Helena Isabel

«Sou uma eterna insatisfeita»

07 | 08 | 2015   11.08H

Com mais de 45 anos de carreira na área da representação, tanto no cinema como na televisão e no teatro, e uma breve incursão pelo mundo da música, Helena Isabel é uma atriz que dispensa apresentações. A também mãe do músico Agir fala ao Destak sobre a ficção nacional, o seu recente hobbie de pintar, as férias (sobretudo no verão) e os próximos destinos que pretende conhecer.

Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

Representar era um sonho de infância ou foi surgindo? 

Foi-se desenvolvendo. Sempre tive tendência para as artes, mas primeiro quis ser bailarina. Ainda tive aulas de ballet, mas não tinha físico porque era “gorduchinha” naquela altura. Foi na adolescência que surgiu a grande vontade de ser atriz, em parte porque os meus pais me levavam muito ao teatro e eu tinha contacto com aquele meio e percebi que queria estar do outro lado. Queria ser atriz, mas ser famosa não era prioridade.

Depois de mais de 40 anos de carreira, ainda se sente nervosa quando pisa o palco ou quando começam as gravações?

Sim, por motivos diferentes. No teatro porque é um trabalho sem rede. Na televisão porque é um trabalho em cima do joelho, sobretudo nos primeiros episódios.

Sente-se mais realizada em teatro, cinema ou televisão? 

Cinema tenho feito pouco ou mesmo nada ultimamente e nem sei porquê. Já teatro e televisão são duas formas tão diferentes de representar que é dificil ter de optar. Vou tentando conjugar e intercalar as duas. 

Quais as principais diferenças de ser atriz hoje e quando começou aos 17 anos? 

Todas. Hoje em dia há cursos e workshops para aprender quando se está no início e para aperfeiçoar quando já se está a trabalhar. Quando comecei só havia o Conservatório. Por outro lado, ironicamente, trabalhava-se mais para ter fama; e hoje só se se for conhecido é que se trabalha. 

A ficção nacional corresponde às suas expetativas? 

Nunca corresponde às expetativas porque queremos sempre fazer mais e melhor. O País é pequeno e estamos condicionados pelas audiências, sendo que aqui o nosso público é maioritariamente um público de novelas. Faltam mais séries com mais qualidade e feitas com mais tempo.

Que tipo de série é que gostava de fazer? 

Gostava de fazer uma série de época/histórica, mas também coisas mais contemporâneas. Mas com tempo e não como acontece neste momento em Portugal. 

O que foi mais desafiante no papel de Leonor na telenovela da TVI Jardins Proibidos?

Foram várias as situações, sobretudo na segunda parte da novela. Espero nunca passar por nenhuma situação assim... Enquanto que noutras novelas que retratam histórias de alcoolismo ou de consumo de droga há testemunhos de outras pessoas, neste caso de uma mãe que tem um filho serial killer não há referências. Basicamente deixei falar as emoções...

A história tirou-lhe o sono? 

Não sou um bom exemplo porque tenho problemas de sono... mas houve alturas em que me angustiou... não podemos esquecer que qualquer trabalho que joga com as emoções faz mossa.

Falando de outra das suas paixões, sente saudades de cantar? 

Nem por isso. Para mim, cantar é um complemento da minha profissão de atriz. Gostava de fazer mais teatro musical, que ainda cheguei a fazer, embora tenha sido pouco. 

E hoje ainda canta? 

No carro quando estou a ouvir um CD faço coro ou num concerto... nada mais.

E com o seu filho, o músico Agir? 

Só mesmo quando vou assistir a um concerto dele. 

Quais são os seus hobbies? 

Pinto nos meus tempos livres já há algum tempo, mas há um ano comecei mesmo a desenvolver técnicas e tive aulas de desenho e de pintura. 

O que pinta? 

Um bocadinho de tudo, mas estou sobretudo no abstrato e a aprender a jogar com as cores. 

O tempo voa quando está a pintar? 

O tempo voa sempre, sobretudo a partir de uma certa idade... Mas quando estou a pintar ou a representar voa de uma forma fantástica porque estou a fazer uma coisa que gosto. 

Sente-se uma mulher realizada? 

Não. Sou uma eterna insatisfeita e é isso que me move. Estar sempre a aprender e a descobrir coisas novas que me apaixonam. 

O que lhe falta fazer? 

Adoro viajar e há muitos sítios para conhecer, como a Índia, o Peru e fazer uma viagem de carro pelos EUA. 

Como foi ser ‘mãe solteira’? 

Não acho que tenha sido mãe solteira, isso seria uma ofensa para as mulheres que são mães solteiras. É verdade que estive sozinha em muitos momentos com o meu filho, porque apesar de o pai o acompanhar não é a mesma coisa que viver com ele. Foi complicado, pois não tenho horários fixos e era dificil de organizar. Inicialmente contei com a ajuda da minha mãe, mas infelizmente quando o Bernardo tinha seis anos ela faleceu... 

Qual a maior lição de vida que o Bernardo lhe deu? 

Tenho muito orgulho dele. Ele faz aquilo que gosta e trabalha muito. Não se encosta à sombra da bananeira, que foi algo que eu e o pai sempre lhe tentámos incutir. A dedicação que ele tem à música é talvez até mais do que aquela que eu tenho à representação. Eu conseguia estar um ou dois anos com outros projetos e sem representar; ele não conseguia estar sem a música. 

É frequentemente elogiada pela sua boa forma física. Que hábitos saudáveis é que adota para o conseguir? Sempre tive o cuidado de lavar, limpar e hidratar muito bem a minha pele e de fazer exercicio físico desde miúda. Hoje não passo sem o meu ginásio, sempre que tenho um bocadinho livre vou. E há outros hábitos que fui adquirindo com a idade. Fumava muito e deixei há cerca de cinco anos; apanhava muito sol e hoje em dia vou menos à praia e quando vou uso proteção muito alta.

Essenciais para o verão: 

Prefere férias no verão ou noutra estação do ano?

O ideal é serem repartidas. Se tivesse um mês como as pessoas ‘normais’, diria uma semana de inverno e três de verão. 

Três coisas imprescindíveis para fazer nas férias

Viajar é a primeira logo; fazer refeições ao ar livre, aproveitando as esplanadas; e sair com os amigos que é um programa que faço mais no verão porque sou muito friorenta no inverno. 

Um livro que leva para as férias: Sobretudo romances. O próximo, que acabei de comprar, é A Rainha do Gelo, de Camila Läckberg. 

Que CD é que leva no carro numa viagem: 

Vou puxar a brasa à minha sardinha: o CD do meu filho Agir, Leva-me a sério

Três coisas essenciais que leva na mala: Secador de cabelo, jeans e ténis.

Foto: Rui Valido
«Sou uma eterna insatisfeita» | © Rui Valido
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