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Glaucoma

Inovação EyeDropper garante terapêutica

03 | 04 | 2009   13.22H

O engenheiro biomédico Paulo Barbeiro, do grupo de desenvolvimento do "EyeDropper" (conta-gotas), disse hoje à agência Lusa que a patente do dispositivo foi submetida ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, do qual aguarda resposta, avançando depois para a fase internacional.

A baixa adesão dos doentes com glaucoma à terapêutica, que passa pela aplicação de gotas (os colírios) nos olhos, é um problema muito frequente em Portugal.

Segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, António Travassos, "só 30 a 40 por cento dos doentes cumprem rigorosamente as prescrições aconselhadas".

O dispositivo desenvolvido pela BlueWorks, empresa que trabalha no domínio da oftalmologia, faz uma gravação vídeo de cada aplicação de gota, avalia o ângulo para a aproximação óptima e emite indicadores sonoros de aproximação da inclinação ideal.

"Sempre que o doente aplica uma gota no olho é activada uma câmara que vai gravar o processo e transmite esses dados para um "software", que os analisa. Percebe-se o movimento da gota, instante a instante, até atingir o destino", explicou Paulo Barbeiro.

Segundo este responsável, ainda em 2009 a BlueWorks deverá criar uma pré-versão comercial do "EyeDropper".

"Em doenças crónicas como o glaucoma uma fraca "compliance" (rigor) pode conduzir à cegueira irreversível", lê-se num texto sobre o dispositivo.

Em oftalmologia, "a questão fundamental é saber se a gota atingiu o olho e se foi colocada no olho correcto".

Além de avaliar se a gota chegou ou não ao olho nas condições ideais, o "EyeDropper" tem também capacidade de identificar se atingiu a vista esquerda ou a direita.

Neste momento, o dispositivo consiste num telemóvel acoplado a uma estrutura rígida, mas o objectivo é conceber um aparelho ergonómico, mais autónomo e com custos inferiores ao telemóvel, capaz de acomodar um frasco de gotas - adiantou Paulo Barbeiro à Lusa.

"É quase um ovo de Colombo", referiu acerca do sistema, adiantando que "não existia uma solução tecnológica" para avaliar se os doentes cumpriam ou não as indicações terapêuticas e realçando a importância do "EyeDropper" para o apoio à decisão médica.

O glaucoma é uma das principais causa de cegueira no mundo ocidental.

Centro Cirúrgico de Coimbra, ISA (Intelligent Sensing Anywhere) e NeuroEye são os parceiros empresariais da BlueWorks - Medical Expert Diagnosis.

A empresa foi criada por três recém-licenciados do curso de Engenharia Biomédica e por professores do Departamento de Física e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra com o objectivo de desenvolver e lançar à escala mundial sistemas inovadores de pré-diagnóstico baseados na análise inteligente de dados e imagens provenientes de exames clínicos e no seu processamento com recurso a redes neuronais e está sedeada nas instalações do Centro Cirúrgico.

Foi a primeira "spin-off" empresarial do curso de Engenharia Biomédica da Universidade de Coimbra, segundo os seus responsáveis.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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