Literatura

Virgílio Castelo estreia-se como escritor num livro que idealiza um Portugal monárquico em 2044

13 | 10 | 2008   22.33H

Em declarações à Lusa, Virgílio Castelo afirmou que “desde a adolescência tinha vontade de escrever sobre Portugal", até que em 2000 em Goa lhe surgiu "a estrutura do romance".

"Esta aventura de escrever tem a ver com um desejo que vem da adolescência. Ainda antes de ser actor tinha a vontade de falar de Portugal, mas não sabia como. Era uma ideia que me perseguia e, em 2000, quando estava em Goa, a estrutura do romance surgiu-me claramente. Eu percebi como podia falar de Portugal que era uma coisa que queria desde os meus 17/18 anos", disse.

A concretização foi possível o ano passado quando a Esfera dos Livros, que edita a obra, o convidou para escrever depois de uma entrevista em que o actor confessou que se "atreveria a escrever se tivesse unhas para isso".

"O último navegador" foi escrito entre Maio do ano passado e Julho deste ano e será apresentado quinta-feira ao final da tarde no Palácio da Independência, em Lisboa.

Benjamim é a personagem central que vive amargurado por ser acusado de um crime que não cometeu, assistiu ao suicídio do irmão e vive um amor não correspondido, até que encontra Rosa.

"Eu acredito que estas personagens se cruzam connosco na rua", disse o actor que reconhece que o romance traduz o que pensa politicamente.

"A minha convicção é que Portugal está à deriva desde que morreu D. João II [1482]. Isto é o que eu penso politicamente. D. Manuel I foi um grande Rei mas aproveitou aquilo que foi plantado por D. João II e desde essa altura que não temos um desígnio nacional. Temos andado a perder a identidade", disse.

"As queixas que nós temos - acrescentou - não são do Estado Novo, da I República, do Liberalismo, vêm de muito mais atrás e começa com a tomada de poder dos [duques de] Bragança, primeiro, subrepticiamente, com as guerras surdas que fizeram a D. João II e depois, mais claramente, a partir da IV dinastia [1640]".

Para o autor, "Portugal tinha alguma saída se o país fosse o que era no tempo de D. João II que foi Rei de um Portugal que não tinha medo de enfrentar qualquer espécie de adversidade".

Actor, encenador e produtor, Virgílio Castelo estreou-se como actor profissional em 1974 na revista "Pides na grelha" no Teatro Adoque, em Lisboa. Além deste livro projecta escrever outros dois: "um sobre Deus e outro sobre o amor".

Lusa

9 comentários

  • Se tivesse frequentado o Estádio do Dragão já tinha lançado dois livros... :)))
    k-30 | 16.10.2008 | 15.17Hdenunciar comentário
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  • Portugal é feito de escritores e relações públicas!
    victoria | 16.10.2008 | 13.38Hdenunciar comentário
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  • Hoje em dia qualquer marreata é escritor . eU SOU PEDREIRO E VOU LANÇAR UM ROMANCE : CASCALHO DE AMOR . ESPERO QUE VIRE TELENOVELA
    VIRIATO | 15.10.2008 | 19.17Hdenunciar comentário
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  • ...2044 já nem humanidade existe, pelo caminho que tudo isto está a levar!!!
    ls | 14.10.2008 | 16.07Hdenunciar comentário
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  • primeiro - A teoria de que o mal vem do tempo de Do João II não é do VC mas sim de José Gil megnificamente explicado no seu livro: Portugal, Hoje. O Medo de Existir. Depois pensar em Monarquia em 2044 é tão ridículo como pensar no Pai Natal
    Pedro Pinto | 14.10.2008 | 15.50Hdenunciar comentário
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  • Todo o gato 'pelado' é escritorr em Portugal...
    JFK | 14.10.2008 | 14.54Hdenunciar comentário
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  • Entre a Baira-Baixa e o Ribatejo? deixa-me ver!...hum...teve de construir uma cidade nova do tipo "INCA",pois nesse local,só existem montes e vales, que fazem a fronteira natural entre essas duas províncias de Portugal.
    antonio goms | 14.10.2008 | 14.42Hdenunciar comentário
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  • O Vergílio Castelo a escrever história alternativa? Também está na moda. A seguir começam as coisas místicas: Deus e amor ... Seria muito mais interessante uma história com heróis a sério, daqueles que vale a pena seguir o exemplo.
    Markus - Amadora | 14.10.2008 | 14.03Hdenunciar comentário
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  • O título não pega. Em 2044 já não existe Portugal.
    anónimo | 14.10.2008 | 05.41Hdenunciar comentário
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