'Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos'

Fomos conhecer melhor o musical que chega ao Porto e Lisboa

01 | 03 | 2016   12.58H

Dez anos depois do sucesso de "Ópera do Malandro", a dupla brasileira Charles Möeller e Cláudio Botelho regressa com "Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos". A grandiosa encenação chega a 8 e 9 de março ao Coliseu do Porto e a 11 e 12 de março, ao Campo Pequeno. 

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Com estreia em 2014, no Brasil, "Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos" é o espetáculo oficial da celebração do 70º aniversário do músico. O Destak esteve à conversa com Cláudio Botelho.

Qual foi o principal desafio para produzir este espetáculo? Escolher as 40 canções dentro da obra teatral e cinematográfica de Chico Buarque e juntá-las num novo contexto, mantendo as suas letras exatamente como são e, no entanto, fazendo-as soar como se fossem canções originais de um novo e grande musical.

Depois de A Ópera do Malandro como está a ser este regresso, dez anos depois? Uma enorme expetativa e grande ansiedade. Fomos muito bem recebidos com o Malandro. O público cantava junto, era uma festa entre brasileiros e portugueses. Desta vez, é um espetáculo mais arrojado dramaturgicamente, mas com menos atores em cena (somos sete e mais quatro músicos), e com um musical que só tem as canções para entreter. Não há texto falado.

Quais as principais diferenças e semelhanças entre a Ópera do Malandro e este novo espetáculo? A Ópera do Malandro é uma peça com texto, letra e música de Chico Buarque, inspirada na Ópera dos Três Vinténs, de Brecht/Weill. Uma obra fechada e acabada em si. Nosso novo espetáculo é uma criação a partir de quase uma centena de canções que Chico criou para o palco, o cinema e a televisão, mas que conta uma história bastante ténue, diáfana. É uma história sobre o próprio teatro em si, sobre as andanças de um grupo de saltimbancos que se apresenta por cidades reais e imaginárias. No Malandro havia todo o arcabouço de um texto teatral a serviço de uma ideia. Aqui apenas as canções contam a história.

Como foi por 70 anos de Chico Buarque em 90 minutos? Como nosso viés são as criações para teatro, cinema e tv, pelo menos tivemos esta fatia como ponto de partida. Se fosse um musical que tentasse transcrever a obra inteira do Chico, certamente não seria possível reduzir nem a 200 minutos. Mas o espetáculo não tem nenhum tom de homenagem, o nome Chico Buarque não é citado, e não se trata da história dele. É pura ficção com suas canções.

Como descreveria este espetáculo? Uma viagem pela obra de Chico, misturando canções com Roda Viva, Gota D´Água, O Meu Amo, Geni e o Zepelin, Noite dos Mascarados ou Sem Fantasia. São um total de 40 canções, sem tirar o espírito original, mas fazendo-as soar quase como inéditas, num outro contexto.

Como tem sido a receção no Brasil? Foram sete meses em cartaz no Rio de janeiro e mais seis em São Paulo. Todas as críticas foram extremamente positivas. Alguns prémios dos mais importantes foram dados à equipe, e o público lotou as temporadas com enorme adesão à história.

Vai ser tudo cantado e tocado ao vivo? Sim, é um espetáculo onde a arte dos atores e cantores está sendo posta à prova.

O que espera do público português? Se vocês rirem, se emocionarem, se lembrarem de momentos do passado, se virem no palco um pouco da vossa alma (como o Chico traduz tão bem a alma do nosso povo como um todo), nosso objetivo terá sido alcançado.

Coliseu Porto | 8 e 9 de março às 21h30
Preços: €20 a €40

Campo Pequeno | 11 e 12 de março às 21h30 | 12 de março também às 16h
Preços: €20 a €45

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Foto: Leo Aversa
Fomos conhecer melhor o musical que chega ao Porto e Lisboa | © Leo Aversa
«É um espetáculo onde a arte dos atores e cantores está sendo posta à prova»
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