500 Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa

«Devíamos todos conhecer melhor a nossa língua»

15 | 09 | 2015   17.38H

Há-des ou Hás de? O auto-estrada ou a autoestrada? A gente vamos ou a gente vai? Para alguns, não haverá dúvidas. Para muitos outros, a expressão usada será a primeira quando a cor-reta é, de facto, sempre a segunda. Sandra Duarte Tavares, linguista e professora universitária, e autora do livro '500 Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa', da Esfera dos Livros, esclarece este e muitos outros pontapés na língua que os falantes insistem em dar. E, ao Destak, não tem dúvidas em afirmar que todos nós devíamos conhecer melhor a língua que falamos.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Quanto tempo lhe levou a reunir 500 erros da língua portuguesa?

Foi um recorde. Escrevi o livro durante um ano.

Afinal não é assim tão difícil encontrar erros em quem fala português. Quer isso dizer que não falamos tão bem como devíamos?

Lamentavelmente, hoje em dia, talvez devido aos grandes atrativos digitais, temos pouco tempo para dedicar ao livro e à leitura. E por essa razão, todos nós – e eu incluo-me, apesar de ter formação em linguística e ser professora – cometemos muitos erros. Eu própria aprendi imenso na redação desta obra e fui surpreendida. Aliás, sou surpreendida a cada instante.

O que é que a surpreendeu?

Durante a minha infância e adolescência pratiquei patinagem artística e sempre disse que ia praticar num ringue. Ora, ao fazer este livro descobri que estava a cometer uma incorreção de vocabulário porque ringue significa um recinto para a prática de boxe e luta livre. O que eu devia dizer, e que só aprendi agora, é que rinque é o que define o recinto para a prática de desportos como a patinagem. Este é um exemplo como fui surpreendida pelas especificidades deste idioma que é tão nosso.

Na sua opinião, os portugueses conhecem a sua língua?

Todos nós devíamos conhecer um pouco melhor a nossa língua. E talvez se, durante os nossos anos de ensino (básico, secundário e superior), especificamente nas disciplinas de língua portuguesa, houvesse mais tempo para dedicar ao conhecimento da língua, ao seu funcionamento, à prática de redação, possivelmente conheceríamos todos melhor a língua portuguesa e a consequência benéfica desse conhecimento seria uma melhor competência linguística, ao nível oral e escrito.

É o ensino que falha aqui?

Eu sou professora e vou falar em nome dos professores. Nós temos uma missão que é difícil porque queremos que os alunos façam um bom uso da sua língua. Do meu ponto de vista, fazer um bom uso da nossa língua traz benefícios para tudo o resto. Até para perceber um problema matemático, se eu dominar a minha língua, possivelmente eu vou conseguir interpretar melhor aquele problema. E isto é válido para todos os outros domínios científicos. Nós professores temos esta preocupação, esta missão mas a realidade é que, como sabemos, os atrativos digitais são inúmeros e vão-se soprepôr aos livros.

Qual é a importância da leitura?

Do meu ponto de vista, a leitura é um meio muito importante para nos ajudar a comunicar bem. Porque ao lermos estamos a conhecer novas palavras e à medida que lemos mais vamos adquirindo mais palavras para o nosso armazém lexical. E uma vez que a comunicação é feita de palavras, eu costumo dizer, enquanto linguista, que quanto mais palavras, quanto mais matéria prima lexical tivermos no nosso armazém, melhor será a nossa comunicação, melhor vamos escrever e melhor vamos falar.

Há erros que já são clássicos...

Sim, por exemplo, quando uma empresa diz que pretende ir de encontro às expetativas dos clientes, o que deveria ter dito era que pretende ir ao encontro dos interesses dos clientes, porque ir de encontro a é ir contra qualquer coisa e o que a empresa pretende é ir na direção, a favor dos interesses dos clientes. Outro erro: o perda é a forma correta e muitas vezes ouvimos perca. “Foi uma perca de tempo fazermos aquela viagem” está errado. A forma correta é perda.

