Maria Elisa

«Estou sempre disponível para ser surpreendida pela vida»

14 | 07 | 2015   12.08H

Já tem mais planos editoriais na manga mas, por enquanto, está empenhada em partilhar, em particular com as mulheres, as suas experiências em diversos campos, do amor ao trabalho, à saúde e beleza. Tem saudades da TV mas não dá como encerrado esse capítulo na sua vida. Eis uma confissão de uma mulher madura.

Vera Valadas Ferreira | vferreira@destak.pt

«Confissões de Uma Mulher Madura» é o título do seu novo livro. A idade, sobretudo nas mulheres, ainda é algo castrador? Ou pelo contrário é libertadora?

A idade pode ser libertadora para as mulheres que se sentem bem consigo próprias, que têm um emprego ou estão reformadas, com saúde e energia para partir para uma nova fase da vida. Mas continua a ser muito penalizadora para aquelas que estão no desemprego e procuram voltar ao trabalho: infelizmente, o critério na esmagadora maioria das empresas continua a ser a favor das mais jovens.

Enquanto mulher, quão difícil é deixar de ser filha e passar a ser mãe e avó?

Para mim, foi muito difícil deixar de ser filha, quando a minha mãe partiu depois de 3 anos de doença oncológica (o meu pai já não estava connosco há 20 anos). Eu já era mãe e avó, e o mais gratificante é as quatro gerações coexistirem, principalmente quando há amor e carinho entre todos. A minha neta teve a sorte de ainda conhecer a bisavó, que a adorava, naturalmente. É um privilégio que a esperança de vida hoje permita estes encontros que permanecerão na memória dos que ficam.

É verdade que abdicou de estar ao lado do seu marido que vive nos EUA para continuar ao lado dos seus filhos e netos?

Nunca abdiquei de estar ao lado do meu marido, nos EUA, para estar ao lado do meu filho e neta; o que acontece é que tenho família dos dois lados do Atlântico e todos são importantes para mim. Além disso, ligam-me a Portugal o trabalho – os livros, as colaborações com jornais ou revistas, etc. - e a continuação dos meus estudos académicos na Universidade de Coimbra. Tento coordenar estes vários interesses da melhor forma possível mas nem sempre é fácil, como se compreenderá.

No livro revela a sua faceta mais intimista, algo a que o público não está habituado. Na sua opinião qual será a sua história pessoal ou característica da sua personalidade que mais espantará o leitor?

Neste livro foi minha intenção partilhar com o público, e com as mulheres em particular, as minhas experiências em diversos campos, desde o trabalho à vida sentimental, mas também aspectos da vida física, como a alimentação, o exercício, a beleza, o vestuário, etc. Para além das minhas próprias experiências, entrevistei muitas mulheres, algumas delas também bem conhecidas do público, a quem pedi para falarem das suas próprias experiências nas mesmas áreas. Não poderia pedir-lhes sinceridade nas respostas se eu mesma não usasse dela. Creio que muitas pessoas poderão ficar surpreendidas ao saber que, profissionalmente, passei por muitas dificuldades, que conto de forma muito sucinta, mas talvez suficiente para perceberem que não tive uma vida de privilégio dentro da RTP.

Considera-se uma pessoa saudosista? Qual foi o melhor período da sua vida?

O meu saudosismo traduz-se no facto de sentir muita falta das pessoas que me eram mais próximas e partiram, não só a minha mãe, mas vários, bastantes dos meus amigos mais próximos, alguns com 40, 50 anos. Fazem-me muita, muita falta. De resto, não, não sou saudosista, tenho uma enorme curiosidade pelo novo, pelo que não sei e quero aprender. Estou sempre disponível para ser surpreendida pela vida. Cada período da minha vida teve os seus encantos e as suas dificuldades, não posso isolar um só. Mas claro que nada iguala o nascimento de um filho ou o viver em liberdade após, no meu caso, 24 anos de ditadura.

Tem saudades do jornalismo, do pequeno ecrã?

Tenho saudades da tv, sim. Mas nunca pensei nisso como um período irremediavelmente ultrapassado da minha vida profissional. O que se passou foi doloroso mas não a ponto de me traumatizar. A vida é, felizmente, cheia de surpresas.

No livro fala sobre a importância de uma boa alimentação, do exercício físico e dos cuidados de beleza, mas onde é que vai buscar o seu equilíbrio mental? À religião, à família, ao trabalho?

Vou buscar o meu equilíbrio mental às leituras, ao meu núcleo familiar – que se estende ao meu irmão, de quem sou muito próxima – ao trabalho, à minha racionalidade. À capacidade de construir constantemente novos projectos que podem realizar-se ou não, mas alimentam a minha curiosidade, o meu interesse pala vida. E ao facto de relativizar sempre os meus problemas, tão menos graves do que os de muitas outras pessoas.

Já tem mais planos editoriais na manga?

Tenho vários projectos na cabeça, totalmente diferentes deste, e muito distintos também entre si. Há sobretudo dois que me parecem boas ideias para livros. Em conversa com os responsáveis da “Esfera dos Livros” espero ter, em breve, luz verde para avançar com um deles. E essa ideia já me transporta para mundos que me fascinam e irão interessar, espero, muitos outros leitores.

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Foto: Tiago Sousa Dias/CM
«Estou sempre disponível para ser surpreendida pela vida» | © Tiago Sousa Dias/CM

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