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Medalhas de Honra L’Oréal Portugal

Jovens cientistas ganham prémio que incentiva investigação

16 | 01 | 2013   10.45H

Foram escolhidas três, de entre 70 candidaturas. Prémio de 20 mil euros ajuda a prosseguir trabalhos.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Nasceu em 2004 com um objetivo: «apoiar as jovens cientistas em início de carreira a prosseguir projetos relevantes parafazer avançar as fronteiras do conhecimento». E tem sido assim desde então, com o apoio da Comissão Nacional da UNESCO e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Este ano, as Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência estão de volta, destacando com uma medalha e 20 mil euros de financiamento o trabalho na área da saúde e do ambiente de três jovens cientistas nacionais. 

Inspirada no programa internacional L’Oréal - UNESCO For Women in Science que, há 14 anos, reconhece o trabalho das mulheres para a ciência, o prémio nacional vai ao encontro do que há muito se defende... e precisa: uma ciência mais justa e equitativa. Até porque «o mundo precisa da ciência e a ciência precisa das mulheres». 

Hoje, três cientistas são distinguidas, de entre cerca de 70, numa cerimónia oficial que decorre no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. O Destak dá-lhe a conhecer um pouco mais sobre o trabalho realizado por cada uma delas.

ANA ABECASIS
Mutações que tornam os fármacos resistentes
Doutorada em Medical Sciences na Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica) e investigadora no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, Ana Abecasis, 33 anos, tem uma missão: perceber como se transmitem as mutações que tornam algumas estirpes do VIH resistentes aos medicamentos. Problema que, por cá, afeta «8% dos doentes não tratados». Por isso, decidiu estudar «a dinâmica, modelação e predição dos padrões e determinantes de transmissão de resistências» à terapia. Se correr bem, o estudo «permitirá propor diretrizes que melhorem a relação custo-benefício do tratamento, definir regimes terapêuticos de primeira linha e estabelecer linhas de prevenção para transmissão de resistências, melhorando a qualidade e esperança de vida do doente»

ANA RIBEIRO
Regenerar uma lesão na espinal medula
Recuperar de uma lesão na espinal medula é tarefa complicada, mas não para o peixe-zebra. Ana Ribeiro, 32 anos, doutorada em Biologia Celular e do Desenvolvimento pela University College London e investigadora do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina, Lisboa, sabe disso, o que a levou a adotar este peixe como modelo de estudo. «Com este trabalho esperamos ter uma maior compreensão de como a medula espinal do peixe-zebra adulto é capaz de formar novas células após uma lesão», explica ao Destak. Um conhecimento «importante para perceber quais os fatores que restringem a progressão da regeneração da medula espinal em mamíferos e como este bloqueio pode ser ultrapassado». O objetivo é criar «terapias mais eficientes».

LEONOR MORGADO
Em busca de novas fontes de energia limpa
Numa altura em que o financiamento não abunda, os 20 mil euros do prémio vão permitir a Leonor Morgado, 29 anos, doutorada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, da UNL, e investigadora no REQUIMTE/CQFB, «a aquisição de pequenos equipamentos essenciais para a execução do projeto», que procura determinar se a bactéria Geobacter pode gerar energia limpa e, ao mesmo tempo, remover compostos tóxicos do ambiente. «A procura de formas alternativas de produção de energia a partir de fontes renováveis e limpas é cada vez mais importante. As células de combustível microbianas são dispositivos nos quais a energia química é convertida em energia elétrica pela ação de micro-organismos, sendo uma forma de produção de energia sustentável».

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