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Empréstimos

Euribor em máximos de 8 anos encarece crédito à habitação

18 | 09 | 2008   09.09H

Nunca se falou tanto em crise como na última semana. Num cenário em que o Lehman Brothers faliu, a AIG pediu ajuda à Reserva Federal norte-americana e as bolsas mundiais reagiram com instabilidade a uma realidade imprevisível, muitos portugueses ficaram impacientes.

No entanto, são os norte-americanos que mais temem pelo futuro e que menos confiam na economia global. Tendo por base o índice de confiança da Bloomberg, a maior queda foi verificada nos EUA, onde o indicador caiu dos 18,2 pontos para os 10,6. Na Europa Ocidental, a queda foi menor, com uma variação negativa de 0,3 pontos base para os 12,6 pontos.

Prestação da casa sobe

A instabilidade que se vive pressionou ontem a subida das taxas Euribor para no-vos máximos desde 2000. A Euribor a três meses ficou em 4,983%, a seis meses nos 5,202% e a 12 meses nos 5,363%, o que faz com que os portugueses tenham de abrir os cordões à bolsa.

Tendo em conta a taxa mais usada, a Euribor a seis meses, o Destak pediu à DECO uma simulação sobre um empréstimo à habitação de 150 mil euros. Se em Setembro de 2007 a prestação era de 837,06 euros, um ano depois esse valor subiu 53,60 euros, para 890,66. No entanto, tendo por base a subida de ontem, no próximo mês o valor será ainda mais elevado: 894,70.

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O que acontece se um banco falir em Portugal *

No início do Verão, um cliente do Millennium bcp, ainda atormentado pelo mal-estar e a guerra entre accionistas na instituição, começou a temer o pior. Tinha um crédito à habitação e todas as poupanças aplicadas naquele banco. E as sucessivas falências de empresas e sociedades financeiras nos Estados Unidos - em Maio já havia 90 bancos a fechar as portas - ainda o afligiam mais. «E se o banco falir, o que acontece ao meu dinheiro?», foi a questão que lançou a especialistas de mercado e em vários fóruns de Bolsa.

O esclarecimento veio de um gabinete do Banco de Portugal, exclusivamente dedicado ao Cliente Bancário. Se o Millennium bcp ou outro banco a operar em Portugal encerrasse subitamente, ele não perderia todo o dinheiro - um Fundo de Garantia de Depósitos, uma espécie de seguro, garante ao cliente um reembolso dos seus depósitos até um limite de 25 mil euros.

Já os empréstimos não se esquecem nem são perdoados - nestes casos, os créditos são vendidos a outras instituições. Nas aplicações financeiras não se perde nada.

Este mecanismo de protecção dos clientes é, contudo, um último recurso. Aos primeiros sinais de dificuldades financeiras, a entidade supervisora pode trabalhar directamente com a instituição em apuros e estudar um plano de recuperação e saneamento - tudo para evitar recorrer ao fundo de garantia.

Impacto da crise em Portugal

A falência da Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos EUA, é já a maior de sempre e como tem negócios com bancos e empresas em todo o Mundo, os investidores ficaram à beira de um ataque de pânico.

É essa agitação que o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários quer afastar do mercado português. Por isso, pediu um novo levantamento dos fundos geridos por bancos e sociedades financeiras que podem estar mais expostos ao mercado norte-americano.
Os dados mais recentes revelam que há pelo menos quatro fundos (geridos pelo BPI e pelo Santander) que poderão estar vulneráveis.

(* da revista Sábado)

Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

1 comentário

  • Claro, os bancos centrais injectam dinheiro mas isso não é de borla! Alguém tem que pagar isto, mais o dos milhares que já não tem dinheiro para pagar, mais as dezenas de milhares de casas em que ninguém pega e ainda as dezenas de milhar de casas devolutas, mais a especulação bolsista que não paga um tostão de impostos etc. etc. etc. E MAIS ESTA CORJA QUE NOS DESGOVERNA!
    AcfC | 20.09.2008 | 03.45H
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