Música

Entrevista aos Madredeus & Banda Cósmica

24 | 10 | 2008   16.59H

O que tinham em mente quando fizeram as audições para as novas vozes?

Queríamos encontrar pessoas que gostassem da música que escrevemos para os Madredeus e que a soubessem cantar. E de pessoas que tivessem disponíveis para cantar connosco.

Como define o estilo dos Madredeus neste álbum?

É uma banda muito maior agora e a nossa ideia é definir como uma orquestra latina em português. É uma música que está ligada um pouco mais à dança do que anteriormente, e influenciada pela música europeia e africana. Os ritmos africanos há muito tempo que influenciam a música europeia. É nessa linha que nos enquadramos, música europeia influenciada pela música africana.

Finalmente agora conseguiu concretizar o seu sonho de ter uma guitarra eléctrica e uma bateria na banda?

Esta era uma ideia já muita antiga. O grupo Madredeus era muito sui generis, que no entanto fazia muitos concertos para determinadas pessoas, e funcionava bastante bem para 3 ou 4 mil pessoas. Então queríamos tocar as nossas músicas com uma orquestra maior com baixo, bateria e guitarra para poder optimizar os sistemas de som. Agora tivemos essa oportunidade, com a saída dos músicos e com a possibilidade de mudar a formação do grupo. Tivemos oportunidade de experimentar e acho que funcionou muito bem, gosto imenso deste grupo.

Pensaram alguma vez mudar o nome do grupo, por ter havido tantas alterações?

Sim e de certa forma mudámos. Nunca dissemos que o grupo ia acabar, apesar de haver muita gente a dizer. Também quando saiu o acordeão e o violoncelo, já diziam que sem eles o grupo não seria Madredeus. E o grupo não acabou, antes pelo contrário. Fizemos uma grande continuação do trabalho dos Madredeus sem o violoncelo e o acordeão. Desta vez, mantivemos o nome do grupo e acrescentamos Banda Cósmica, que é uma banda nova, que formamos e da qual fazemos parte. É uma banda dedicada a amplificar o som das nossas canções, o trabalho dos nossos temas modernos e antigos. É uma banda para promover e divulgar o repertório de Madredeus, que não é assim tão conhecido como se pensa.

Sente que as músicas dos Madredeus não são conhecidas apesar do sucesso do grupo?

O repertório dos Madredeus não é assim tão conhecido como as pessoas pensam. São conhecidas 3 ou 4 músicas, mas nós escrevemos 130. Há muitas canções que para nós são muito modernas e pelo facto de haver bateria e guitarra, podem chegar a mais pessoas. Arranjámos uma banda muito orgânica e original, quem sabe um bocadinho mais popular, perceptível e universal do que seria os Madredeus de antes. Vamos ver o que vai acontecer.

O objectivo é tornar as músicas dos Madredeus mais conhecidas e mais acessíveis?

E o grupo ainda mais popular. Como o grupo é muito versátil nos concertos, há canções com arranjos mais parecidos com os Madredeus porque apesar de termos 10 músicos não precisam de ser sempre os 10 a tocar. Há momentos mais parecidos com o que eram os Madredeus e outros mais modernos.

O nome do álbum define o vosso som?

Metafonia quer dizer além do som. Nos quisemos fazer esta ligação. A banda cósmica é como se fosse um amplificador do espírito, da tradição, do trabalho dos Madredeus e portanto claro que é uma banda com um novo som. Mas o que interessa não é só o novo som, é também o que está além do novo som. Essa foi a ideia original.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt
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