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Entrevista

Moonspell lançam Extinct

03 | 03 | 2015   12.29H

O novo álbum de originais dos Moonspell é lançado esta sexta-feira, e o Destak não podia deixar de falar com o vocalista Fernando Ribeiro, para descobrir o que está por detrás de "Extinct". Anote já na agenda os concertos de apresentação: 27 de março no Coliseu dos Recreios, em Lisboa e 28 de março, no Hard Club, no Porto.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

O título do álbum tem uma conotação destrutiva. É essa a vossa ideia?
Quando escolhi o título para o disco, quis esta carga poética do questionamento, da extinção, do fim. Mas ao falar com várias pessoas que lutam contra o fator humano da própria extinção, encontrei um conceito que tem mais a ver com a sobrevivência e com a preservação do que propriamente a extinção em absoluto. Os conceitos aproximam-se de uma realidade que se adequam às nossas vidas, à nossa personalidade, ao que passamos enquanto homens, enquanto pais, músicos ou viajantes. Trabalhámos mais nesse tipo de ambiguidade do que num conceito sem esperança. A nossa música é mais sobre os “tontos” que ainda tentam combater isso do que os que se entregam. Mas só exorcizando esses fantasmas é que conseguimos combater.

Este álbum é uma forma de exorcizar esses fantasmas?
Toda a música dos Moonspell teve sempre esse incentivo par anos. Claro que somos músicos profissionais, mas o que queremos é um sítio onde possamos depositar as nossas mágoas e sermos o melhor de nós próprios, e encontramo-lo numa banda, tal como outras pessoas encontram na ciência ou no desporto. Temos presente a noção de que a música é gratificante porque nos conseguimos expressar livremente através dos Moonspell. Ainda por cima, vivemos a tocar um estilo que sempre gostámos. Evoluímos no estilo mas sempre gostámos de tocar este tipo de música e ao contrário de outros músicos não precisamos de mudar de estilo para sobreviver.

Sentem que continuam na mesma linha ou sentem uma grande mudança?
Nós nunca vemos a nossa música como uma coisa fechada. Claro que temos o nosso estilo e somos fieis a algumas coisas desse estilo, mas o nosso estilo passa muito por fundir estilos. No nosso caso foi a fusão do metal com o gótico que veio adicionar um toque de romantismo que não havia na altura. Sempre flutuámos um pouco nestes dois mundos mas tentando sempre expandir. Temos objetivos que podem parecer simples, mas que são os mais importantes e difíceis numa banda, que é atingimos uma certa musicalidade e conseguimos falar do nosso disco exactamente nesses termos musicais. E o Extinct em termos musicais conseguiu superiorizar o que temos feito até agora. Não que os outros discos sejam maus, mas temos sempre esta intenção de superação. É o nosso décimo álbum.

A vossa música é uma forma de exorcizar e de receber as coisas más. Mas também há coisas boas?
Sim, tem de se ler nas entrelinhas. Mas não é uma carta suicida, é muito mais a ambiguidade, e perguntas como «o que nos faz continuar, quando as noites são más?», «o que nos faz levantar da cama?». É um álbum menos ficcional, mais pessoal. São perguntas que toda a gente já fez. É um disco mais cheio de perguntas do que com conclusões ou histórias. É um bocado a luta entre fazer a coisa certa e a coisa errada, a luta da extinção. Podemos fazer a coisa certa e salvar a espécie ou não sair da zona de conforto e fazer a coisa errada e não nos preocuparmos com o futuro. São essas questões ambientais, pessoais, musicais que estão a ser postas neste disco.

É um álbum para pôr a pensar?
Não é um álbum de entretenimento teenager, não é! É um álbum de experiências fortes, e para pessoas mais crescidas, mas também temos muitos jovens a ouvir-nos. Quando comecei a ouvir música também não estava preparado para sentir certas emoções através dos discos. Mas fui descobrindo. O nosso público é fiel e nós temos um compromisso com os fãs.

Documentário é uma espécie de making of?
Não só! É um documentário com três partes. Uma é o making of, que acompanha o processo de gravar um disco, o dia a dia de uma banda que tem de se adaptar a uma nova realidade (estávamos na Suécia) para gravar o disco, e outra parte que ficou integrada na narrativa em que entrevistamos vários autores e professores de antropologia, biologia e que lidam com a extinção no campo. Tentam lutar contra o fenómeno da extinção. O documentário vai estar disponível na edição vinil e na edição dupla com DVD.

O que podemos esperar desta digressão?
Vai ser um concerto novo, queremos tocar muito mais de uma hora. Queremos apresentar o novo reportório mas vamos fazer muitas viagens ao passado. O nosso primeiro disco foi gravado em 1995 por isso faz 20 anos e vai ser uma boa fatia do nosso alinhamento.

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Foto: DR
Moonspell lançam Extinct | © DR
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