Rick Tetzeli

«Steve Jobs fez coisas que mudaram a forma como vivemos»

12 | 01 | 2016   20.31H

O líder carismático e “visionário” da Apple é o protagonista do livro A Transformação de Steve Jobs, muito elogiado pela equipa da Apple por ser o que melhor capta a sua essência. O Destak falou com um dos autores, Rick Tetzeli, sobre as descobertas que fez em relação a uma das figuras mais importantes das últimas décadas: Jobs.

João Tomé | jtome@destak.pt

Porque é que é tão grande o fascínio pelo Steve Jobs, de tal forma que, para muitos, é mesmo já um ícone?

Jobs fez coisas extraordinárias e fez coisas que realmente mudaram a forma como vivemos. A introdução do Macintosh e do iPhone tiveram um efeito profundo na forma como muito de nós vivemos. Os seus feitos são reais. E embora ache que as pessoas idolatram demais os criadores de tecnologia, o que ele fez foi significante. No entanto, é importante entender o que ele realmente fez e perceber que esse trabalho resultou da mudança e de ter aprendido ao longo do tempo.

Em que medida é que essas mudanças, de que fala, foram importantes para o que conseguiu?

Ele teve que aprender a ser uma pessoa mais madura e paciente para que a Apple pudesse ter o sucesso que teve na segunda metade da sua vida. Nunca esteve em causa como ser brilhante e excêntrico, mas sim como gerir um grupo de pessoas muito inteligentes e talentosas. Ele não conseguiu fazer isso no início da carreira, mas conseguiu-o mais para a frente.

O tempo que passou com a NeXT (empresa que criou em 1985) e a Pixar foram importantes nesse sentido?

Foram experiências de aprendizagem. Ele aprendeu a manter-se com uma coisa durante muito tempo mesmo que isso fosse muito difícil e também aprendeu como ser paciente com as pessoas que fazem as coisas de maneira diferente da sua. Quando era jovem pensava que sabia tudo melhor que toda a gente e quando envelheceu aprendeu a apreciar as coisas fantásticas que as pessoas conseguem fazer à sua maneira. Mas tinha que falhar para aprender isso e falhou na NeXT: a empresa não teve sucesso, não fez o que ele sonhou. São muitos os que defendem que ele não inventou nada.

Terá sido então um visionário?

Pensamos em inventores como pessoas que acordam um dia e têm uma grande ideia. E não é assim que funciona. A tecnologia desenvolve-se ao longo do tempo, lentamente e resulta de se juntarem coisas. Ele foi brilhante ao saber o que tinha que se juntar à tecnologia existente para fazer qualquer coisa tão fácil, que todos quiséssemos usar.

O que é que não estava à espera durante a pesquisa para o livro? Houve algo surpreendente?

Sim. Surpreendeu-me o quanto as pessoas eram emocionais no que diz respeito a ele. No início, entrevistámos algumas pessoas que tinham sido despedidas pelo Jobs ou tinham saído da Apple e quatro em cada cinco choraram durante a entrevista. Para mim, de fora, ele parecia um génio frio, mas ouvi muitas histórias de como podia ser caloroso e carinhoso com quem estava mais próximo fora do trabalho. E também no trabalho. Houve pessoas que trabalharam com ele 10 e 15 anos – teriam que ser masoquistas para trabalhar com alguém que era um parvalhão durante tanto tempo. Eu conheci essas pessoas e não pareciam masoquistas.

Será que podemos esperar outros Steve Jobs ou ele era único?

Acho que haverá sempre pessoas impressionantes neste mundo. E também acho que o Jobs teve sucesso numa altura em que o mundo estava alinhado para uma pessoa como ele.

Foto: © Destak
«Steve Jobs fez coisas que mudaram a forma como vivemos» | © © Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE