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Santa Comba Dão

Tio de alegada vítima do ex-GNR de Santa Comba Dão recusa autoria dos crimes

20 | 06 | 2007   19.27H
Rogério Ferreira, tio de Mariana, uma das três jovens alegadamente assassinadas pelo ex-GNR de Santa Comba Dão, negou hoje em tribunal ser o autor dos crimes, como é acusado pelo arguido.

«O que ele diz é tudo mentira» afirmou Rogério Ferreira, confrontado pelo tribunal com cartas escritas pelo militar reformado e pelo próprio testemunho deste em tribunal, onde se disse inocente dos crimes, culpando, ao invés, o tio de Mariana.

Questionado pelo procurador do Ministério Público sobre as cartas - escritas a 25 de Julho de 2006 a partir do estabelecimento prisional de Santarém, onde o ex-GNR se encontra detido, e endereçadas à Polícia Judiciária - em que, «de forma pormenorizada», António Costa acusa o tio da jovem de ter assassinado as três raparigas e escondido os corpos, Rogério Ferreira negou, repetidamente, a acusação.

Recusou, igualmente, outras descrições incluídas nas cartas, nomeadamente que teria pedido, por três vezes, sacos de ração ao arguido e, pelo menos de uma das vezes, cordão azul para os atar. «Nunca lhe pedi nada, nada. De certeza absoluta, tenho lá centenas de sacos em casa», replicou.

A alusão aos sacos - alegadamente usados para envolver os corpos das três jovens, dois deles recuperados no rio Mondego e um no mar da Figueira da Foz - levou o juiz a dirigir-se à testemunha e ironizar com as declarações de António Costa.

«Cada vez que desaparece uma garota, [o senhor] vai para casa de um cabo da GNR pedir sacos, que é uma coisa discreta. É uma coisa que não dá nas vistas. Ou o senhor é tolo ou ele não sabe o que está a dizer. Porque se referiu a si?», inquiriu.

«Perseguição injustificada», diz tio

Rogério Ferreira disse não fazer «a mínima ideia» do porquê de ser alvo daquela acusação por parte do arguido. «Talvez por ter contacto com duas vítimas [é tio de Mariana e primo direito de Isabel Cristina, outra das jovens desaparecidas]. Talvez eu fosse uma pessoa a quem a calúnia se fosse ajustar», argumentou.

Ao longo de cerca de duas horas o familiar de Mariana foi inquirido sobre diversos aspectos, entre eles o porquê de ter ido a casa de António Costa em duas ocasiões, deslocações que justificou com a «compra de pássaros» que um familiar do arguido possuía.

Recusou ainda ter mantido um relacionamento amoroso com Isabel Cristina ou ter ameaçado de morte o ex-GNR e familiares próximos deste para, supostamente, esconder os crimes de que é acusado por António Costa.

«É pura mentira. Nunca tive conflito nenhum com o homem. A minha vida foi toda investigada, mostrei a minha casa toda à Judiciária», desabafou Rogério Ferreira.

Com Lusa

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