceu aqui e fica giro.

Provavelmente vai seguir uma carreira na música.

Talvez. Ela gosta muito de cantar. Nunca se sabe.

O que é que ela gosta de ouvir?

Ela gosta de tudo um pouco. Ouve uma música duas ou três vezes e decora-a logo.

Margarida Caetano | mcaetano@destak.pt
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