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Correia de Campos

Estado não tem de privilegiar acesso de enfermeiros ao primeiro emprego

11 | 02 | 2009   08.48H

Intervindo na tertúlia Reacontece, que decorreu no Casino da Figueira da Foz, em resposta a uma questão da assistência sobre a política de contratação do Ministério da Saúde em relação aos jovens enfermeiros e a precaridade do trabalho decorrente dos contratos de substituição, Correia de Campos lembrou que a exigência do Estado deve ser igual para enfermeiros ou, por exemplo, psicólogos.

“Por que é que eu hei-de ser exigente com o emprego dos enfermeiros e não hei-de ser igualmente exigente com o emprego dos psicólogos? Temos muitos mais psicólogos desempregados do que felizmente temos enfermeiros”, argumentou o antigo titular da pasta da Saúde.

Correia de Campos depois aludiu às futuras perspectivas de emprego para enfermeiros, nomeadamente nas novas áreas do Serviço Nacional de Saúde como a dos cuidados continuados onde, disse, vão existir “centenas, milhares de camas”, na procriação medicamente assistida ou nos cuidados de saúde oral.

“São áreas que vão, certamente, abrir espaço para a colocação de enfermeiros”, observou.

O ex-ministro, substituído no cargo há pouco mais de um ano, disse ainda que existem “imensas possibilidades” de emprego noutros países, exemplificando com o caso inglês.

“Estão a sair constantemente enfermeiros (…) Há instituições inglesas que vêm buscar a Portugal centenas de enfermeiros por ano”, revelou.

Durante o debate, a questão das dificuldades no primeiro emprego de jovens enfermeiros já tinha levado o anterior titular da pasta da Saúde a considerar a possibilidade de “no Norte do país, onde há mais escolas de enfermagem”, existir “alguma dificuldade” de colocação de enfermeiros recém-diplomados e períodos de tempo com “excesso de oferta”

“Essas dificuldades não existem no sul do país e portanto as soluções não são tão difíceis como isso, basta que haja alguma mobilidade do norte para o sul”, argumentou.

Notou, no entanto, que Portugal é um país “com muito pouca mobilidade”.

“As pessoas gostam pouco de se deslocar, precisam de vender uma casa para se deslocar e comprar outra. Na nossa tradição a mobilidade e difícil”, disse.

Presente na tertúlia promovida pelo jornalista Carlos Pinto Coelho, subordinada ao tema do Serviço Nacional de Saúde, a directora do servico de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria, Isabel do Carmo, afirmou que vai existir em Portugal “um excesso de enfermeiros licenciados”.

“Enquanto nos médicos estamos com um défice e vamos sentir dramaticamente esse défice nos próximos três, quatro anos, nos enfermeiros vai haver desemprego por excesso de oferta”, assegurou.

No entanto, na sua opinião, os hospitais e centros de saúde, deviam contratar “actualmente” mais enfermeiros.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: Mário Cruz/Lusa
Mário Cruz/Lusa | © Mário Cruz/Lusa
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