Mortalidade perinatal

Mortes que se podem evitar

22 | 01 | 2016   11.24H

Mortalidade perinatal não está a diminuir ao ritmo que devia, alerta estudo. É já problema de saúde pública.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Por cada mil partos realizados, por cá, em 2014, 3,7 bebés nasceram sem vida ou morreram na primeira semana. Foi assim há dois anos, mas não era assim há 26, quando, no País, a taxa era de 12,4. Ou antes ainda, em 1975 – os números apontam para 31,8. Os dados não deixam dúvidas que muito mudou. E para melhor. Mas segundo os especialistas da britânica London School of Hygiene & Tropical Medicine, publicados na revista The Lancet, houve uma quebra global nesta redução, um problema que não é exclusivo dos países menos desenvolvidos.

Em 2015, cerca de 2,6 milhões de bebés nasceram sem vida em todo o mundo, qualquer coisa como 7.200 por dia. Destes, ocorridos no último trimestre de gravidez ou após 28 semanas de gestação, metade tiveram lugar no parto. E embora 98% das situações sejam localizadas nos países com menores rendimentos, as nações mais ricas não escapam.

Entre 2000 e 2015, revela o estudo a que o Destak teve acesso, a média global de nados mortos caiu de 24,7 por mil nascimentos para 18,4, o que equivale a uma redução de 2%. Apesar do progresso, «esta redução tem sido mais lenta do que para a mortalidade materna (3%), neonatal (3,1%) e de crianças menores de 5 anos (4,5%)», lê-se no trabalho.

Mas há outras novidades. Dados de 18 países sugerem que os problemas congénitos correspondem apenas a uma mediana de 7,4% dos partos de bebé sem vida, o que deita por terra o mito de que estas mortes são inevitáveis. Muitos dos problemas que a ela são associados, revela o estudo, podem ser modificados.

Problema de saúde pública

Os investigadores não têm dúvidas que este tipo de mortalidade «é um importante problema de saúde pública nos países com maiores rendimentos», até porque «as reduções nestas taxas não têm acompanhado as da mortalidade neonatal».

E Portugal é disso exemplo. Os dados disponíveis para 2014 dão conta de uma taxa de mortalidade perinatal de 3,7 por cada mil nascimentos, enquanto a neonatal não vai além dos 2,1. Por isso, reforçam os especialistas, há forma de as baixar ainda mais. E muito trabalho a fazer.

Foto: DR
Mortes que se podem evitar | © DR
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