João Miguel Tavares

Filhos: «Não há um ingrediente secreto»

15 | 09 | 2015   19.57H

A poucos dias de fazer 42 anos, o jornalista, autor, cronista político (em jornais e no Governo Sombra) e blogger João Miguel Tavares falou connosco sobre os desafios de ser pai de quatro crianças, numa altura em que começa a corrupio do regresso às aulas.

João Tomé | jtome@destak.pt

Com quatro filhos (três em idade escolar), quais são os desafios do regresso às aulas?

(Risos) Há vários tipos de desafios. Há o desafio económico para os pais, o que não é propriamente um problema lá em casa porque tanto eu como a minha mulher temos uma boa situação, mas há sempre a questão de ter os livros todos. A mais pequenina ainda não está na escola mas os outros… quando formos multiplicar os livros por todas as disciplinas nem quero imaginar a quantidade que vamos ter de comprar. Isso está relacionado com o forte lobby dos manuais escolares. Mas tirando essa parte, o mais complicado é o regresso a uma rotina que é dura. Levar três miúdos a três escolas diferentes é um corropio. Mais as actividades curriculares.... Hoje em dia aquilo que é a boa educação para uma criança, para quem tem esse tipo de possibilidades, é quase uma coisa renascentista (risos). Música, exercício físico, línguas, queremos que tenham isso tudo com qualidades e isso dá trabalho.

Voltar a essa rotina pesa muito nos pais…

Sim. Voltar depois de três meses de férias de verão – que continuam grandes e alegres como antigamente –, a essa rotina é violento. Eu estou sempre à espera que cheguem as férias de verão até porque tanto os meus pais como os da minha mulher não são de Lisboa e quando chega o verão eles passam muito tempo nos avós, divertem-se, ficam lá e nós respiramos um pouco de alívio. Quem é pai de quatro filhos vive um pouco em contra ciclo. É quando estamos a trabalhar e eles não estão cá que conseguimos descansar mais, que é o que está a acontecer neste momento. É muito bom e um retemperar de forças, antes da maluqueira das aulas.

Para eles há uma grande expectativa antes das aulas?

Eles são como nós. Eu chegava a uma altura do verão que estava com vontade de voltar às aulas e eles ao fim de três meses já estão com vontade de ver os amigos, contar o que fizeram. São seres sociáveis. E depois também sentem a responsabilidade de ser bons alunos, de terem boas notas e já pensam mais na vida futura. Hoje em dia a vida académica começa a ser mais pesada para eles desde muito cedo.

Os primeiros dias de aulas costumam ser difíceis para eles?

Depende muito de criança para criança, com o à vontade que têm e como são como alunos. Só um dos meus filhos tem mais dificuldade com a escola. É mais desatento do que os outros dois e reage de forma diferente.

E eles ajudam-se?

A nível de estudo ainda não. A minha mais velha está no 6º ano, tem 11 anos. Depois têm nove, sete e a mais pequena vai fazer três. Os pais também ajudam mais hoje em dia do que na minha altura mas o apoio pode ser diferente: na concentração, na postura na sala, na socialização na escola e como gerir conflitos (há sempre miúdos que chateiam ou gozam). Ter irmãos pode ajudar ou colocar pressão. Um deles vê os irmãos serem excelentes alunos e isso pesa-lhe um pouco. Sente a responsabilidade de ter um desempenho igual e se não tem sente-se frustrado. Cada vez mais acho que aquilo que podemos tentar garantir aos filhos é igualdade, acima de tudo, de atenção. Temos de dar atenção a todos eles e tentar perceber as suas necessidades mas a resposta a cada um é totalmente diferente. Uns precisam de mais mimo outros de tempo. Uns tens de gritar, outros basta dizer que estás desiludido, e ele fica triste. A única certeza é que não há certezas. É preciso analisar cada situação e adaptá-la aos miúdos.

Já escreveu livros sobre ser pai, tem um blogue sobre o tema. Pedem-lhe conselhos?

