PUBLICIDADE
Reino Unido

Agência antifraude dispensa funcionários por corrupção

02 | 02 | 2009   08.48H

Tem sido a grande responsável pelas mais recentes dores de cabeça do primeiro-ministro José Sócrates. Serious Fraud Office (SFO) de seu nome, a instituição britânica responsável pelas investigações ao caso Freeport tornou-se, no fim-de-semana, notícia não pelas inquirições feitas, mas pelo facto de muitos dos seus funcionários estarem prestes a ser dispensados por alegada incompetência.

A informação, divulgada pelo The Sunday Times, explica que, afinal, a SFO - que desde 1988 liderava o combate contra a fraude e corrup-ção no Reino Unido, com um orçamento anual de 42 mi-lhões de libras (47 milhões de euros) e mais de 300 funcionários - é uma organização «imprópria para consumo».

O relatório, a que o jornal teve acesso, é uma versão não censurada de um outro, publicado no Verão. Assinado por Jessica de Grazia, uma ex-magistrada norte-americana que, em Março de 2007, foi chamada para pôr ordem na casa, nele a SFO é descrita como uma organização «paralisada por favoritismo, paranóia e uma falta de liderança forte».

Promovidos pelas amizades

No documento de 71 páginas, classificado como confidencial, Grazia revela os critérios para muitas das promoções: os laços de amizade com os directores, que criaram, dentro da instituição britânica, a ideia de favoritismo e deram lugar a muitas alegações de corrupção.

Mas há mais. Avança ainda o jornal que os funcionários que podem vir a ser dispensados não vão sair de mãos a abanar. Preparam-se para deixar a agência com uma reforma antecipada choruda ou pagamentos de valor três vezes superior ao salário que recebiam pelo trabalho realizado.

-----------------------------------------------------------

Pagamentos ilícitos estão na mira da SFO

Cabe à SFO, uma agência governamental, a investigação de casos de fraude complexas, como o do Freeport e os alegados pagamentos ilícitos por parte da Freeport para obter a alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo. Com chefia própria e um funcionamento autónomo, a organização acaba por estar, de alguma forma, dependente do governo.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE