PUBLICIDADE
Requalificação urbanística

Pescadores e moradores de Almada contestam demolições na Fonte da Telha

01 | 11 | 2015   15.17H

A Câmara de Almada quer demolir grande parte dos mais de 500 edifícios da Fonte da Telha e candidatar-se a fundos comunitários para a requalificação urbanística daquele território, mas moradores e pescadores não querem perder as casas que construíram.

Lusa

O Plano de Pormenor de Reconversão da Quinta do Guarda-Mor, que se encontra em discussão pública até 12 de novembro, visa a reconversão urbanística e o ordenamento de uma área de cerca de 16 hectares na Fonte da Telha e resulta da necessidade de ordenamento daquela zona ribeirinha, de acordo com o Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sintra-Sado.

Moradores e pescadores estão preocupados com a perspetiva de ficarem sem as casas que ali construíram, mas, para já, vão aproveitar a fase de discussão pública para contestarem as demolições anunciadas e para tentarem saber o que o futuro lhes reserva.

"Tendo nós uma casa e um terreno, queremos saber o que pensam fazer, porque, se nos vão dar uma casa num bairro social - é isso que dizem as pessoas aqui -, não nos estão a dar nada, porque nós vamos ter de comprar [as casas] ou pagar um aluguer. Algumas pessoas já têm advogados a contestar as demolições", disse à Lusa Cristina Laranjeira, que pertence a uma associação de moradores.

Os pescadores também não se conformam com a ideia de perderem as casas e estranham que alguns estabelecimentos tivessem sido autorizados a permanecer no local, uma vez que estão mais perto da linha de água do que as habitações.

"Eles querem deitar a Fonte da Telha abaixo, mas vão deixar ficar três estabelecimentos, que estão mais abaixo [mais perto do mar]. Se um dia o mar chegar aqui às nossas casas, que estão mais para o interior, esses estabelecimentos que vão ficar [não serão demolidos], e aqueles que eles vão fazer, desaparecem não sei quantos anos antes. Mas eu estou convencido de que o mar não vai chegar aqui", disse o pescador Mário Figueiredo, que dirige outra associação de moradores e pescadores.

A vereadora do Urbanismo da Câmara de Almada, Amélia Pardal, diz compreender as preocupações dos moradores e da comunidade piscatória e garante que todas as situações serão avaliadas "caso a caso".

"Naturalmente que, para cumprir o Plano de Ordenamento da Orla Costeira, terão que ser feitas demolições. Estamos a falar de 577 habitações, sendo que da comunidade piscatória serão cerca de 70", disse Amélia Pardal, assegurando que uma das principais preocupações do município é, justamente, preservar a comunidade piscatória da Fonte da Telha.

A vereadora do Urbanismo da Câmara de Almada referiu também que, além das casas construídas pelos pescadores na Fonte da Telha, há outras casas de primeira habitação, algumas licenciadas, e apoios de praia também licenciados pela Agência Portuguesa do Ambiente, o que significa que a execução do Plano de Pormenor vai exigir recursos financeiros significativos.

"Vamos empenhar-nos, junto do poder central, para que, em conjunto, possamos encontrar formas de financiamento para a execução do plano, nomeadamente potenciando aquilo que podem ser os recursos do [novo quadro comunitário de apoio] `Portugal 2020", disse Amélia Pardal, lembrando que é necessário construir novas casas para o realojamento dos moradores e proceder ao tratamento e renaturalização das arribas.

Foto: António Cotrim/Lusa
Pescadores e moradores de Almada contestam demolições na Fonte da Telha | © António Cotrim/Lusa

1 comentário

  • Meus amigos, votar em políticos é vender a alma ao Diabo. Sejam eles quem forem, assim que assentam o cú no poleiro passam a tratar dos seus negócios. Há dinheiro da UE (caixão em que havemos de ser enterrados, se não nos revoltarmos contra estas grilhetas) para fazer passeios para os maricas passearem os cães e abanarem o rabo. Isto é o progresso. Vocês são um obstáculo a que esta canalha possa servir os seus e embolsar umas massas caídas do céu.
    Portugal fora da UE e do Euro | 01.11.2015 | 16.24Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE