Adelaide de Sousa

«A ficção mudou muito. Não é uma fábrica de produção»

07 | 07 | 2015   10.29H

A apresentadora e atriz Adelaide de Sousa revela ao Destak como foi regressar às novelas, após seis anos de ausência, e confessa que o setor está mais exigente e perfecionista. A atriz veste a pele de Sofia em Coração D’Ouro, uma personagem muito diferente de si e que por isso se torna num desafio maior, mas mais satisfatório.

Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

Como está a ser o regresso à representação?

Facilitado pelo facto de estar a trabalhar com pessoas que me dão o tempo necessário e que têm essa compreensão. A ficção mudou muito neste tempo, as coisas estão diferentes para melhor. Há mais tempo para as coisas serem feitas e preparadas, há um grande desejo de excelência. Não é uma fábrica de produção. Estamos a começar agora a novela e estamos a dar cada passo com firmeza. A equipa com quem estou a trabalhar compreende as minhas dificuldades de adaptação a uma linguagem que foi a minha durante muito tempo. Há um nível de exigência muito superior, é um bocadinho intimidante, mas é ótimo que assim seja.

Ficou nervosa?

Ansiosa sim, não sou de ficar nervosa. Mas isso é bom, porque o ator tem de ter noção que aquilo que faz não é qualquer um que pode fazer. Temos de abordar o nosso trabalho com cuidado e com respeito pela equipa.

Já viu as primeiras cenas?

Ainda não... estou com muita curiosidade até porque já ouvi comentários muito bons do ponto de vista da imagem e da abordagem da realização... uma coisa interessante e diferente do costume.

Foi difícil memorizar os textos?

Não tenho propriamente dificuldade a esse nível, mas a compreensão da personagem é uma coisa que se vai construindo e desenvolvendo com o tempo. É como ir ao ginásio, no início estamos perros e dói, temos dúvidas, será que vou conseguir, será que vou terminar mais cedo? Com a representação também é assim, sobretudo depois de estarmos parados muito tempo como eu, custa, há dores.

Qual o maior desafio da personagem?

A Sofia é uma pessoa com muitas camadas. É uma mulher que tem referências morais muito diferentes das minhas, é uma sobrevivente e acredita que para ter sucesso é preciso fazer determinadas coisas e afastar pessoas, mas fá-lo com muita calma... mas tem alguns aspetos parecidos: é emotiva, gosta de pensar nas coisas e é prática. Além disso há o trabalho de criar relações entre as personagens. É preciso existir verdade. Tudo o que é fabricado topa-se à distância. Ninguém se liga a uma história assim.

Há uma expetativa muito alta para a estreia?

Sim, mas acho que as pessoas não vão sair desapontadas. Os textos estão muito bem escritos e são credíveis. Ninguém faz ninguém burro, não temos de fazer de conta que deixámos o cérebro à porta. E o sítio [Douro] é maravilhoso.

Valeu a pena esperar seis anos para regressar às novelas?

Para mim valeu a pena porque agora o meu filho está preparado para entender que a mãe tem de sair, trabalhar, estar ausente. Já não é dramático, com ele bebé teria sido. Enquanto pude recusei convites. Eu sei que se paga um preço por isso, mas valeu a pena.

O seu futuro passa pela representação?

Passa por continuar a fazer ambas as coisas porque gosto muito de apresentar. Há um projeto muito em concreto que une o lado mais solidário com as celebridades.

Foto: JOÃO FERRÃO/DESTAK
«A ficção mudou muito. Não é uma fábrica de produção» | © JOÃO FERRÃO/DESTAK
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