Marta Crawford

«Toda a gente merece ser sexualmente feliz»

18 | 11 | 2015   10.16H

É a mentora de uma ideia inovadora, um museu interativo online (mosexuality.com) sobre sexo para todos e com o contributo de todos. Por isso, Marta Crawford lançou uma campanha de crowdfunding.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Cama-se Sex & Pedagogical and Interactive Museum of Sexuality e trata-se do único museu pedagógico e interativo do mundo, que vai ser lançado em março do próximo ano. Uma ideia da sexóloga Marta Crawford, que o justifica com uma máxima que a especialista há muito defende: «Porque toda a gente merece ser sexualmente feliz».

Quando é que surgiu a ideia de criar um museu?

É uma ideia que surgiu na sequência de um TEDx no Porto, em 2010. Quando voltei para Lisboa, estava no sofá e de repente tive aquilo que eu chamo de epifania: eu quero fazer uma coisa diferente, muito mais abrangente do que um programa de televisão, do que uma consulta e surgiu a ideia de fazer um museu.

A quem é dirigido este projeto?

A todos. Tem que ir de encontro aos públicos mais jovens, às crianças, aos adultos, às pessoas mais velhas, qualquer que seja a sua orientação, raça, credo, uma coisa muito abrangente. No fundo, uma forma de lutar contra uma série de preconceitos. Porque tudo aquilo que tem a ver com a sexualidade é um mundo complexo e embora muito cobiçado, dá muito prazer, nem sempre está associado à felicidade.

É um museu para os que procuram a felicidade sexual?

Não, é um museu para todos, para os felizes e para os infelizes, homens e mulheres. O objetivo é criar um espaço onde se possa ligar ciência, pedagogia, arte e tecnologia, em português e inglês, porque queremos que seja internacional e foi nessa medida que, há um ano, começámos a construir uma plataforma online, o que faz com que seja o primeiro museu com este registo, ou seja, um museu que não é físico. Às vezes as pessoas têm dificuldade em imaginar como é um museu que não tem o objetos. Têm essa dificuldade, mas ao mesmo tempo nós vivemos numa era em que é tudo online, as relações são online, muitas vezes o sexo é online.

Há muita informação sobre sexo e sexualidade. De que forma é que o museu a vai complementar?

Há muita informação, mas está dispersa. E depois há muita coisa, coisas aberrantes, coisas úteis. Sob esta capa de museu, o que pretendemos é agregar uma série de informações úteis, científicas, práticas, num estilo direto, para as pessoas se sentirem seguras, diferentes, mas seguras.

Está a decorrer uma campanha de crowdfundig, que pede a contribuição de todos. Porquê?

O que estou a pedir é que as pessoas se apaixonem por este projeto, que é inovador, único. Mas a tecnologia é cara. Embora haja sites que se fazem por meia dúzia de euros, aqui trata-se de uma plataforma que tem muitas coisas lá dentro e tem que ser muito funcional. Isto tudo tem um custo e para finalizar o projeto – e para o manter – precisamos da ajuda de todos.

Acha que, hoje, os portugueses são sexualmente mais livres?

Sim. E teve a ver com a forma como os conteúdos se globalizaram através da internet. As pessoas pesquisam mais, sabem mais, estão muito mais abertas, mas estão numa coisa quase como o 25 de abril: de repente abriu-se a porta e vamos fazer tudo, temos que experimentar tudo. Será que tem que se assim? Apesar de serem muito mais abertos, no registo a dois acontecem coisas que não são aceitáveis.

Quem são menos felizes: homens ou mulheres?

Temos a ideia que são apenas as mulheres sexualmente infelizes, mas a realidade inversa é a mesma. Há homens esmagados pela pressão de terem de ter mais sexo do que a vontade deles. E a ideia de que os homens têm que estar sempre prontos é uma coisa ridícula. O homem tem direito de estar pronto quando lhe apetece. O que importa é o homem por detrás do pénis.

Foto: João Ferrão
«Toda a gente merece ser sexualmente feliz» | © João Ferrão

4 comentários

  • O A:I: é a "mulher" mais feliz, sobretudo quando da o traseiro a um benfiquista.
    anónimo | 01.12.2015 | 03.26Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Com essa idade sabe ou faz que não quer saber que as mulheres portuguesas são frias na cama.
    Anonimo | 18.11.2015 | 17.43Hver comentário denunciado
  • Mais uma que quer chular umas massas para não ter que trabalhar. Haverá otários para tal?
    zé burro | 18.11.2015 | 15.49Hver comentário denunciado
  • Eu dizia o que era um homem por trás de um pénis.fazia te sentir o tão desejado desejo!
    Cliente | 18.11.2015 | 11.13Hver comentário denunciado
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