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Crescimento e desigualdades

Portugal está entre os países mais injustos da OCDE

21 | 10 | 2008   10.57H

No seu relatório "Crescimento e Desigualdades", hoje divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em todos os países membros nos últimos 20 anos, à excepção da Espanha, França e Irlanda, e traduziram-se num aumento da pobreza infantil.

Os autores do estudo colocam a Dinamarca e a Suécia à frente dos países mais justos, com um coeficiente de 0,23, e o México no topo da tabela dos mais injustos (0,47), seguido da Turquia (0,42) e de Portugal e dos Estados Unidos (ambos com 0,32).

"Em três quartos dos 30 países da OCDE, as desigualdades de rendimentos e o número de pobres aumentaram durante as duas últimas décadas" - lê-se no relatório.

Todavia, alguns países registaram melhores resultados do que outros: desde 2000, por exemplo, o fosso entre ricos e pobres aumentou sensivelmente no Canadá, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Itália e Finlândia, mas diminuiu no México, Grécia, Austrália e Reino Unido.

Nos países onde as diferenças sociais são mais importantes, o risco de pobreza é maior e a mobilidade social mais baixa, segundo a organização.

"As famílias ricas melhoraram muito a situação" em relação às mais pobres e, por outro lado, "o risco de pobreza deslocou-se das pessoas idosas para as crianças e os jovens adultos".

A OCDE define como situação de pobreza quando os rendimentos são inferiores a 50 por cento da média de cada país.

A pobreza das crianças, que aumentou nos últimos 20 anos, "situa-se hoje acima da média geral" e "deveria chamar a atenção dos poderes públicos", sublinha a OCDE.

"A Alemanha, a República Checa, o Canadá e a Nova Zelândia são os países onde a pobreza das crianças mais aumentou", segundo um dos principais autores do estudo, Michael Foerster.

Em contrapartida, a faixa etária entre 55 e 75 anos "viu os seus rendimentos aumentar mais nos últimos 20 anos", sendo a pobreza entre os pensionistas actualmente inferior à média do conjunto da população da OCDE.

A organização pede aos países membros para "fazerem muito mais" para que as pessoas trabalhem mais, em vez de viverem na dependência das prestações sociais, sendo que a taxa de pobreza das famílias sem emprego é quase seis vezes superior à das famílias activas.

Mas embora o trabalho seja "um meio muito eficaz para lutar contra a pobreza", não chega para a evitar: "mais de metade dos pobres pertencem a famílias que recebem fracos rendimentos de actividade".

A OCDE encoraja a implementação de medidas preventivas, nomeadamente a promoção do acesso a um trabalho remunerado.

"Ajudar as pessoas a inserirem-se no emprego e a converterem-se em cidadãos autónomos tem um papel preventivo que evita o agravamento das desigualdades", considera.

De facto, a organização assinala ser nos países com maiores taxas de emprego que o número de pobres é menor.

"O que importa não é a igualdade das situações, mas a igualdade das oportunidades", afirma-se no relatório, que preconiza também esforços em matéria de educação e saúde para reduzir as disparidades.

Lusa

3 comentários

  • Agora já sabemos uma das razões,pela qual temos em Portugal, muitos politicos lacaios dos Americanos,´na divisão da riqueza politicos Americanos e Potugueses são iguais, os pobres cada vez mais pobres, os ricos cada vez mais ricos.
    Toni | 21.10.2008 | 17.01Hdenunciar comentário
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  • Aquilo que eu gostaria de ver e nenhum jormal apresenta é a evolução da situação em Portugal nos últimos 5 anos, 10 anos, 20 anos, 40 anos... E aquilo que eu gostaria que os jornalistas não confundissem é que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres é enorme e aumenta (normalissimo) mas é o número de pobres? E o número de ricos? Tem aumentado ou diminuído? Os números para a frente! Há mais ou menos pobres hoje do que há 5, 10, 30 ou 50 anos? Há mais ricos hoje ou há 5, 10, 30 ou 50 anos? Alguém quer responder???? Eu diria que há menos pobres e que os pobres são menos miseráveis do que eram antes. E diria que há mais ricos que antes! O que é uma evolução positiva, a não ser que se pretenda acabar com os ricos em vez de acabar com os pobres, como os comunas querem!!!!...
    JFK | 21.10.2008 | 16.50Hdenunciar comentário
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  • Já o sabíamos há muito tempo. Estranhamos e lamentamos que os jornais estejam todo esse tempo atrasados relativamente ao que os cidadãos sabem. O que quer dizer que só têm servido para fazer 'alarido' sobre o óbvio.
    anónimo | 21.10.2008 | 11.42Hdenunciar comentário
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