'Caixa Negra'

GNR falam sobre o novo álbum

02 | 04 | 2015   13.03H

Estivemos à conversa com Rui Reninho sobre o novo disco de originais dos GNR editado pelo novo selo independente da banda, IndieFada. 'Caixa Negra' já está nas lojas e conta com nove temas originais e uma nova versão do tema 'Desnorteado', originalmente editado no álbum Defeitos Especiais de 1984.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Caixa Negra resulta da mistura perfeita dos três membros Rui Reininho, Toli César Machado e Jorge Romão, que se encontraram em estúdio próprio para gravar com produção de Mário Barreiros.

O que esconde esta 'Caixa Negra'? Segredos, não é?! Os nossos fãs têm de descobrir. É um disco muito íntimo, mas não intimista, feito com privacidade para ser o mais público possível. Ao contrário da maioria dos discos que se conhece apenas uma música ou duas, acho que valeria a pena dar atenção mais pormenorizada a todas. Também não é assim tao longo, são cerca de 40 minutos e acho que vale a pena perder um pouco mais de meia hora connosco.

Não seria bem perder! Não! Já estou a entrar de uma forma mais cuidadosa! Foi um disco que deu imenso prazer fazer e tem muito o que queríamos dizer ao mundo.

Qual é a mensagem dos GNR neste disco? São as nossas mensagens de esperança numa vida para além da morte, que acho que é a intenção dos artistas: ficar alguma coisa nossa, para vocês.

É sempre uma grande responsabilidade fazer um novo álbum e deixar a vossa marca? É, porque cada vez são menos as oportunidades. As pessoas centram-se muito em canções individualmente, e eu acho que este disco tem um cheirinho a vinil até pela forma como foi compactado. Não tem a pretensão de ser mais de que isto e de ser um bom pretexto para espetáculos, de nos encontrarmos com as pessoas e de darmos a conhecer as músicas.

Consegue dar destaque a uma canção do álbum? É difícil distanciar-me das músicas e vê-las de fora. Começa na Caixa Negra com uma certa turbulência e com segredos. A última palavra está em MacAbro, que continua a intenção. Claro que vai haver continuação, através dos espetáculos. Já começámos a tocar alguns temas em palco e queremos levar ao máximo de sítios, nas melhores condições e com o maior prazer.

Porque incluíram o tema 'Desnorteado' que já tinha sido editado noutro álbum? Porque fizemos o disco com toda a liberdade. Fazia sentido saborearmos o Desnorteado em 2105. A letra encaixou bem e há uma coerência entre o que fizemos para trás e o que queremos fazer para a frente.

Fale-nos desta nova editora? A IndieFada é a editora dos GNR, mas claro que se houver gente que se queira juntar teremos todo o prazer. Para já, não é fácil esticar muito mais. Investimos muito das nossas vidas e economias para fazer este disco e queríamos levá-lo às pessoas, e viver esta vida maravilhosa com e para a música.

Sente-se privilegiado? Sim, fazer o que gosto é fantástico. Sinto-me muito realizado.

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A viagem dos GNR
Como foi a evolução dos GNR nestes anos todos?
Foi uma montanha russa, com momentos mais para cima, outros não tao felizes. As vitórias, partilhámo-las. Recordo mais as dificuldades porque deixam cicatrizes, mas não vamos fazer plásticas!

Encontrou dificuldades? Não é uma vida fácil. Não aconselho a quem não esteja preparado psicológica e fisicamente. Cheguei a estar de rastos, mas vale sempre a pena investir. É difícil porque há ambientes hostis e relações humanas que nos põe em frangalhos.

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GNR falam sobre o novo álbum | © DR
«É um disco íntimo, mas não intimista, feito com privacidade para ser o mais público possível»
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