O blogue agora está mais parado, para zanga de alguns leitores. Tenho pena porque para além de escrever nos jornais sobre política ou fazer tv, gosto de escrever sobre a paternidade. Durante muito tempo foi importante para mim escrever sobre isso. É verdade que à medida que os miúdos crescem há um cuidado meu para os resguardar. A exposição já não pode ser igual. Quando tens um filho bebé podes dizer coisas mais à vontade. Com 10 ou 11 anos e quando há um blogue lido na escola pelos pais dos colegas, o que dizes pode ter um impacto neles. Mas quero continuar a escrever sobre a família. Não sou muito de dar conselhos, sou mais de partilhar até porque não há formas perfeitas, varia muito de criança para criança. Não há um ingrediente secreto, como diria o Panda do Kung Fu.

Partilhar traz paz de espírito?

Sim, essa é a parte boa das redes sociais para quem é pai. Senti muito isso no início do blogue. É importante criar essas comunidades de partilha, ir a um sítio e desabafar e isso pode ter utilidade para as outras pessoas. É uma terapia colectiva onde vês que não és só tu a teres aqueles problemas. Felizmente os blogues atuais já não pintam a maternidade ou paternidade como um mundo cor de rosa. Queremos ser felizes e é importante, quando as coisas correm mal, não colocar tudo em causa… o que pode ser complicado. É bom para que as pessoas estejam preparadas. Às vezes uma família é um cenário de guerra.

Vida Profissional

Governo Sombra  - Agora temos alguma expectativa porque vai mudar de formato. Começou sábado (29 de agosto) à meia noite, em direto e com público presente. O programa é acolhido com muita generosidade. As pessoas são simpáticas, gostam do ambiente de camaradagem. É mais quem opina nos jornais que tem um lado clubista.

Projetos futuros... Estou a escrever um livro, algo de maior fôlego. É um projecto que queria concretizar até aos 40 e já estou atrasado. Nós jornalistas passamos pela vida a fazer coisas muito fragmentadas e queria fazer algo mais consistente. É uma biografia, mas ainda não quero avançar pormenores.

Por realizar... Acho que hoje chegamos aos 40 sem saber o queremos fazer quando formos grandes. O grande desafio é tornar esse descontentamento produtivo. Tenho ideias para livros, coisas que gostava de escrever, empresas que gostava de montar. A dificuldade é ter o engenho de passar da teoria à prática.

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Foto: Sérgio Lemos - CM
Filhos: «Não há um ingrediente secreto» | © Sérgio Lemos - CM

3 comentários

  • Elle le pense toujours a 47. http://lenitsky.com/ Etablir ce lien n est pas toujours evident.
    PipaVex | 12.10.2015 | 06.09Hdenunciar comentário
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  • ENTRETANTO NO PORTUGAL REAL--------------------------------------- COMENTÁRIO 25-09-2015 A MAIOR DERROTA DE UM POLÍTICO COM UM SLOGAN ONDE ESTAVA A PALAVRA FRENTE E PORTUGAL FOI EM 1986 :------------------------------------------------- -------------------------------------------------- ------------- "Pra' frente Portugal, com Freitas do Amaral. As pessoas votaram Mário Soares, e derrotaram Freitas do Amaral há 29 anos. Hoje a coligação da Fome à Frente em Portugal paga sondagens falsas e tem outras artimanhas sórdidas de política mentirosa para enganar o eleitorado. Este Governo de falsidades cometeu violência doméstica durante 4 longos anos e os violentadores apresentam-se agora arrependidos ao Povo!!!!!!!!!!!!!. Dia 4 de outubro será a maior derrota da extrema direita ultra liberal fascista Coelho/Portas! . Coelho vai para a Rua e Portas para Évora em prisão preventiva acusado dos 3 milhões de euros dos submarinos.!
    RIC | 25.09.2015 | 09.42Hdenunciar comentário
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  • Já a mediocridade tem causas bem conhecidas ....
    Al Bernuncio | 16.09.2015 | 17.12Hdenunciar comentário
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