Ao volante

Um monstro que passa por cima de tudo chamado Classe G

23 | 10 | 2015   16.16H

Conduzimos a versão mais recente e moderna do Mercedes Classe G, um todo o terreno só ao alcance de alguns, no evento do Clube Escape Livre Mercedes 4MATIC Experience.

João Tomé | jtome@destak.pt

Como é conduzir um automóvel feito a pensar no todo o terreno puro e duro?

A pergunta surge de vez em quando, numa época em que jipes pensados para o TT são uma raridade cara. Conduzimos a versão mais recente do Mercedes Classe G, integrados na expedição pelo caminho português para Santiago de Compostela organizada pelo Clube Escape Livre.

Esta raridade – o mítico Land Rover Defender deve deixar de ser produzido este ano e nesta gama sobra o Toyota Land Cruiser – já com mordomias modernas mantém a génese e o aspeto que levou à sua criação, em 1979. Passados 36 anos o Classe G continua com a mesma mecânica e a superar obstáculos como poucos.

Depois de ter sido veículo eleito para polícias do mundo, ONU e equipas de montanhismo, os sinais de luxo recentes abriram caminho a ser vendido, mais caro, para China, Rússia e países árabes. Mas procurar o G para conforto e luxo é um erro. Há outros melhores nesse domínio, nomeadamente o Range Rover. O G é, isso sim, um dos maiores especialistas do mundo a passar pelos caminhos mais inóspitos e a subir quase tudo que lhe apareça à frente.

O monstro G350 (motor diesel V6 Turbo 3.0 de 211 cv, versão que conduzimos) de duas toneladas e meia que conduzimos passou por todos os obstáculos que lhe colocámos à frente com uma facilidade constrangedora para qualquer SUV (olhar para a maioria dos SUV é observar, cá de cim,a veículos que passam a parecer pequenos). O Classe G tem outra coisa rara e, diríamos mesmo inédita no atual mercado português: inclui bloqueio de diferencial central, dianteiro e traseiro.

Mas nos percursos porque que passámos, embora muito desafiantes para os SUV, foram, como diria Jorge Jesus, 'peanuts' para a mecânica pensada para o TT, a potência, a elevada altura ao solo (mais de 20 cm) e a tração integral 4MATIC do G350. Utilizámos numa descida mais íngreme no percurso de mais de 200 quilómetros fora de estrada e de todo o terreno o bloqueio de diferencial central, que permite neste caso 'obrigar' a que todas as rodas motrizes girem com a mesma tração, mesmo em caso de uma delas estar a patinar (evitando assim que seja transmitida mais potência para a roda que patina, o que pode provocar perda de controlo do veículo).

Notável a subir e descer, o lado negativo surge fora do TT: tem má aerodinâmica (pelo design ‘caixote’, à antiga) e isso 'pesa' na agilidade (bem fraca) e nos consumos, facilmente acima dos 13 l/100 km mesmo em auto-estrada. É duro, rude e só para quem ama o TT. Um jipe especial para poucos de 140 mil euros.

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Foto: João Tomé
Um monstro que passa por cima de tudo chamado Classe G | © João Tomé
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