Rita Ribeiro

«Sinto-me mais à vontade no palco do que na vida»

02 | 06 | 2015   11.50H

A celebrar 40 anos de carreira no teatro, música, cinema e televisão, Rita Ribeiro está neste momento em cena com a peça 'Entre Tanto' e fala ao Destak sobre o seu crescimento enquanto mulher, artista, mãe, avó e bisavó. Aqui não há lugar para a palavra crise ou não fosse a atriz uma mulher que faz as suas oportunidades.

Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

Quando percebeu que queria ser artista? 

Nunca foi uma coisa consciente na minha vida. Nasci no palco, filha de atores e sempre foi um mundo que me fascinou. [...] Trabalhei pela primeira vez aos 14 anos, quando a minha mãe foi encenar uma peça em Angola. Os dois anos que lá vivi foram determinantes: fiz bailado, teatro, um curso de escultura e cantei o meu primeiro fado. [...] Mas a consciência de palco surgiu quando me estreei no Villaret, aos 20. Senti “este é o meu aquário”. Senti-me mais à vontade no palco do que na vida, porque sempre fui muito tímida... Aliás, não há nenhum ator que não seja tímido... 

Alguma vez imaginou deixar o mundo das artes? 

Não. Eu podia ser o que quisesse, mas gosto muito de fazer o que faço, é isso que me enche o coração. Sinto que sou um veículo de emoções. Nem penso reformar-me. Um artista nunca se reforma. É até ter forças. Mas é uma profissão que nos renova... o palco muda a nossa mente. Não temos tempo para pensar que estamos velhos... no palco não há dores. 

Já ponderou emigrar? 

Gosto muito de viajar, mas também gosto muito de voltar. Tive dois convites da Globo – que não aceitei –, mas espero que haja um terceiro. O trabalho que tenho para fazer em Portugal ainda é tanto que não tenho necessidade de ir para fora.  

Sente que o País lhe tem dado respostas suficientes? 

Sou eu que dou as respostas... vou surfando as ondas que a vida me vai dando, faço as minhas oportunidades. 

Depois de 60 anos de vida e 40 de carreira, o que falta fazer? 

Falta fazer tudo. O que fiz está feito e abençoado, são sementes que deixei no coração das pessoas, mas está entregue. Agora vivo este momento, tenho sonhos, dois ou três, mas o meu propósito é estar em paz. Quero continuar a fazer teatro e sentir que esta é uma experiência válida. O teatro não é só para entreter, tem outras funções sociais. 

Como foi lançar a sua filha mais nova na música? 

Ela tem um à-vontade e uma naturalidade em palco que é presente nas pessoas que são de palco. Ela é fruto de 18 anos da minha vida de um caminho muito doce. Foi uma relação muito amorosa e de partilha e isso reflete-se no palco. 

A peça que está a fazer tem uma vertente terapêutica...

É uma conversa... é o negociar entre o consciente e o insconsciente, entre as duas vozes que temos dentro de nós: a mente e o coração. É uma peça com a qual qualquer pessoa se vai identificar pelo que vai sentir. 

Até os mais racionais? 

Esses vão fazer mais resistência... mas quem faz mais resistência é também quem está mais longe do bem-estar. Não estamos a tentar salvar ou curar alguém porque estamos todos a ser curados...

Sessões da peça 'Entre Tanto'

A mais recente peça de Rita Ribeiro, com texto de Sandra José e encenação de António Terra, está em exibição até 14 de junho no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, em Algés. As sessões de Entre Tanto realizam-se de quinta-feira a sábado às 21h30 e há um espetáculo extra no domingo dia 14 de junho, às 17h00.

Foto: JOÃO FERRÃO/DESTAK
«Sinto-me mais à vontade no palco do que na vida» | © JOÃO FERRÃO/DESTAK

1 comentário

  • Então, Dona Rita, não percebe que a vida, é um palco, onde regra geral, andamos todos a representar aquilo que não somos? Palco de vaidades, de mentiras e de falsidades? Mil anos que tivesse de vida, e encontraria o mundo sempre igual nesse particular. Porque o ser que dizemos ser humano, não quer mudar, nem se atreve a fazer exame de consciência. Por isso continuo a dizer, que quanto mais pessoas conheço, mais gosto dos animais. Esses sim, merecem o meu respeito.
    Alberto Sousa | 06.06.2015 | 08.57Hdenunciar comentário
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