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Entrevista

O "Mundo Pequenino" dos Deolinda foi pretexto de uma boa conversa

18 | 03 | 2013   11.50H

"Mundo Pequenino" é a proposta dos Deolinda para 2013. O Destak este à conversa com os quatro músicos, sempre com a habitual ironia à mistura.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Principal desafio de fazer um terceiro disco?
Houve algumas diferenças porque nos colocamos esse desafio. Depois de a nossa sonoridade estar bem vincada e bem defendida com os dois discos anteriores, queríamos experimentar algo novo, daí a primeira canção se chamar "Algo Novo". Não é que seja tudo novo, há ainda a impressão digital da Deolinda, percebe-se que é a nossa banda que ali está, logo nos primeiros segundos, mas também se sente que houve novidades, tanto na produção com o Jerry Boys, como nos instrumentos. O próprio conceito do álbum também está virado para uma portugalidade vista pelo mundo todo e não só dentro de Portugal.

O que trouxe o Jerry Boys de inovador ao vosso som?
Quisemos à partida trabalhar com um nome muito experiente no campo da canção e com uma estética de som que procurávamos para o disco. Foi uma experiência muito interessante do ponto de vista musical, porque é uma pessoa com os ouvidos experimentados nesta área da world music e que não era um conhecedor profundo da música portuguesa. Isso à partida era um desafio.

Diziam que tinham uma sonoridade vincada. Conseguem definir o vosso tipo de música?
É música popular portuguesa e dentro de todas essas opções temos um quarteto de cordas. O som também é definido pela nossa instrumentação. É difícil definir, mas ao terceiro disco acho que conseguimos chegar a uma linguagem que sinto que é nossa. Uma pessoa reconhece que está a ouvir Deolinda mesmo que não conheça os discos todos, pela voz, pelo tipo de construção e de linguagem musical. É todo um conjunto.

Neste disco variam o ritmo e afastaram-se um pouco do fado..
Tínhamos 20 canções e entrámos para estúdio já com 15, que formavam um todo mais coerente. Depois reduzimos a 12, que é a base do disco de originais. A edição especial da Fnac tem mais dois fados ou temas “afadistados”. Queríamos propor um disco de Deolinda sem essa aproximação ao fado. Também pelo conceito do álbum.

Qual é o conceito desse "Mundo Pequenino"?
Um mundo tão global, onde temos a sorte de ter vindo a tocar e que nos influenciou de tantas formas acaba por espelhar de forma subtil as influências que estão neste disco. É o resultado das nossas viagens e a forma como as distâncias geográficas e culturais são grandes. E ao mesmo tempo se consegue, na diferença, encontrar pontos de encontro que reduzem o tamanho do mundo, e nos aproximam uns dos outros.

Mas as letras continuam muito focadas no “ser português”..
Claro, é a realidade que conhecemos bem. Essa grandeza do português torna o mundo pequenino!

É essencial recorrer à ironia que usam em todas as letras?
Para nós é, e é também o traço do português. É um instinto de sobrevivência quase. Para não ser tão contundente recorremos à ironia e ao humor.

Mas há quem possa não perceber que recorrem à ironia e interpretar tudo ao contrário!
Sim, é assustador. Quando não se percebe a ironia é assustador! Estamos a trabalhar a ironia para as próximas gerações!

Escolham algumas músicas do álbum e contem um pouco o que está por detrás!
"Medo de Mim" é uma história que se passou connosco em Joanesburgo. Estávamos proibidos de sair do hotel e conseguimos sair com seguranças para ver alguns locais. Nas ruas uma das pessoas que estava connosco - a Márcia - foi abordada por outra pessoa e ficámos todos muitos aflitos. E no fim percebemos que era uma rapariga com uma nota na mão porque a Márcia tinha-a deixado cair. Esses erros de analise misturados com medo provocam injustiças no mundo. Outra história deliciosa cheia de malandrice é "Doidos". É um rapaz que está a tentar dar a volta a uma rapariga, e ela está a topar o jogo mas deixa-se ir na conversa. No "Não Ouviste Nada" há uma narradora que está a contar baixinho que ele tem outra, e depois percebe-se que ela é que se meteu ali no meio. O "Pois Foi" é uma pequena vingança feminina por todos aqueles episódios em que tentamos falar com um homem, que está a dizer que sim, mas que não está a ouvir absolutamente nada!

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Foto: DR
O "Mundo Pequenino" dos Deolinda foi pretexto de uma boa conversa | © DR
«Grandeza do português torna o mundo pequenino!»
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