Embora sejam clássicos, tendemos a perpetuar esses erros. Porque é que isso acontece? Aqui, os media têm um papel muito importante. Os profissionais de comunicação em geral têm uma grande responsabilidade sobre a língua porque incrivelmente, quando vemos algum erro, por exemplo no rodapé televisivo, interiorizamos, inconscientemente assumimos que aquela forma é a correta. E quando precisamos de escrever essa expressão ou essa palavra e vamos ano nosso armazém lexical buscá-la e a imagem gráfica que lá está é aquela que nós vimos escrita num artigo de jornal ou no rodapé televisivo. É impressionante o poder que a imagem na televisão e que a escrita de imprensa tem sobre nós falantes. Daí a importância que eu acho que os profissionais deviam ter, a consciência da responsabilidade que têm, que influenciam em grande medida os falantes da língua. Erros todos cometemos, é verdade, mas o erro frequente, o erro cometido várias vezes começa a entrar e começa então a perpetuar-se.

Há algum erro que a irrite?

Aquele erro que me dá muita urticária é o uso do melhor em vez de mais bem. Eu digo: "Ontem comi bem neste restaurante, mas amanhã quero comer melhor". Quando eu estou perante, por exemplo, o adjetivo disposta, digo que estou bem disposta. Mas se quiser dizer que, logo à noite vou estar com a minha família, não digo que quero estar melhor disposta, mas sim mais bem disposta. Este é um erro muito repetido no âmbito do desporto: "a equipa A ficou melhor classificada do que a B". É um erro que me incomoda porque classificada nesta frase é um adjetivo. Logo, o advérbio bem deve flexionar na forma regular. Devemos dizer que "a equipa A ficou mais bem classificada do que a B".

Foto: © Destak
«Devíamos todos conhecer melhor a nossa língua» | © © Destak

8 comentários

  • Engraçado como uma mesma língua pode ter ou não conter erros pelo uso. Aqui no Brasil ao usar a palavra "perder", existem estados que falam "perca" erroneamente, mas em alguns lugares usam a palavra "perda". Mas a palavra que mais me incomoda é quando usam o pronome oblíquo "mim", quando deveria-se usar "eu". Ex. Eu quero uma colher para eu comer esse doce de leite. Os brasileiros falam "...para mim comer..." sem perceber o erro. Horrível!
    Mauricio | 27.02.2016 | 20.14Hdenunciar comentário
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  • ---«Devíamos todos conhecer melhor a nossa língua»----------------------------------------MA IS PROMESSAS FALSAS DE FALSOS POLÍTICOS-----------------O PRAZO DE VALIDADE DO GOVERNO COELHO/ PORTAS JÁ SE ENCONTRA EXPIRADO ( tomada de Posse 21 de Junho de 2011 – Fim do Prazo de Validade 21 de Junho de 2015)-------------------------------------------CA VACO TEM DE ANTECIPAR AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS JÁ QUE ESTE GOVERNO JÁ COMPLETOU 4 ANOS EM 21 DE JUNHO DE 2015------------------------------ O GOVERNO PORTAS/COELHO "FORA DE PRAZO" NÃO PODE MAIS CIRCULAR NA VIA PÚBLICA.!!!!!!!!!!!!!!!!! (OBS: Texto elaborado em português coxo resultante dos atropelos causados pelo acordo ortográfico.)
    Ric | 21.09.2015 | 09.55Hdenunciar comentário
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  • Amigo Fábio, os erros são normais em quem, como o Destak, usa o novo acordo. O uso do mesmo acontece apenas quando não se sabe ler e escrever correctamente.
    ah e tal | 18.09.2015 | 01.02Hdenunciar comentário
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  • Caramba! Sandra Duarte fez um comentário crítico, mas escreveu "rasão" ao invés de "razão"...
    Cláudio Trindade | 17.09.2015 | 01.09Hdenunciar comentário
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  • Sandra Duarte Tavares,tem toda a rasão.Empregam verbos em tempos errados,usam e abusam de preposições e com isso conseguem por vezes alterar o sentido frase.
    RODAVLAS | 15.09.2015 | 23.24Hdenunciar comentário
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  • Pena os erros de redação, especialmente neste artigo!... Mais cuidado ao escrever, por favor.
    Fábio Vasco | 15.09.2015 | 22.18Hdenunciar comentário
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  • Único erro de uma pessoa é ser infeliz de resto tudo se compreende!
    Cliente | 15.09.2015 | 19.22Hdenunciar comentário
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  • Pessoalmente acho que deve ir catar prá bord'água, fazia-lhe bem. Nesta sociedade qualquer um é expert em nulidades.
    Tudo se Vende | 15.09.2015 | 18.44H
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