Roteiros judaicos

Uma herança pouco conhecida

29 | 03 | 2015   12.14H

Os estrangeiros sabem que, por cá, são muitos os vestígios judaicos. Os portugueses nem por isso. Falta divulgação.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

O que é que Tomar, Lisboa, Trancoso, Castelo de Vide ou Faro têm em comum, para além de serem localidades que integram o mapa de Portugal? A geografia separa-as, assim como os costumes e as tradições que lhes são mais típicos. A resposta aqui será a menos provável para muitos portugueses: é a herança judaica que as une, herança essa que, espalhada um pouco por todo o País, atrai cada vez mais turistas estrangeiros.

Inserida na categoria de turismo religioso, não é a dimensão espiritual que motiva quem nos visita para percorrer os roteiros judaicos, ao contrário do que acontece com os cristãos, transformados em peregrinos dos muitos santuários espalhados de Norte a Sul. A confirmação dá-a ao Destak Isaac Assor, diretor da Alegretur que, embora não seja a única agência de viagens nacional com este tipo de oferta, orgulha-se de ser a mais especializada.

«São vários os roteiros. Começamos por Lisboa, não só por ser a capital, mas porque é onde existem muitos bairros judaicos, como Alfama. Passamos por Tomar, e pela sua sinagoga do século XIV e museu hebraico; prosseguimos para Castelo de Vide, com o seu bairro judaico; depois a região da Serra da Estrela, sendo o destaque Belmonte e a sua comunidade de judeus; Trancoso, com o Centro de Estudos Interpretativos, Seia, Covilhã, Linhares da Beira; o Porto, com o antigo bairro judaico e a sinagoga do século XX, Braga, Coimbra e até o Algarve.» Vestígios não faltam, espalhados de lés a lés. Mas são mais os estrangeiros que os conhecem do que os portugueses.

«Acredito que este tipo de turismo está mais divulgado lá fora do que por cá», explica Isaac Assor. «Alguns portugueses conhecem e já ouviram falar de Belmonte, mas pouco mais do que isto. E eu não conheço a motivação de férias cá dentro que seja o conhecimento da herança judaica em Portugal.»

A falta de divulgação ajuda a justificar porque assim é. Apesar de, com a criação recente da Rede das Judiarias, começar a haver uma aposta neste produto, Isaac Assor considera que não é suficiente. «E é triste. Algo vai mal quando não conhecemos a nossa história.»

É de lá de fora que vem a maior parte da procura, com Israel à frente como fonte de turistas. Mas há mais, oriundos de França, Inglaterra ou Itália, maioritariamente «grupos de comunidades ou organizações judaicas, que vêm cá motivados pela procura da herança judaica, mas que acabam por usufruir do que o País tem para oferecer na generalidade».

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Foto: 123RF
Uma herança pouco conhecida | © 123RF
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