entrevista

Carolina Deslandes com novo disco Blossom

23 | 02 | 2016   13.02H

Chama-se Blossom e é o segundo disco da cantora, que regressa com dez temas novos. Para 12 de março, às 19h00, está marcado o concerto de apresentação no Estúdio Time Out.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Este título do álbum indica uma mudança?
Sim, eu mudei muito a minha sonoridade, além de ter mudado a língua principal com que estou a trabalhar. Blossom surgiu como um simbolismo para explicar exatamente essa mudança. Lancei o single em português Não é Verdade, e quando voltei a lançar alguma coisa já foi o Mountains, que era em inglês e com uma componente eletrónica mais presente, com uma sonoridade mais beat. O resto do disco tem essa linguagem muito presente. Achei que a forma mais simples de explicar às pessoas a mudança que eu tinha escolhido era arranjar uma metáfora que funcionasse de forma visual, que as pessoas pudessem olhar e perceber. É florescer, é desabrochar. Acho que toda a gente vai crescendo e recebendo influências e passando por várias vivências e ouvindo coisas diferentes e isso acaba por nos levar a caminhos diferentes.

Além da língua o que é que mudou do primeiro álbum para este?
Quando ouvi o meu primeiro disco senti que fui “vítima da minha inexpriência”. Deixei tudo muito nas mãos de produtores ou editores porque não confiei no meu instinto e achei que como tinham mais anos de trabalho sabiam mais do que eu e deixei-me levar em muitas coisas. Mas um álbum é uma coisa muito pessoal, não tem necessariamente a ver com a experiência, tem a ver com o instinto e com o que o corpo fala. Quem ouve o meu primeiro disco não consegue reconhecer muitos elementos que eu queria que fossem reconhecidos. Não conseguem reconhecer qual a linguagem musical que eu queria transmitir. E agora já está presente neste segundo disco.

Qual é essa linguagem musical que queria transmitir e que influências teve para lá chegar?
Eu quis fazer um disco assumidamente pop, um pop contemporâneo como os que estão a ser feitos no mundo. Por exemplo tive muitas influências da Sia, que é uma artista que eu adoro. Continuam a ser grandes canções, mas têm uma forte componente eletrónica e digital. Quem ouvir este disco consegue ver bem onde fui tirara as minhas influências e que estilo de música me rege. E o primeiro disco não, foi um disco um bocado perdido no sentido em que não tinha uma sonoridade que o definisse.

Consegue destacar alguns temas que tivesse gostado particularmente de compor ou cantar?
Há uma música que eu adoro que é Light to My Dark Side e outro que é What Do You Know Boy, que são dois temas muito eletrónicos, talvez os mais eletrónicos do disco. Foram um desafio. Eu estava muito habituada a compor com guitarras e pianos e foi diferente para mim. Foi um desafio que eu gostei imenso e tanto as letras como os conceitos dos temas estão bem conseguidos. Mas o tema que marca este álbum é o Mountains que se tornou enorme.

Este foi o tema em que participou o Agir.
Ele produziu o Mountains e correu muito bem. Estou super habituada a trabalhar com ele. Já estávamos habituados a compor na presença um do outro e acabou por surgir a participação no tema porque o instrumental é dele e eu comecei a cantar e ele gostou. Foi muito natural, foram dois amigos a fazer experiências e acabámos por fazer o Mountains.

Todas as letras do álbum (exeto o Fuse) são suas. Não sente que se expõe um pouco com letras tão pessoais?
É um risco que se corre. Há muita coisa que não é literal, como tudo o que é poético. Mas claro que há uma exposição grande. Mas eu não tenho problema com isso, encaro de forma natural porque é a única maneira que encontro para me expressar. Não consigo criar emoções que eu não sinta. Se calhar era mais fácil, mas o meu processo criativo é muito pessoal.

Isso é válido também para o livro “Isto Não é um Livro”?
Sim, foram textos que não foram escritos para ser um livro. Escrevia coisas soltas em cadernos que ia acumulando e quando surgiu o convite para fazer o livro fui pegar neles, passar par ao computador e dar-lhes uma ordem. Eram só pensamentos e histórias inventadas que não eram para ser um livro. Por isso este título.

O que reservou para os fãs no concerto no Estúdio Time Out?
Este meu concerto é o único - pelo menos até agora - que vai ter convidados. Vai ser uma noite celebrada entre mim e os meus amigos, alguns deles que admiro muito. O concerto vai ter uma componente de vídeo bastante ativa. Vai ser um concerto feito para os fãs, com imensas surpresas, vamos experimentar coisas pela primeira vez, vamos tentar inserir as pessoas no concerto. Vai ser um concerto pensado ao milímetro, espero que as pessoas gostem.

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Carolina Deslandes com novo disco Blossom | © DR
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