entrevista

Salvador Martinha volta a levar "Na Ponta da Língua" aos palcos

05 | 01 | 2016   12.41H

As histórias cheias de humor vão estar no Teatro da Trindade (dias 7, 8, 9, 14, 15 e 16), no Theatro Circo de braga no dia 29 e no casino da Póvoa no dia 30. Em fevereiro, sobe ao TAGV Coimbra, a 16.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Salvador Martinha faz parte da equipa do Café da Manhã da RFM e prepara-se para mais uma temporada de stand up, com o seu espetáculo Na Ponta da Língua.

O Salvador faz parte da equipa do Café da Manhã da RFM, como é a experiência de um “palco” diferente?

Para mim é uma experiência quase radical, no sentido em que sou obrigado a conviver com pessoas de manhã. Quando era mais novo acordava à uma da tarde e progressivamente fui-me tornando adulto e fui cada vez acordando mais cedo. Agora atingi o limite, mais cedo do que hoje em dia acordo parece-me ser impossível! Mas é bom, porque acorda-se com uma energia diferente e também descobri a minha criatividade de manhã, que não conhecia até à data. 

É fácil estar bem disposto logo de manhã?

É fácil, se dormir bem. Se dormir três horas não vou estar bem disposto, se dormir sete horinhas vou estar bastante contente. Até por comparação com os meus colegas, como eles estão sempre mal dormidos quando estou bem dormido sinto-me bem. É como estar numa casa com lareira e ver as pessoas a apanhar chuva lá fora. Divertes-te mais!

É no palco que se sente em casa?

O palco é o sítio onde estou mais confortável hoje em dia. Curiosamente, o palco foi o sítio onde mais me custou estar confortável. Em palco posso fazer o que me apetece, porque não tenho chefe. No palco, eu sou o chefe, e portanto não há regras. Consigo ser independente ao máximo. 

Porque diz que lhe custou no início?

O mais difícil no stand up é seres tu próprio em palco. Demora muito tempo a construir uma pessoa em palco parecida contigo na vida real. Isso demorou algum tempo, porque nem sempre consegues ser em palco como és cá fora. Isso só se consegue com muitas atuações, tirar a vergonha e o medo do ridículo. Hoje em dia, acho que quando as pessoas vão ver um espectáculo meu é muito parecido a estar comigo normalmente. Mas chegar aqui foi um trabalho difícil.

 Mas estar a vê-lo em palco ou falar consigo na vida real vai dar ao mesmo?

Cada vez é mais parecido até porque as histórias que conto são as que se passam comigo no dia a dia. Mas em palco sou um persona, ou seja sou um exagero de mim mesmo.

 E este espetáculo Na Ponta da Língua, como o explicaria a alguém que não conhece o seu trabalho?

Sabe aquela pergunta que se faz quando não se vê alguém há muito tempo: o que é que tens feito? Basicamente este espetáculo é o que eu tenho feito, nos últimos dois anos. Conto uma ida minha a um museu, ou a um hotel, falo sobre um jantar que organizei em casa onde tudo correu mal, ou da minha relação amor/ódio com as tecnologias porque me sinto cada vez mais dependente mas no fundo não as queria! Falo um bocadinho sobre o que penso sobre o que me vai acontecendo.

 Este espetáculo é escrito totalmente por si?

No stand up faço questão de ser só eu a escrever. Por exemplo na RFM tenho um colega que trabalha comigo que é o Alexandre Romão e escrevemos juntos há bastante tempo. Mas no stand up acho que só faz sentido ser só eu a escrever. Basicamente vivo para contar. Tenho as experiências e depois há o trabalho de escrita, mas pegando sempre em histórias reais que me aconteceram. 

Essa é uma grande capacidade, a de transformar eventos normais em episódios com piada.

O Raúl Solnado tinha uma frase gira que era: «o humorista é uma pessoa que tem uma grande lupa». E é isso que sinto. Sempre que vou a algum sítio, levo a minha lupa de humorista, portanto tenho muita facilidade em transformar tudo em humor. Tudo para mim é matéria de humor. Torna-se um pouco obsessivo, mas depois torna mais fácil construir uma história normal em humor.

 Há temas que gosta mais de abordar do que outros?

Não tenho preferências sobre temas, mas há alguns que estou muito excitado para falar sobre eles, por serem novos por exemplo. Dá-me muita pica ser o primeiro a contar alguma coisa, gosto muito de sentir que sou o primeiro a passar para o papel e para o humor determinado tópico.

Agora vai passar por quatro cidades. Gosta de andar na estrada a mostrar o seu trabalho?

Gosto muito de andar na estrada, e sem a estrada não era possível ter um espectáculo com o ritmo que tem hoje em dia. É muito importante percebermos o País real. E cada vez que vou a um sítio diferente trago qualquer coisa nova para o espetáculo. A estrada é muito importante para fazer um espectáculo par ao País todo e não só para Lisboa ou Porto.

 O espetáculo que vai apresentar está fechado ou vai acrescentando?

O ideal no stand up é criar um espetáculo e fechar mas eu não consigo, estou sempre a aprimorar, a tirar uma história e a por outra. Há sempre uma base, mas vou ajustando até para as piadas não ficarem datadas. Agora já não vou ter mais atuações além das que estão marcadas e é a última oportunidade para ver este espetáculo.

 Quando percebeu que tinha graça e que podia fazer disso profissão?

A primeira memória que tenho de fazer rir foi quando estava na terceira classe e estava a chover, e era preciso entreter as crianças da primeira classe. Tive uma hora a fazer stand up e lembro-me de ter ficado bastante exitado por ter conseguido controlar as reações das pessoas. A primeira vez que achei que podia ser profissão foi com vinte anos, na altura do Levanta-te e Ri, fui fazer um workshop e achei que era isto que queria fazer.

 Diria que consegue ter uma conversa séria?

O que eu costumo dizer é que eu estou sempre a falar a sério. As pessoas é que se riem pelo meio, mas eu estou a falar a sério. É um problema que eu tenho!  

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Salvador Martinha volta a levar "Na Ponta da Língua" aos palcos | © DR
«No palco, eu sou o chefe e portanto não há regras!»
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