Rui Sinel de Cordes

«Tenho muito amor pelo tipo de humor corrosivo»

01 | 02 | 2016   15.57H

Chama-se Rui Sinel de Cordes, é conhecido pelo humor feroz, sem limites e nos últimos meses tem brilhado na SIC Radical com o programa Very Typical, que já é o mais visto do canal. Recentemente foi criticado por fazer uma piada sobre cancro, que muitos acharam que era sobre Sofia Ribeiro. O próprio humorista diz que, «se fosse, tinha colocado o nome dela».

João Tomé | jtome@destak.pt

Agora que está a terminar as gravações do programa volta à estrada para 25 espetáculos pelo país, numa tour que o levará até a Londres, «numa aventura para ver como corre», até porque: «se não sairmos da nossa zona de conforto nada muda. Acho que vai correr bem».

O programa na SIC Radical é sobre os portugueses ‘very typical’. Como é que surgiu o Very Typical?

O nome foi o Pedro Boucherie Mendes que teve ideia. Tínhamos acordado fazer um programa sobre os hábitos dos portugueses com tops. Eu estava às voltas com o nome há semanas e não gostava de nenhum. Mal ele falou neste adorei e ficou. Há muitas palavras em inglês que resultam melhor do que em português.

E como está a correr. Tem havido bom feedback?

Está a correr muito bem. Tem estado em 1º lugar nas audiências na SIC Radical. Como é um top 10 presta-se a ser partilhado na internet e tem tido tops bastante virais. Ainda não fui sair à noite desde que estreou o programa porque é aí que eu noto se está a resultar melhor. A malta mete-se comigo, assim é que sinto se as pessoas estão a ver ou não. É o meu barómetro. Agora abandonei um bocado as minhas lides, fico no quentinho com a minha gatinha e a Playstation.

Como surgiu esse amor pelo tipo de humor mais corrosivo, feroz?

É isso mesmo, tenho muito amor por este tipo de humor. Não é o único que me faz rir mas é o que me faz mais rir e é o único que eu sei fazer. Gosto do stand puro, de gargalhada. Tenho como referências o Jim Jefferies (humorista australiano), Jimmy Carr, Louie CK, claro, o Frankie Boyle, entre outros. Em 2001 ou 2002 comecei a ver estes nomes que te disse e era o mais fácil para eu seguir. Comecei a atuar e pronto, ando nesta guerra há 10 anos em Portugal e tem corrido bem.

E quando é que começou a sentir o sucesso? Houve logo reacções mais duras ao tipo de humor?

Isto é por fases. O sucesso é lento, vai sendo construído em crescendo. E a compreensão deste tipo de humor também é lento. Talvez sejam precisos mais 10 anos para todos perceberem que uma coisa dita de forma humorística não é para ser levada à letra, não reflecte o que o humorista pensa, as suas opiniões ou as suas crenças. Ainda há a tentativa de associar pensamentos a um humorista porque ele fez uma piada. Isso é uma estupidez. O Louie CK falou recentemente sobre este tipo de situações. Diz que os humoristas são um detective da moral. Há um conceito prévio de que as pessoas sabem que eles estão a brincar, não representa a opinião deles.

E reações mais bruscas a piadas…

Isso só acontece na internet. As pessoas não vêm ter comigo para reclamar. Já tive uma situação ou duas mas muito leve nada de de virem confrontar e me sentir ameaçado. Tem lógica porque a internet é um mundo fácil e a realidade é outra coisa. Há pessoas que querem muito ofender-se e juntar-se com outras pessoas que também estão indignadas. Há uma brigada de protecção dos valores da internet. Que é o sítio indicado… para a moral e isso.

Quais os hábitos mais irritantes dos portugueses?

O principal é nós nos referirmos aos portugueses como se não fossemos portugueses. Eu faço metade das coisas que estão no Very Typical. Lá está, sou português. Ali estou no papel de caracterizar isto com humor. Por exemplo, no trânsito há 10 anos era um atrasado mental autêntico. Irritava-me imenso. As pessoas colocam no trânsito grande parte das suas frustrações. A carapaça de um carro apela ao cobardezinho que temos dentro de nós: gritamos com os outros e arrancamos para fugir. Ninguém tem esse comportamento numa fila de um banco. Sou grande apreciador de boa comida. E cozinho. Tenho enorme respeito pelo trabalho que se faz num restaurante. Se não fosse humorista poderia ter seguido culinária.
Irrita-me pessoas que não se sabem comportar em restaurantes, ou querem alterar o menu ou tratam mal o empregado de mesa. Fico doente quando vejo isso. Isso também define a personalidade de uma pessoa.

Saiba mais sobre:
Foto: DR
«Tenho muito amor pelo tipo de humor corrosivo» | © DR
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE